13 agosto, 2011

Mais perto do sol

A rua mal iluminada deixa os passos ecoarem, enquanto pisam ruidosamente as folhas que se encontram inesperadas no chão.
A lua cheia iluminaa o caminho dos sonhadores; dá luz aos ainda perdidos na noite, pouco iluminados. Aos que chamam pelo sono mas ele não vem.
A minha respiração fica marcada no vidro enquanto penso. Ajuda-me a divagar se me concentrar meramente na rua, lá fora. Se me concentrar nas pedras brancas como círios, depois nas escuras, fazendo um contraste que existe no mundo.
Todos nascemos no mesmo estado livre e puro, mas só alguns chegam ao ponto de alcançar algo mais. Encontrar algo que não seja ordinário, que não se defina por palavras algumas, por imagens. Que não se exprima de todo, a não ser pelo bater do coração.
A seguir foco-me apenas no sopro do vento e em todos os sussurros e suspiros que traz; consigo quase ouvi-los.
É como se visse uma grande tela, mas em pedaços, em pequenas doses que se vão juntando, formando no fim um cenário maior que tudo o resto. Um cenário que nos faz querer absorver tudo de uma vez.
A lua brinda-me com a sua passagem, encobrindo-se temporariamente por trás das nuvens que se esfumam livremente pelo céu escuro como breu.
Sorrio e penso que apesar da noite ser mais encantadora, aos meus olhos, o dia já não me impele para longe, assim tanto. Já não o receio.
Vejo as pessoas, lá em baixo como formigas, que caminham de maneira corajosa e determinada para um lado qualquer. Vejo-as e penso na sua história; penso na história que eu quero que tenham. Imagino.
Depois de tudo isto, já não penso, já não devia pensar. Tenho de aprender a deixar ir mais facilmente, sem dar tanta luta. Sem analisar em demasia tudo à minha volta.
Já pedi muitas vezes ao sol para me trazer a lua, mas hoje vou contrariar a minha natureza e vou acreditar no futuro imediato. Vou pensar que talvez, por uma vez que seja, o dia vai ser melhor que a noite.
Vou chamar pelo sol. Mereceu.

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