Abro os olhos e vejo-te.
Deitas-te a meu lado com a familiar sensação de que já o devias ter feito há milhares de minutos.
Sorris e eu também; sinto-me estranhamente calma e feliz, como se esse momento fosse fruto do destino.
Sinto um desejo quase doloroso de encostar a minha cabeça contra o teu peito em busca do tão necessário conforto, mas a antecipação impede-me. Ainda não acredito.
Rapidamente as palavras param de ecoar da tua doce boca e o sorriso desvanece-se. Sem mais delongas levantas-te como que a negar o que aconteceu, a anular o destino criado por nós.
Esse levantar foi a picada de culpa, foi o primeiro indício de cobardia que te invadiu e que eu já esperava.
Ao te afastares de mim, deixando-me sozinha, estás silenciosamente a afirmar que te arrependes de aceitar o que sentes. Típico.
Olhas para mim e os teus olhos pedem perdão; a tua boca não se move, como sempre. Eu olho para eles e tento convencer-me de que a desilusão não é já uma constante na minha vida, graças a ti...
Afasto o olhar, e acordo.
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