30 abril, 2011

Salvação

«Help me if you can, it's just that this is not the way I'm wired...»

Como posso assistir a isto, dia após dia?
Noite após noite adormeço a pensar se
Será nisto que a minha vida se vai transformar
E só peço aos céus, rezo com fervor para que
Tenham misericórdia de mim.

Vejo-me a atravessar este compartimento
Enorme, a comparar com a vida em mim,
E penso que não pode ser só isto que existe.
Não pode acabar por aqui, não pode ser só
Isto que resta. O que restou, sem ti.

Talvez tenha de procurar mais fundo,
Tentar com mais vontade. Está bem escondido.
Aquilo que quero, aquilo que preciso de encontrar.
Algo que me faça querer respirar este mesmo ar.
Algo que me faça sentir, de todo.

Estaco no meio do quarto. Esta não sou eu.
Não é a pessoa que um dia já fui, pelo menos.
Quero isso de volta. Quero essa vontade de viver,
Quero apagar as chamas da dor que me queima por dentro,
E encontrar o que foi perdido, sem querer.

Passo a passo, caminho para este abismo inevitável.
Mas algo tem de mudar, rapidamente, antes que seja tarde.
Antes que te mate, antes que te afogue nessa mágoa que
Faz com que respirar seja mais custoso. Mais cruel.
Rezo agora por ajuda, por um salvamento definitivo.

Sei que não quero continuar, mas sei também que
Se não continuar a marchar em direcção ao precípicio,
Nada vai mudar. Nada me vai manter aqui. Nada.
Não vai valer a pena, nunca mais.
Imploro-te, não assistas a esta morte lenta e demorada.
Não assistas a este final silencioso, pacificamente.

Já é impossível apagares estas lágrimas gravadas
Na minha face, de tanto querer que me ajudes.

Já não é possível ver-te daqui, a sofreres por mim,
A quereres fazer alguma coisa, algo que alivie este
Meu coração partido.

Algo que me faça voltar à vida.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Este poema, e penso que hoje posso dizer poema, está fantástico. E com uma melodia a condizer faria uma canção enorme. Faz-me lembrar (como de facto é o seu ínicio) o 'The outsider', e também tem pedaços de 'Stinkfist'; só por esta conclusão este poema está perfeito, uma grande combinação.
Quanto às ideias de frustração, espera inútil, aguardar a morte quase sem receio: parabéns.
É um texto mais triste do que aquilo que gostaria de ler; mas são as tuas ideias, a tua alma, as tuas palavras.
Agora, se esperar pela "morte" ou lutar ou lutar em vão, é tudo igual, ou se mesmo sendo caminhos diferentes vai tudo dar ao mesmo: já não sei...

Às vezes salvamos....outras vezes somos salvos. Da mesma forma que outras vezes não conseguimos salvar ou ser salvos. Às vezes é preciso sorte...e não falo dessa luz que pode melhorar certos momentos; falo da sorte de termos alguém que nos saiba amar e puxar nos momentos certos - talvez para sempre ou não - de termos alguém que perceba que precisa desse mesmo amor ou puxão.

Adorei.

A realçar:
"Isto que resta. O que restou, sem ti."
"Aquilo que quero, aquilo que preciso de encontrar.
Algo que me faça querer respirar este mesmo ar."
"Imploro-te, não assistas a esta morte lenta e demorada.
Não assistas a este final silencioso, pacificamente."