Sim, já tive o mundo a meus pés, durante um momento, num determinado dia.
Mas já me senti no topo do mundo mais vezes. Talvez não vezes suficientes.
Quem é que dispensaria uma oportunidade dessas? Quem é que não quereria ser, ou pelo menos sentir-se senhor do universo, rei de tudo o que existe?
Eu sei a resposta a essa pergunta. Eu. Eu, a eterna sonhadora que nunca sonha muito alto com medo de cair. Aquela que quer muito alcançar os céus, mas que ao mesmo tempo fica presa ao chão pelo medo da própria subida. E também da queda.
Eu sou a rainha de nada, porque todas as coisas que possuo não são reais, não passam de imaginação e tudo o que sonho permanece como ténue esperança de que a vida mude sem eu lhe fazer nada.
Como uma pessoa muito especial, importante e talentosa escreveu há bem pouco tempo, os que só se atrevem a sonhar, sem querer passar do voo rasteiro, são os mais cobardes. São aqueles que recebem menos coisas que a vida tem para oferecer.
Eu não quero ser assim... Não quero fugir do que quero, não quero correr na direcção oposta do amor, não quero ter medo de ser feliz. Não posso ter medo de ser feliz.
Não posso deixar a insegurança e o medo, o perigo e o inesperado fechados num cofre afastado de mim. Não posso, nem quero.
Não quero fazer tudo o que sonho só na minha cabeça, só porque lá tudo é seguro e simples e não me posso magoar.
Só porque lá o meu coração não pode ser apunhalado com dor, não quer dizer que na realidade ele o seja.
E se continuar a viver a vida em segundo plano, escondida atrás de mecanismos de defesa, o meu coração vai mesmo diminuir, envenenado com arrependimento e dúvida.
Tenho tanto receio de cometer erros, que às vezes, cometo o pior de todos.
Sim, eu já tive o mundo a meus pés. Senti-me gigante e capaz de mudar tudo, incluindo a minha pessoa.
Hoje, passado tanto tempo, consegui finalmente soltar-me aos poucos das amarras que ainda me prendiam ao cais da vida, e agora estou pronta a seguir o meu caminho, voando pelas nuvens, sem medo.
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