21 agosto, 2010

Ao longe o mar

Hoje o dia esteve cinzento.
O céu coberto de nuvens e
Nem vestígio do sol.
Teria sido um dia perfeito,
Não fosse o facto do calor infernal
Me causar um entorpecimento
Que me deixa sem forças ou vontade.

A janela está completamente aberta
Mas nem uma brisa chega para baixar
A temperatura da minha pele que queima,
Pedindo, implorando por arrefecimento urgente.

A lua sorri-me em sinal de agradecimento.
É que hoje, eu matei o sol.
Matei-o, mas não me arrependo.
E o vento? O vento...
Esse não chega, nunca mais chega.

Começo a ficar impaciente.
Este calor de outro mundo
Já-me está a gastar, está-me
A dividir em pedaços.
Consigo mesmo sentir a água a evaporar-se,
A deixar o meu corpo através dos meus poros.
Não tarda, também eu sou vapor.

Saio de casa, o ambiente continua denso.
Sinto-me perdida, sem destino, com necessidade
De nadar pelo meio deste calor palpável.
Mas subitamente ouço-o à distância.
É o meu farol, a minha salvação.
Corro para o alcançar.
Corro até deixar as minhas pernas para trás.

A noite é acolhedora, apesar de escura.
Trás-me um sentimento de paz e felicidade,
Bem como de gratidão da lua que agora me guia
Para que eu possa atingir a única coisa que de momento
me move.

Já posso até imaginar...
As rochas, a areia e ao longe, o mar.

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