04 maio, 2012

'Cansaço antecipado do não encontrado'

 «Um nada que dói...»

Desamparada por causa desta frustração...Cansada de não perceber o que sinto, o que quero, o que se passa afinal...Farta de tentar compreender o que devo fazer, como o devo fazer - esta interrogação permanente, esta dúvida que paira de forma constante e totalmente irreparável que me esgota; talvez não seja possível, talvez não seja humano.

Já aqui estive antes, e embora não tenha sido mesmo neste sítio, apesar de ter caminhado durante duas vidas, estaquei no mesmo lugar. Não me movi, embora tenha percorrido a estrada do medo, o pavimento do alívio, a escada da quase-salvação. Afinal talvez tenham sido miragens? Não sei bem. Tal como tudo, hoje em dia, nada sei. Nada pareço saber - o que sinto, o que quero, o que é isto afinal...Nada. Talvez esteja apenas presa a esta ilusão, a esta recordação, a esta memória viva.

Ou talvez não...Talvez não seja nada disto, talvez a realidade seja mais confusa, ou tão fácil que pretendo ignorá-la durante algum tempo. Só mais um pouco, por favor. Deixem-me aproveitar os fragmentos de sonho que restaram - voltei ao mesmo, embora de maneira diferente (mas como?). Este impasse tomou conta de mim, apoderou-se dos meus passos, atormenta-me as palavras, o pensamento. Está sempre por perto e nunca parte.

Instabilidade. Já nem te conheço, já nem te avisto porque já nem é isso que sinto. Não, é outra qualquer coisa, qualquer coisa que chegou e não vai. Chegou e faz-me querer falar, ao mesmo tempo que desejo guardar para mim as palavras que custam, que doem. O silêncio que faz sofrer e o silêncio aguardado; possivelmente, comunicar não é o segredo - porventura algumas palavras estão, de facto, melhores por dizer...Talvez o falar não leve a lado nenhum, porque mesmo quando falo não saio desse nenhum lado que se manteve.

É injusto que não haja nada que apazigue; o ar deve renovar, para eu poder encontrar outra saída. Não sei o que quero, não sei como sentir o que desejo sentir, não sei como devo manter-me aqui impassível enquanto algo sem passado nem futuro me corrói por dentro. Não tenho resposta para nada disto, mas aqui estou, a usar as palavras que ainda têm importância, para dizer aquilo que subitamente aqui ganha peso - aqui ganho esperança de ignorar os sussurros que o diabo de mim vai ditando ao meu ouvido. Encontrarei o meu céu?

«Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.»

29 abril, 2012

Vanity

Passo por ela, mas não a vejo. Não realmente.
Não analiso mais do que a sua aparência -
Ela não me é muito familiar, conhecida.
Olho-a todos os dias, mas não a costumo ver.

Mas quem é? É ela, não sou eu.
Não, nunca eu...É outra qualquer.
Uma que se parece comigo, uma que
Fala sem ruído quando também eu falo.

Uma que ri quando eu rio; chora
Quando eu choro, mas em silêncio.
Tenta sempre passar para este lado,
Embora eu não o permita. Era o fim.

Serão os meus olhos que vejo? Será a
Minha boca, o meu cabelo, as minhas
Mãos? Estará fadada a imitar todos os
Gestos que esboço, de forma dolorosamente simétrica?

Serão as minhas lágrimas, o meu riso,
As minhas palavras sem som, que eu vislumbro?
Não - são as dela, porque ela não sou eu.
É talvez uma face de mim, a que vive lá

Do outro lado do espelho, desassossegada,
Incrivelmente incapaz de ser reanimada pr'além
De mim. Sem os meus olhos, não vê; sem
A minha boca, não ri; sem o meu coração, não vive.

28 abril, 2012

No light, no light

«They moved foward and my heart died»

I open my eyes and think it's not a dream, it can't be. that would be rather cruel.
Having you back for a little while only to see you vanishing again would probably kill me - what's left of me.
When I had lost all hope, when I had embraced despair and faced the dark reality of losing you, you appeared out of nowhere with that part of my light I had nearly forgotten. Or tried to, fiercely.

My self-preservating heart keeps telling me over and over again that it won't last - it can't last - it's only a beautiful and tragic illusion. That soon I'll wake from it and I'll be without you once more. 
The fear is installed, I try to hold on to you, to seek you during my day...Grasping for your hand whenever I can, perhaps frenetically, to make sure you haven't faded away again.

But you are still there, telling me you fear the very same things, that you hope for the very same outcome; you're still real, you're still there! Our door isn't quite closed yet, our story is not complete.
The simple fact that I can now talk to you or share my precious moments with you fills me with unbelievable joy...Before, my light was almost out, flickering to survive; now, she has grown to guide my steps through the dark times.

It's still so unreal, I feel I keep having to look at you, to grab your hand in order to make sure you haven't disappeared. The floor beneath my feet feels incredibly shaky and unstable - we must keep trying to fill the void before it's too late. I promise it's only for a little while, though. Only until I know we won't let go, this time.

«It took me nearly a year to get here; it wasn't so hard to cross that street after all...It all depends on who's waiting for you on the other side»

25 abril, 2012

Visto do céu!

«So I stayed in the darkness with you»

O destino juntou-nos. O acaso ajudou-o.
Ficámos paradas nesse precipício iminente.
Sem força aparente para lutar mais pela vida.
Pela nossa, claro. Lutei pela tua, e tu, pela minha.

O vento trouxe a felicidade, a pureza - em forma
De canções, de palavras, de imagens. Ela parecia
Ter vindo para ficar. A semelhança era demasiado
Acutilante para ser real, verdadeira.

O tempo corroeu-nos, a dúvida infetou-nos - nada
Voltaria a ser igual. O sonho acabara (de vez?).
Restava apenas um sono agitado, incoerente e 
Doloroso. Ardia cá dentro, ia queimando lentamente.

Já longe da esperança, mas não da constante dor,
A resignação cessou de correr e abriu portas à 
Honestidade, à cura das feridas, à salvação do ser.
O fim do silêncio acalmou as dúvidas, o ressentimento.

A caminhada de volta será longa, extenuante, tortuosa;
A subida é íngreme, porque a queda foi brutal...
E remendar o coração nunca foi simples ou rápido.
Nunca foi algo que o homem goste de fazer.

O destino brincou connosco. O acaso ajudou-o.
Coincidências encurralaram-nos, as palavras por
Dizer afastaram-nos de nós. Pegaram fogo ao 
Nosso rastilho. Sem força para lutar pelo que restou,

Apoio-me em ti. Deposito a minha fé na esperança
De que agora, o nosso mundo volte ao sítio onde 
Residia; Aguardo pelo barulho que venha dissipar 
O que restou do silêncio, do vazio. Espero por ti.

24 abril, 2012

The secret life of daydreams

Abstração abre asas ao pensamento;
Rapidamente perco o controlo, subitamente
Encho-me de saudade, pontada de angústia,
Arrependimento. A alma dói.

Durante um breve segundo, deixo a
Memória invadir a ideia, permito a
Dúvida dentro de mim...Basta isso
Para a onda de tristeza se embrenhar.

Basta isso para perder as forças.
A determinação. A vontade que consegui
Manter aprisionada vislumbra uma
Saída  e solta-se. Voa livremente.

Tento controlar o que escapou, controlar;
Tento parar o movimento iniciado - volto
A recolher a dor, a dúvida, a esperança,
O arrependimento. Haverá volta a dar?

Passo a passo, recolho tudo. Não é tarde
Demais...Olho-os uma última, querida vez,
Com carinho, e fecho-os longe de mim,
Para não mais os ver. Afasto-os à força.

Encerro tudo, enterro-os bem fundo,
Abaixo da terra, abaixo das lembranças.
Asfixio o momento, o pensamento, tu.
E desapareces assim, do meu mundo.

23 abril, 2012

Rescue

No meio da liberdade e da alegria
De poder ser, simplesmente, chega-nos
O terror silencioso, a ameaça discreta.
O majestoso é destronado pela impetuosidade.

O quente, o sólido, a luz - todos
São engolidos pela escuridão, pela
Trágica imensidão do quase-infinito.
O gelo corta como estilhaços.

Foi para o sem fim, para o abismo;
Lá não há morte, nem luz, nem descanso;
O sofrimento estende-se e alarga-se à
Imortalidade (o tempo estaca).

A banalidade do essencial perde-se,
O belo transfigura-se num espectro,
O encanto esmoreceu lenta e vagarosamente...
Não há mais liberdade, não há mais esperança
(Nem vida)
Condenada a uma existência de tortura,
Conheceu ínfimos momentos de felicidade;
Aí correu o mundo, viu o amor, a mentira,
A injustiça, a dor. Viu o que o Homem tem pr'a dar...

Agora, sem descansar, sem se mover;
Incapaz de respirar como precisa, sente os
Grilhões pesados dos erros mortais. Da presunção.
Agora, com esse fardo eterno, aguarda salvamento.

22 abril, 2012

«I thought I understood it, that I could grasp it.
But I didn't, not really. Only the smudgeness of it;
The pink slippered, all-containered, semi-precious
Eagerness of it. I didn't realize it would sometimes
Be more than whole, that the wholeness was a rather
Luxurious idea. Because it's the halves that halve you
In half, I didn't know, don't know about the in-betweens;
The gory bits of you, and the gory bits of me.»