Passo por ela, mas não a vejo. Não realmente.
Não analiso mais do que a sua aparência -
Ela não me é muito familiar, conhecida.
Olho-a todos os dias, mas não a costumo ver.
Mas quem é? É ela, não sou eu.
Não, nunca eu...É outra qualquer.
Uma que se parece comigo, uma que
Fala sem ruído quando também eu falo.
Uma que ri quando eu rio; chora
Quando eu choro, mas em silêncio.
Tenta sempre passar para este lado,
Embora eu não o permita. Era o fim.
Serão os meus olhos que vejo? Será a
Minha boca, o meu cabelo, as minhas
Mãos? Estará fadada a imitar todos os
Gestos que esboço, de forma dolorosamente simétrica?
Serão as minhas lágrimas, o meu riso,
As minhas palavras sem som, que eu vislumbro?
Não - são as dela, porque ela não sou eu.
É talvez uma face de mim, a que vive lá
Do outro lado do espelho, desassossegada,
Incrivelmente incapaz de ser reanimada pr'além
De mim. Sem os meus olhos, não vê; sem
A minha boca, não ri; sem o meu coração, não vive.
29 abril, 2012
28 abril, 2012
No light, no light
«They moved foward and my heart died»
I open my eyes and think it's not a dream, it can't be. that would be
rather cruel.
Having you back for a little while only to see you vanishing again would
probably kill me - what's left of me.
When I had lost all hope, when I had embraced despair and faced the dark
reality of losing you, you appeared out of nowhere with that part of my light I
had nearly forgotten. Or tried to, fiercely.
My self-preservating heart keeps telling me over and over again that it
won't last - it can't last - it's only a beautiful and tragic illusion. That
soon I'll wake from it and I'll be without you once more.
The fear is installed, I try to hold on to you, to seek you during my
day...Grasping for your hand whenever I can, perhaps frenetically, to make sure
you haven't faded away again.
But you are still there, telling me you fear the very same things, that
you hope for the very same outcome; you're still real, you're still there! Our
door isn't quite closed yet, our story is not complete.
The simple fact that I can now talk to you or share my precious moments
with you fills me with unbelievable joy...Before, my light was almost out,
flickering to survive; now, she has grown to guide my steps through the dark
times.
It's still so unreal, I feel I keep having to look at you, to grab your
hand in order to make sure you haven't disappeared. The floor beneath my feet
feels incredibly shaky and unstable - we must keep trying to fill the void
before it's too late. I promise it's only for a little while, though. Only
until I know we won't let go, this time.
«It took me nearly a year to get here; it wasn't so hard to cross that street after all...It all depends on who's waiting for you on the other side»
25 abril, 2012
Visto do céu!
«So I stayed in the darkness with you»
O destino juntou-nos. O acaso ajudou-o.
Ficámos paradas nesse precipício iminente.
Sem força aparente para lutar mais pela vida.
Pela nossa, claro. Lutei pela tua, e tu, pela minha.
O vento trouxe a felicidade, a pureza - em forma
De canções, de palavras, de imagens. Ela parecia
Ter vindo para ficar. A semelhança era demasiado
Acutilante para ser real, verdadeira.
O tempo corroeu-nos, a dúvida infetou-nos - nada
Voltaria a ser igual. O sonho acabara (de vez?).
Restava apenas um sono agitado, incoerente e
Doloroso. Ardia
cá dentro, ia queimando lentamente.
Já longe da esperança, mas não da constante dor,
A resignação cessou de correr e abriu portas à
Honestidade, à cura das feridas, à salvação do ser.
O fim do silêncio acalmou as dúvidas, o ressentimento.
A caminhada de volta será longa, extenuante, tortuosa;
A subida é íngreme, porque a queda foi brutal...
E remendar o coração nunca foi simples ou rápido.
Nunca foi algo que o homem goste de fazer.
O destino brincou connosco. O acaso ajudou-o.
Coincidências encurralaram-nos, as palavras por
Dizer afastaram-nos de nós. Pegaram fogo ao
Nosso rastilho. Sem força para lutar pelo que restou,
Apoio-me em ti. Deposito a minha fé na esperança
De que agora, o nosso mundo volte ao sítio onde
Residia; Aguardo pelo barulho que venha dissipar
O que restou do silêncio, do vazio. Espero por ti.
24 abril, 2012
The secret life of daydreams
Abstração abre asas ao pensamento;
Rapidamente perco o controlo, subitamente
Encho-me de saudade, pontada de angústia,
Arrependimento. A alma dói.
Durante um breve segundo, deixo a
Memória invadir a ideia, permito a
Dúvida dentro de mim...Basta isso
Para a onda de tristeza se embrenhar.
Basta isso para perder as forças.
A determinação. A vontade que consegui
Manter aprisionada vislumbra uma
Saída e solta-se. Voa livremente.
Tento controlar o que escapou, controlar;
Tento parar o movimento iniciado - volto
A recolher a dor, a dúvida, a esperança,
O arrependimento. Haverá volta a dar?
Passo a passo, recolho tudo. Não é tarde
Demais...Olho-os uma última, querida vez,
Com carinho, e fecho-os longe de mim,
Para não mais os ver. Afasto-os à força.
Encerro tudo, enterro-os bem fundo,
Abaixo da terra, abaixo das lembranças.
Asfixio o momento, o pensamento, tu.
E desapareces assim, do meu mundo.
Rapidamente perco o controlo, subitamente
Encho-me de saudade, pontada de angústia,
Arrependimento. A alma dói.
Durante um breve segundo, deixo a
Memória invadir a ideia, permito a
Dúvida dentro de mim...Basta isso
Para a onda de tristeza se embrenhar.
Basta isso para perder as forças.
A determinação. A vontade que consegui
Manter aprisionada vislumbra uma
Saída e solta-se. Voa livremente.
Tento controlar o que escapou, controlar;
Tento parar o movimento iniciado - volto
A recolher a dor, a dúvida, a esperança,
O arrependimento. Haverá volta a dar?
Passo a passo, recolho tudo. Não é tarde
Demais...Olho-os uma última, querida vez,
Com carinho, e fecho-os longe de mim,
Para não mais os ver. Afasto-os à força.
Encerro tudo, enterro-os bem fundo,
Abaixo da terra, abaixo das lembranças.
Asfixio o momento, o pensamento, tu.
E desapareces assim, do meu mundo.
23 abril, 2012
Rescue
No meio da liberdade e da alegria
De poder ser, simplesmente, chega-nos
O terror silencioso, a ameaça discreta.
O majestoso é destronado pela impetuosidade.
O quente, o sólido, a luz - todos
São engolidos pela escuridão, pela
Trágica imensidão do quase-infinito.
O gelo corta como estilhaços.
Foi para o sem fim, para o abismo;
Lá não há morte, nem luz, nem descanso;
O sofrimento estende-se e alarga-se à
Imortalidade (o tempo estaca).
A banalidade do essencial perde-se,
O belo transfigura-se num espectro,
O encanto esmoreceu lenta e vagarosamente...
Não há mais liberdade, não há mais esperança
De poder ser, simplesmente, chega-nos
O terror silencioso, a ameaça discreta.
O majestoso é destronado pela impetuosidade.
O quente, o sólido, a luz - todos
São engolidos pela escuridão, pela
Trágica imensidão do quase-infinito.
O gelo corta como estilhaços.
Foi para o sem fim, para o abismo;
Lá não há morte, nem luz, nem descanso;
O sofrimento estende-se e alarga-se à
Imortalidade (o tempo estaca).
A banalidade do essencial perde-se,
O belo transfigura-se num espectro,
O encanto esmoreceu lenta e vagarosamente...
Não há mais liberdade, não há mais esperança
(Nem vida)
Condenada a uma existência de tortura,
Conheceu ínfimos momentos de felicidade;
Aí correu o mundo, viu o amor, a mentira,
A injustiça, a dor. Viu o que o Homem tem pr'a dar...
Agora, sem descansar, sem se mover;
Incapaz de respirar como precisa, sente os
Grilhões pesados dos erros mortais. Da presunção.
Agora, com esse fardo eterno, aguarda salvamento.
Conheceu ínfimos momentos de felicidade;
Aí correu o mundo, viu o amor, a mentira,
A injustiça, a dor. Viu o que o Homem tem pr'a dar...
Agora, sem descansar, sem se mover;
Incapaz de respirar como precisa, sente os
Grilhões pesados dos erros mortais. Da presunção.
Agora, com esse fardo eterno, aguarda salvamento.
22 abril, 2012
«I thought I understood it, that I could grasp it.
But I didn't, not really. Only the smudgeness of it;
The pink slippered, all-containered, semi-precious
Eagerness of it. I didn't realize it would sometimes
Be more than whole, that the wholeness was a rather
Luxurious idea. Because it's the halves that halve you
In half, I didn't know, don't know about the in-betweens;
The gory bits of you, and the gory bits of me.»
20 abril, 2012
Fatalidade
Na ténue linha entre o amor e o ódio,
Nos limites da dor suportável.
Na fraqueza de espírito, na mediocridade
Da carne, na cobardia que vem de dentro -
É aí que eu atuo. É aí que eu apareço.
Movida não por vontade, não por alento;
Não por necessidade, desejo; apenas pela
Maneira como eles escolhem viver (ou não).
A perda de controlo dá-se e num ápice,
Sem darem conta disso, a vida transforma-se.
A obsessão instala-se, a paixão cega a ponto de
Queimar. Deixou-os sôfregos por mais.
Uns pensam que alivio a dor, que trago a compaixão;
Outros pensam que sou um dos fins, que sou o último
Inalar desesperado, o inspiro terminal...
Eu venho meramente colher o que é meu, por direito.
Não me creiam mórbida, doentia: todos temos
De morrer um dia. Mais cedo ou mais tarde, uns
Às mãos do acaso, outros pela mão dos que amam,
Deuses ou mortais. Às claras ou na escuridão.
Na ténue linha entre o amor e o ódio,
Nos limites da dor imaginável, na transição
Do certo p'ro errado, no absoluto da degradação,
No acabado, é aí que eu atuo.
Nos limites da dor suportável.
Na fraqueza de espírito, na mediocridade
Da carne, na cobardia que vem de dentro -
É aí que eu atuo. É aí que eu apareço.
Movida não por vontade, não por alento;
Não por necessidade, desejo; apenas pela
Maneira como eles escolhem viver (ou não).
A perda de controlo dá-se e num ápice,
Sem darem conta disso, a vida transforma-se.
A obsessão instala-se, a paixão cega a ponto de
Queimar. Deixou-os sôfregos por mais.
Uns pensam que alivio a dor, que trago a compaixão;
Outros pensam que sou um dos fins, que sou o último
Inalar desesperado, o inspiro terminal...
Eu venho meramente colher o que é meu, por direito.
Não me creiam mórbida, doentia: todos temos
De morrer um dia. Mais cedo ou mais tarde, uns
Às mãos do acaso, outros pela mão dos que amam,
Deuses ou mortais. Às claras ou na escuridão.
Na ténue linha entre o amor e o ódio,
Nos limites da dor imaginável, na transição
Do certo p'ro errado, no absoluto da degradação,
No acabado, é aí que eu atuo.
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