25 fevereiro, 2012

Lisbon Revisited




Embalada por cada solavanco, por cada curva acentuada, por cada subida íngreme que teima em contrariar a gravidade, eu aprecio o rumor silencioso que o vento espalha à minha volta.
Olho em redor e a luminosidade faz com que um sorriso aterre nos meus lábios, propagando-se rapidamente para os meus olhos; todas estas pedras da calçada escondem centenas de segredos, todas estas fachadas obsoletas contam montanhas de histórias, paixões. Escondem-se lendas e lágrimas debaixo de cada arco, ponte, torre. Aqui não há propriamente silêncio, mas a energia não é de todo permanente, elétrica; há simplesmente uma quietude subtil que inspira o mais complexo sonhador a sentir algo diferente (outro mundo), a criar universos inéditos. A calmaria não é total, pois ainda corre uma leve brisa do irrequieto, mas há também um sentimento de paz eterna conseguida através de séculos de história, determinação e glória.
As noites são a melhor parte - mágicas, místicas, assombrosamente cheias de significado. Testemunhá-la à luz dos candeeiros disfarçados de estrelas é a sensação mais soberba, reconfortante e doce que posso ter. A lua realça o melhor que há nela, a beleza natural, a crueza da emoção escondida, reprimida; a imperfeição do espírito.
Afagada pelo rio, ela é a fonte de cobiça de muitos, pois é um tesouro real, uma safira de cores, de realidades...Eclética. Conta enredos infinitos, já que é mais antiga do que o tempo.
Dizem-na rebelde, inquieta. Dizem-na corrompida, gasta. Não...Nada disso. Ela apenas se ergue do pó do passado, das cinzas da experiência e prepara-se para viver algo novo. Algo nunca antes visto pelas almas que aqui passaram, que passam e que continuarão a passar; algo fantástico.
As ruas largas e direitas, ainda que tortas (pela sua indecisão tola de menina) cortam-me a respiração e só consigo imaginar o triunfo que se sente no ar; cansadas de serem calcorreadas por pés impetuosos e exigentes, enfadadas pela melodia que a água corrente chora, deixam ainda ouvir os murmúrios que o vento escolheu guardar.
A minha Lisboa nasceu do mito, mas viveu em tempos áureos e hoje é imortal. A cidade eterna que difere de todas as outras, marcando a sua diferença pelo simples facto de que tudo o que ela é - tudo o que representa - foi construído passo a passo, século a século, devido ás coisas pequenas, às vidas que nasceram e morreram no seu coração. Todos os que passaram por cá fizeram uma pequena diferença, criando esta fortaleza multicolorida, íntima, inacabada.
Fazes parte de mim, oh Lisboa revisitada, como o sangue que me corre nas veias ou o coração que bate fortemente de cada vez que reparo na tua imponência, na tua altivez com um fundo de cinzento chuvoso, de cada vez que percorro essas ruas abaladas pela própria terra. De cada vez que inspiro o ar que deu vida aos grandes feitos dos meus antepassados. O peito arde com a chama do orgulho e do amor, inflamado de felicidade por me teres visto crescer.
O teu coração bate hoje num ritmo incerto, lento, mas o sangue ainda por aí passa: estás desperta, atenta. Vives.

«É a hora!...»

23 fevereiro, 2012

Nitidez

«No amount of remembering the better things will make the bad ones go away...»

Será isto demasiado difícil? Serei eu muito frágil?
Estarei a impor um preço demasiado alto?

Não posso...Se começar a questionar a minha decisão,

Nunca conseguirei levar isto até ao fim. Desintoxicação.

Há momentos decisivos, há escolhas cruciais.
Se não pusesse fim a isto, agora, teria de o fazer
Mais tarde. Possivelmente tarde demais.
A coragem foi imensa agora e não vacilo.

Sei-o com toda a certeza, embora doa.
Sei que apesar de me custar felicidade pura,
É preciso matar o que resta, de uma vez só.
Temos de parar, temos de deixar o vento afastar-nos.

Outrora havia uma jovem rapariga - vou falar-te dela.
Vivia enclausurada em solidão, em tristeza.
Condenada à raiva perpétua, à revolta crónica.
Mas ainda sonhava. Ousava ir mais longe.

E depois, após um sonho iluminador, um trovão,
Uma descarga de chuva súbita e intensa, a vida mudou.
Ela encontrou um ponto de abrigo, um farol (tu)
Que a guiou através do desespero enevoado.

No entanto, passado um tempo, o farol apagou-se.
Tornou-se numa fonte de rancor, dúvida, incerteza.
O bom já não compensava o mal. A escuridão instalou-se.

Não posso mentir...Não seria justo.
Os motivos não são somente altruístas,
Eu não sou assim tão pouco humana. As razões estão lá,
Também para mim. Podem ser ténues, ridículas, miseráveis,
Mas estão lá.

Não...Já nem faz sequer sentido (eu quero tanto que faça!).
Ambos sabemos, ambos o vemos, todos os dias, quando
Se forma o silêncio em redor de nós. O silêncio carregado
De significado, o que não faz bem a ninguém.

Estou muito feliz por nos termos cruzado, tornei-me
Melhor por ver um vislumbre do teu mundo.
Estou contente pelas palavras, pelos momentos silenciosos (os bons),
Nem que tenha sido falso, imposto. Uma mentira.

Está tudo tão nítido hoje, como se tivesse andado adormecida.
Nítido como a água, límpido como cristal. Eu apareci no teu
Caminho e forcei-te a ficar.
Agora és livre...

19 fevereiro, 2012

08 fevereiro, 2012

Terça-feira

I'm hurting, I'm lost.
Feeling I can't grasp anything solid within my reach, I keep falling and falling.
It's not rock bottom, but it isn't easy either. All the hurt is still here, all the loneliness, the will to quit, sometimes.
Stoping for a second, I feel so numb that time itself melts away; the loud voices, the conflict, the constant war and all the sorrow fade to a distant place, far from the hollow spot I find myself in. It's awfully quiet here, more peaceful.
I'm drowning, I'm fading more and more, however, life around me stays on it's orbit. I'm drowning, looking restlessly for the bottom of the ocean and I can still see their faces, hear their voices. The rotines of their beings unaltered. I'm crumbling right in front of them, but not screaming yet. Until I am, they'll keep on walking, leaving me unnoticed.
Looking beyond them, I find you hurting aswell, falling. You are drowning too, all alone, in your own way. We are all drowning, we are all falling apart. If we're there, we're all fading together in blissful oblivion.
So maybe we could lean on each other, instead of making it worse, while we also carry our own demons. We all have them we're all miserable in a way, but we are all joyful at times. There is still hope, this isn't despair speaking.
I'll carry you home, hoping you'll do the very same, for me.

05 fevereiro, 2012

Cloud Nine

«Guess it wasn't real after all...»

Quanto tempo demoramos a esquecer um rosto? Um sorriso?
Quantas horas têm de passar para deixar de ouvir uma voz a chamar pelo meu nome?
Tento ouvir o meu coração a bater, mas a tentativa torna-se vã. Ele já não bate há muito, não por estar estilhaçado, mas porque se foi partindo uma e outra vez, desde então.
Se assim foi, como é que consigo ainda desejar, esperar por ti? Os meus instintos estarão assim tão para além de ajuda? Estarei assim tão gravemente perdida que já não distingo, de todo, o que é verdadeiramente mau para mim?
Às vezes dou por mim a pensar em toda a injustiça, em todos os segundos que, se pudesse, teria mudado. Penso naquilo que me faz feliz temporariamente, penso nos momentos, penso na tormenta que é não estar perto de ti, de não falar contigo. Passado algum tempo a realidade traz-me à tona, deixa-me bem acordada para o vendaval - recordar não te traz de volta, não me faz bem nenhum...Não passa de algo passageiro e irreal.
Será que se te esquecer de vez e não voltar a ver vestígios teus, desapareces fisicamente? Se não encontrar provas de que exististe, sem ser na minha mente, será que te evaporas literalmente? Deixas de ser pessoa, tornas-te num mito. Num sonho. Um sonho muito curto, muito meu. Muito amargo. Se esquecer a tua maneira de sorrir, a tua voz doce, a maneira como me fazias ignorar todo o mundo, se fizer tudo isso desaparecer, será que se torna mais fácil? Deixarei de manter aquele quase ódio que, ocasionalmente, sinto por mim? A mágoa é tanta que nem te consigo odiar, mesmo quando tento com todas as minhas forças.
O meu auto-controlo troça de mim, faz-me ir a sítios que preferia ignorar. A minha mente tortura-me e faz-me questionar coisas básicas que preferia não indagar.
De coração partido sigo em frente e tento, a pouco e pouco, esquecer mais uma porção de ti, embora não pareça. Estou a fazer o meu melhor, porque te relembro, mas vou esquecendo um fragmento teu. Dói cá dentro, porém se me focar na verdade, ela irá guiar-me pelo caminho certo.
Quanto tempo demorarei a esquecer-te? Ficaste cá dentro uma eternidade, só peço alguma paz, por fim.

04 fevereiro, 2012





Let's not do this today. For once, let us be in peaceful silence. Let's not do this...


02 fevereiro, 2012

Careful Confessions

«And I see you standing there, wanting more from me and all I can do is try»

Anonimato. Invisível no meio da multidão, capacidade de não me verem quando não há sequer espaço para respirar - esta não sou eu. Mas costumava ser. Gosto de acreditar que isso já não acontece, não pela mudança do mundo, mas porque eu deixei de me importar.

Estava a afogar-me neste mar já conhecido (tão bem!), nesta água mais antiga que a vida, quando subitamente tudo parou e eu deixei de ter de lutar para respirar: o oxigénio era abundante e havia espaço para viver.

Esta mudança não foi como qualquer outra anterior. Temia repetir-me infinitamente quando senti o impulso crescente de escrever, dentro de mim; contudo lembrei-me a tempo que isto é inédito. Nunca em tanto tempo de existência tal sucedeu. A situação inverteu-se.

Num meio de qualquer algo, resta o que há e o que tenta haver, mas jamais o que não existe, o que havia (renovação); pela primeira vez, estou a facilitar a vida, estou a simplificá-la. O passado sempre teve um enorme, um gigante, um colossal peso, de maneira que lhe fechei a porta. Quando o vento da tristeza ameaça abri-la, eu passo algum tempo a fitar essa parte morta (contemplação), mas sigo em frente, encerrando-a.

Confissão de hoje - decidi importar-me com a vida, decidi parar de deixar o quotidiano governá-la. Nada acontecia e eu não queria que algo acontecesse. Cansei-me de estar sentada a um canto na desarrumação onde ela andava a habitar; estava na altura de me levantar e começar a apanhar os destroços, os estilhaços, os escombros de mim. Estava na altura de me importar, de rir verdadeiramente, sem aquele peso terrível em cima. Estava na altura.

Ando a tentar.