31 julho, 2010

Lembrança

«I must keep reminding myself of this»

Estranhamente adormecido, pareces viver num mundo à parte, mas no que toca à falta dela, tornas-te num ser completamente diferente.
Olhas ansiosamente para o relógio, como se a cada segundo sem ela o teu coração não batesse.
Corres para a porta ou para as janelas quando se aproxima a hora da sua chegada. Pareces ter receio que ela não regresse.
Será isso? Tens medo que ela nunca mais volte... Que se canse disso tudo e que vá embora sem nunca olhar para trás.
No fundo sabes porquê. Ela não é feliz aí, apesar dos teus esforços em vão. Ela não se consegue contentar com o que tu consideras um lar. Com o que tu achas necessário.
E se ela for, o que será de ti? Sinceramente não sei porque te interessa tanto. Podes passar o dia todo à espera dela, ansiosamente, mas assim que ela entra por essa porta, voltas a ser invisível.
Não há um olhar, só talvez uma palavra, e depois, acabou.
Podias esperar eternamente. Sei que podias. A espera podia ser eterna, mas nem isso te faria mudar. Nem isso te daria alento para acordares desse teu sono permanente, a tempo de mudares o rumo das coisas.
Para que esperas? Diz-me porque é que anseias tanto o momento de sentires a presença dela perto da tua, se a cada dia que passa a vês morrer um pouco. Se a cada nascer do sol a vais perdendo, até não sobrar nada...
Será isto um teste que te impuseste? Um teste que tens de passar, para depois seres finalmente feliz?
Não compreendo a tua luta, a tua falta de ambição. Nem me compreendo a mim quando já nem sei se te quero ver agir, ou não.
Faz qualquer coisa, nem que seja para a viveres e depois te arrependeres.
Viver ou morrer, ser feliz ou não, a escolha, é tua.

28 julho, 2010

Cais do Mundo

Chego ao cais bem cedo. O céu ainda está pintado com tons de violeta e laranja, e o sol não passa ainda de uma pequena esfera que ao longe, é tímida, mas ansiosa por nascer.

Inspiro o repentino cheiro do mar e quase consigo sentir o sabor a sal dentro da minha boca.

Sento-me num banco e deixo-me absorver pela vida à minha volta, pelos odores que pairam no ar e pela importância do que eu estou a testemunhar. Barcos partem e barcos regressam ao porto com as suas imponentes velas brancas que se movem ao sabor da brisa. Trazem consigo pedaços de outros mundos, de outras realidades distantes que a mim me parecem irreais e inalcançáveis.

Pergunto-me de onde será cada navio e questiono o que os homens que vêm neles dizem na sua língua. Imagino o que carregarão dentro das grandes caixas que transportam e sinto subitamente que sou realmente microscópica, em comparação com o planeta onde me encontro. Sinto-me realmente pequena com a imensidade de beleza e, ainda que rara, sincera riqueza que existem neste mundo.

Com tudo isto no meu pensamento, aguardo pela chegada do sol que trará consigo calor, mais luz e sobretudo, mais vida.

Porque é de vida que precisamos, em cada dia,

E desse sol que nos aquece bem mais do que o corpo

Que nos aconchega e acalma a alma.

Não louvamos a morte nem por ela esperamos

Pois sabemos que a seu tempo chegará

Mas até lá vivemos, vivemos cada dia como se

Fosse o último, como se fosse único.

Neste cais sinto pequenas gotas de água

Que tiveram a coragem de se afastar do mar

E que se serviram do vento para me tocar na face...

Hoje sou as forças do mundo,

Hoje sou a paz mundial, a ordem universal de todas

As coisas, de todas matérias, de todas as verdades,

Hoje sou este mar, este sossego,

Hoje sou essa doce espera de um sol que virá...

Mas mesmo nesta tempestade exterior que cresce

Consigo encontrar beleza no meu viver

No girar deste mundo.

Este mundo que é tão estranho e intrigante, mas ao mesmo tempo reconfortante. A esta hora, noutras partes dele, são horas de acordar para alguns. Outros estão a apreciar um pôr – do – sol num banco de jardim e outros ainda estão a preparar-se para se entregar ao mundo dos sonhos, dizendo adeus a mais um dia.

Neste mesmo segundo que passo aqui abrigada da chuva, neste cais antigo e parado no tempo, algumas pessoas vivem num dia anterior ao meu, ou serei eu que estou adiantada a eles? Se vivo num mundo à frente deles, onde aqui é dia e lá é a noite anterior, poderei contar-lhes o futuro? Saberei as coisas que ainda não lhes aconteceram? Ou o tempo é o mesmo? A mim parece-me que é quase elástico, ele estica e encolhe conforme quer, nem que seja só para me confundir por um bocado.

Sinto-me perdida. Ainda há tanto para ver, tanto para descobrir. Tantas culturas para conhecer, tantas experiências por sentir... Como vou conseguir tudo isso se o tempo corre contra mim? Se parece querer que eu o persiga, só para me poder ganhar, sempre. Se parece que será uma batalha eterna, uma corrida contra o tempo para conseguir pelo menos sentir metade da terra que banha o planeta a que chamo casa...

É difícil ser mortal, mas também nunca ninguém disse que a imortalidade era fácil. Tenho é de encontrar o equílibrio dentro de mim própria, onde poderei eventualmente deixar-me ir à descoberta do mundo que me espera e que eu tanto desejo conhecer.

Porque esse mundo está à minha espera.

Sempre esteve à minha espera.

E não terá esperado em vão:

Pois chegou a minha hora de o descobrir,

De o sentir em todas as suas vertentes,

E saber sempre que não estou sozinha;

Quando adormeço sei que outros estão a acordar,

Quando sonho no sono

Outros sonham acordados,

Quando me levanto outros estão-se a deitar.

Enquanto vivo outros morrem, enquanto choro

Outros estão a sorrir...Mas enquanto choro

Ou rio outros podem-me também acompanhar.

Se vejo o sol outros estarão a ver a lua,

E existem ainda outros que sentem o sol ou a lua

Demasiado tempo.

O mundo aguarda-me. Chega de o fazer esperar...

Não quero ser chuva

Nem calor

Frio

Ou céu aberto,

Quero fazer apenas o que é certo para mim,

Sentir-me e ser sentida,

Explorar todo o mundo enquanto respiro e ando

Enquanto ambiciono e corro,

Esta sou eu, filha deste Tempo,

Aprendiza desta momento, ser humano

Consciente da aprendizagem que toda esta experiência

Chamada vida tem para me ensinar e moldar.

Chegou a hora de me descobrir

Descobrindo tudo o resto,

Chegou a hora de me deixar ir

E deixar levar.


[Este texto foi escrito em parceria com o meu talentoso e genuíno irmão Diogo, obrigada pelo privilégio. Também em http://versologista.blogspot.com]

19 julho, 2010

Tinta Permanente


Têm um muro em branco à vossa frente. Uma tela por colorir, um coração por manchar.
E podem escolher...Entre giz e um marcador.
Vão preenchendo o espaço à vossa vontade,
Alguns centímetros com giz de várias cores,
Outras partes com marcadores, mas ainda vos sobra sítio para colocar quem é importante.
O que é importante.
Estão indecisos, o que vão usar? Algo que se apaga facilmente ou algo que é mais permanente?
Lembram-se do vosso passado, de como já se coloriram um dia.
Tanto para o bom como para o mau.
Um dia já estenderam um pedaço de giz a alguém especial, dando-lhe a oportunidade de desaparecer da vossa parede.
Já estenderam marcadores de tinta permanente a pessoas que afinal não foram eternas, que já se dissolveram do vosso muro.
Como saber escolher o certo?
Podemos voltar a dar o marcador a alguém que nos marca e depois essa mesma pessoa apaga-se lentamente de vocês, deixando uma queimadura eterna.
Têm de saber se querem construir um mural que vos representa durante a vossa construção, não apagando mesmo as partes desfocadas de vocês, ou se querem jogar sempre pelo seguro, estendendo sempre um giz, não conseguindo confiar em ninguém o suficiente para passar a algo a longo prazo.
Têm de decidir quem querem ser, a pessoa que consegue seguir em frente com o seu passado presente, mas arrumado, como um núcleo quente que vos transmite paz e felicidade ou alguém amargurado que fecha as paredes à sua volta, não deixando quase ninguém entrar, e que quando entram, são brindados com algo efémero, fácil de apagar da memória e da tinta...
Como vai ser afinal? Escolhem o giz, ou a tinta permanente?

14 julho, 2010

Inside Out - II

Aperto no estômago, coração acelerado. A cada metro de estrada sinto-me a ficar cada vez mais pequena.
A hora aproxima-se mas a distância e o tempo levam a melhor sobre mim. O que devo fazer, o que devo dizer? São estes momentos não planeados que me fazem agir segundo os meus impulsos biológicos e os meus mais íntimos sentimentos como ser humano.
À chegada acalmo os nervos enquanto dou passos pequenos e incertos. E agora, como vai ser? O que vou ver ao certo? Vou entrando às cegas, sem saber para o que me hei de preparar. Subo as escadas e sinto um nó que me enche as entranhas de incerteza nervosa. Nunca gostei destes locais que se mascaram com jardins floridos e portadas alegres, mas que por dentro encerram tristeza, solidão, maus tratos e morte.
Subo os degraus mas ainda tenho mais alguns minutos para gastar nesta espera silenciosa que me tranca as cordas vocais impedindo-me de falar ou de rir perante alguma piada.
E então avisam-me que a espera acabou, que a porta se irá abrir. O que devo esperar?
Caminho mais confusa do que confiante e deparo-me com uma visão não muito inesperada. Mas o pior não foi o sentimento de tristeza que me poderia ter preenchido. Não, foi a luz que a minha simples presença causou naquele ser. Eu fui uma visão de outro mundo antigo cheio de vida, eu fui a própria vida encarnada num passado que parece ter acontecido há milhões de anos. Todo o meu ser ficou estático por segundos e depois disso tive de avançar para quem me contemplava como se tivesse algo de divino.
Nesse momento senti pela primeira vez na vida algo que nunca tinha sentido: razão de viver. Razão de existir neste mundo. Porque esse olhar valeu por todas as palavras existentes no universo.
Seguiu-se uma hora onde o meu cérebro trabalhava a mil à hora, pensando em todas as tardes passadas a cantar e a conversar com essa pessoa que agora me estava grata só por existir. Só por existir! Conseguirá alguém imaginar o que é ler pura gratidão no brilho dos olhos de outrém só por respirarmos?
Foi o sentimento mais avassalador de toda a minha curta vida. Foi uma nova perspectiva que me inundou a alma de uma mistura súbita de rancor, de tristeza, melancolia, saudade e felicidade só por estar ali. Revoltou-me sentir que apesar de vista e ligeiramente acompanhada essa pessoa estava mais só que muitos. Estava sozinha e só conseguia pensar na sua antiga vida, nas antigas pessoas que costumava ver e amar e naquilo que já tinha perdido de maneira injusta e trágica.
Porquê? Porque é que isto acontece sempre a quem menos merece?
Acho que fundo saí de lá a sentir-me extremamente impotente, triste por não poder fazer mais nada a não ser inspirar e expirar ar, que de certa forma já era satisfatório para quem quase não podia.
Senti aqueles abraços, aquelas mãos cansadas da vida a apertar-me com toda a sua força para me memorizar, para me tentar marcar, para sempre. Senti aquelas lágrimas como facadas directamente no peito e nesse momento morri um pouco por dentro. Derramei lágrimas interiores e senti o meu mundo a desviar-se lentamente da sua órbita usual.
Entrei dentro do carro e vislumbrei o ser que me acenava adeus como se acenasse um olá à morte. Vislumbrei quem por uma mera hora da minha vida foi feliz a relembrar o que um dia foi.
Se pudesse, dava-lhe dias inteiros de mim, só para ver esse contentamento nessa cara que um dia já me foi quotidiana, que me deu tecto provisório, que me forneceu comida e sobretudo alguém com quem falar.
Nunca me esquecerei dessa tarde e do que me apercebi nesse dia: por mais inúteis que nos possamos sentir, somos sempre úteis para alguém que pode nem saber que existimos, mas se estamos nesta vida, é certamente para a mudar.
Obrigada

12 julho, 2010

Inside Out - I

Vejo a capital a afastar-se lentamente para dar espaço aos meus pensamentos mais longínquos e livres que só uma viagem permite.
Odeio despedidas, sempre odiei. Sinto que são para sempre e deixam-me triste e melancólica por isso tento encurtá-las o máximo que posso e tento fazer-me logo à estrada.
De que é que preciso mais? Tenho a minha música comigo, tenho alegria dentro de mim, tenho paz e tenho liberdade. Que mais posso pedir? Já é mais do que muitos têm...
Sinto que esta jornada vai trazer muitas surpresas, muitas experiências e sensações, novas descobertas e novos conhecimentos. Sinto-me expectante como se soubesse que algo grandioso vai acontecer em breve e como se estivesse já sentada para assistir ao decorrer da peça.
Limitar-me-ei a ver simplesmente? Será que consigo cingir-me a ser espectadora? Penso que não, penso que isso seria um papel ingrato, penso que isso é algo que nunca conseguirei fazer.
A paisagem que vejo através desta vidraça límpida e grande vai mudando com o passar do tempo. Passa de urbana a rural quase sem dar por isso e agora é que dou realmente valor à beleza da paisagem natural, ao que não foi esculpido pelo Homem mas sim pela Natureza.
Passo por gado, prados, árvores sem perder de vista. Passo por pessoas desgastadas pelo tempo, passo por edifícios inacabados que um dia poderiam ter sido algo importante e por vales e montes que só me fazem querer perder-me lá.
Passado aproximadamente três horas e meia (tempo que demorei a perder-me) cheguei ao meu refúgio, ao meu mundo separado do outro resto de mundo. Cheguei ao meu destino e não perdi tempo a começar a explorá-lo como já há muito não fazia.
Olá Fundo do Lugar, cheguei por fim a casa!

24 junho, 2010

Chamada Perdida

«Apeteceu-me estragar algo belo»

Com este instrumento encostado ao ouvido encontro-me absorta em pensamentos.
Sinal após sinal, após sinal, após sinal mantenho a esperança de que alguém do outro lado irá atender.
Na miséria me encontro e não sei sair dela. Como cheguei aqui, como cheguei a este ponto?
Não tenho ninguém e agarro-me à ténue satisfação de ouvir um sinal de chamada seguido de muitos outros.
Estou deitada a olhar pela janela à espera que ou a sorte ou a morte cheguem. À espera de qualquer coisa que apague esta apatia que me come viva, este entorpecimento melancólico que eu quero arrancar do meu peito com as minhas próprias mãos.
Isto nem é tédio, porque nem isso eu sinto. Não é inveja, não é revolta, não é tristeza nem ciúme. É a falta disso tudo. É o olhar pela janela aberta para ver que um simples lençol ao vento tem mais vida do que eu. Eu estou só a ver a vida passar sem mim.
Estou deitada à espera que a ajuda caia do céu, como um milagre, como algo que apesar de tudo eu gostaria

*

Petrificada, com os olhos fixos no céu azul, com o telefone a escorregar da minha mão eu jazo no chão duro. Com o corpo frio e com o coração já muito farto de bater.
Mas ainda tive tempo para ouvir algo, ainda houve espaço para sentir:
-"JOANA!! JOANA, O QUE FOSTE FAZER?!" - a tua voz soou como uma alma do outro mundo completamente despedaçada. Pegaste na caixa vazia e entreaberta dos comprimidos e começaste a chorar.
Choraste pelo que não soubeste ver, choraste pelo que não soubeste dizer na altura certa.
Eu ainda consegui derramar uma lágrima límpida e dizer em voz quase inaudível:
-"É tarde de mais....acabou para mim."
Viste que ainda estava a respirar, mas por muito pouco. Agarraste-me com toda a tua força e pegaste no telefone. Quando o encostaste ao ouvido para pedir ajuda pudeste ouvir uma voz dizer:
"-Bem - vindo ao voice mail, deixe mensagem após o sinal..."
Olhaste para mim e choraste ainda com mais fervor ao ver a vida desaparecer de mim, lentamente no final mais trágico que alguém poderia prever.
Choraste pelo que podias ter feito, choraste porque se tivesses tido esse pequeno gesto de atender o telefone, podias ter salvo uma vida. A minha vida.
(bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip bip)

«Where were you?»

23 junho, 2010

Gravidade


«Aquele que voa tem de poisar nalgum lugar:isso é partir e não voltar»

Voa pássaro, voa! Voa como nunca voaste, voa como nunca sonhaste voar!
Sem olhar para trás, sem pensar no passado, simplesmente voa!
Para que hás de ficar? Para sentir a tua pequena alma cravada com mágoa e o teu pequeno coração cheio de veneno? Para sentir as tuas lágrimas doces a empurrar-te ainda mais contra o chão?
Não....! Não fiques, vai simplesmente.
Sente a leveza do ar que te transporta, sente o alívio que te rodeia depois da tenebrosa tempestade. Não penses mais no que passou, pensa no que ainda se vai passar.
Paira no tempo, devagar. Não tens para onde ir, nem sabes para onde queres ir, mas no fundo sentes que só precisavas de sair de lá para poderes ser livre, para poderes viver.
Porque é que teve de ser assim? Afinal o que fizeste para merecer essa vida enjaulado, encurralado por grades gigantes de aço gelado?
És inocente, és ingénuo, não conheces a maldade do mundo, ainda. Não conheces nada da realidade que te rodeia mas já sabes que pelo menos esta deve ser muito melhor à vida que estás habituado, não é assim?
Oh meu querido pássaro, quem me dera poder ajudar-te! Quem me dera poder acolher-te na minha humilde casa que é quente e fazer-te sentir seguro e feliz!
Não demores a arranjar um sítio onde pertenças, por favor. Não demores a aterrar em segurança num local onde possas ser tu próprio, onde não tenhas essas algemas frias a cortar-te os movimentos e a prender-te as asas. Deixa-te ser assim, sozinho por uns tempos. Deixa-te ser assim sem ninguém que te faça doer o músculo mais emocional do teu pequeno corpo. Deixa-te ser....simplesmente.
Foge, enquanto podes. Foge daqui para fora enquanto estas paredes ainda não ruíram com o ódio, com a revolta, com o rancor. Foge enquanto este chão ainda não foi inundado pelas fendas de desconfiança, tristeza e desilusão. Bate as asas e levanta voo, sem nada a temer. Sem sentir a gravidade que te impele para cima, e não para baixo. Que te incita a voar mais rápido para esqueceres aquilo que foi a tua vida, até agora. Se isso bastasse...
Depois de te afastares o suficiente, aterra, e nunca mais voltes para aquele sítio. Imploro-te. Corta as amarras que eu nunca soube cortar e voa, para bem longe!