19 julho, 2010

Tinta Permanente


Têm um muro em branco à vossa frente. Uma tela por colorir, um coração por manchar.
E podem escolher...Entre giz e um marcador.
Vão preenchendo o espaço à vossa vontade,
Alguns centímetros com giz de várias cores,
Outras partes com marcadores, mas ainda vos sobra sítio para colocar quem é importante.
O que é importante.
Estão indecisos, o que vão usar? Algo que se apaga facilmente ou algo que é mais permanente?
Lembram-se do vosso passado, de como já se coloriram um dia.
Tanto para o bom como para o mau.
Um dia já estenderam um pedaço de giz a alguém especial, dando-lhe a oportunidade de desaparecer da vossa parede.
Já estenderam marcadores de tinta permanente a pessoas que afinal não foram eternas, que já se dissolveram do vosso muro.
Como saber escolher o certo?
Podemos voltar a dar o marcador a alguém que nos marca e depois essa mesma pessoa apaga-se lentamente de vocês, deixando uma queimadura eterna.
Têm de saber se querem construir um mural que vos representa durante a vossa construção, não apagando mesmo as partes desfocadas de vocês, ou se querem jogar sempre pelo seguro, estendendo sempre um giz, não conseguindo confiar em ninguém o suficiente para passar a algo a longo prazo.
Têm de decidir quem querem ser, a pessoa que consegue seguir em frente com o seu passado presente, mas arrumado, como um núcleo quente que vos transmite paz e felicidade ou alguém amargurado que fecha as paredes à sua volta, não deixando quase ninguém entrar, e que quando entram, são brindados com algo efémero, fácil de apagar da memória e da tinta...
Como vai ser afinal? Escolhem o giz, ou a tinta permanente?

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