12 julho, 2010

Inside Out - I

Vejo a capital a afastar-se lentamente para dar espaço aos meus pensamentos mais longínquos e livres que só uma viagem permite.
Odeio despedidas, sempre odiei. Sinto que são para sempre e deixam-me triste e melancólica por isso tento encurtá-las o máximo que posso e tento fazer-me logo à estrada.
De que é que preciso mais? Tenho a minha música comigo, tenho alegria dentro de mim, tenho paz e tenho liberdade. Que mais posso pedir? Já é mais do que muitos têm...
Sinto que esta jornada vai trazer muitas surpresas, muitas experiências e sensações, novas descobertas e novos conhecimentos. Sinto-me expectante como se soubesse que algo grandioso vai acontecer em breve e como se estivesse já sentada para assistir ao decorrer da peça.
Limitar-me-ei a ver simplesmente? Será que consigo cingir-me a ser espectadora? Penso que não, penso que isso seria um papel ingrato, penso que isso é algo que nunca conseguirei fazer.
A paisagem que vejo através desta vidraça límpida e grande vai mudando com o passar do tempo. Passa de urbana a rural quase sem dar por isso e agora é que dou realmente valor à beleza da paisagem natural, ao que não foi esculpido pelo Homem mas sim pela Natureza.
Passo por gado, prados, árvores sem perder de vista. Passo por pessoas desgastadas pelo tempo, passo por edifícios inacabados que um dia poderiam ter sido algo importante e por vales e montes que só me fazem querer perder-me lá.
Passado aproximadamente três horas e meia (tempo que demorei a perder-me) cheguei ao meu refúgio, ao meu mundo separado do outro resto de mundo. Cheguei ao meu destino e não perdi tempo a começar a explorá-lo como já há muito não fazia.
Olá Fundo do Lugar, cheguei por fim a casa!

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Em primeiro lugar dizer que: voltaste a casa em termos escritos. Sem dúvida, é um facto, é uma certeza. A tua prosa sentia-se perdida? Penso que está encontrada. A tua descrição, a tua escolha de palavras certas para os lugares certos. E claro, amei. Nem podia dizer outra coisa. Gostei sobretudo do sentimento presente. Desde o mais "triste" até ao reconforto de enfim chegar ao sitio pretendido. E pelo menos eu sinto de forma parecida o que sentiste, apesar de sermos diferentes. Mas a tua escrita é acolhedora e faz sentir em mim um calor menos habitual...No fundo consegues causar no leitor algo mui similar ao que sentiste, o que só por si só, faz de ti uma grande escritora.
Às vezes uma espiral deixa de subir, de rodar, de nos puxar para dentro e para fora...Deixa apenas de se sentir dentro de nós. Temos duas saídas: ou esperar que venha outra ou criar outra. Tu preferiste esperar. Mas podes criar espirais quando quiseres, sempre que quiseres.
E agora, vamos aquela parte em que copio as tuas frases com o intuito de as valorizar ainda mais, a sentir:
"Sinto que são para sempre e deixam-me triste e melancólica por isso tento encurtá-las o máximo que posso e tento fazer-me logo à estrada."
"...Que mais posso pedir? Já é mais do que muitos têm..."
"Será que consigo cingir-me a ser espectadora? Penso que não, penso que isso seria um papel ingrato, penso que isso é algo que nunca conseguirei fazer."
"...dou realmente valor à beleza da paisagem natural, ao que não foi esculpido pelo Homem mas sim pela Natureza.
Passo por gado, prados, árvores sem perder de vista. Passo por pessoas desgastadas pelo tempo, passo por edifícios inacabados que um dia poderiam ter sido algo importante e por vales e montes que só me fazem querer perder-me lá."