23 junho, 2010

Gravidade


«Aquele que voa tem de poisar nalgum lugar:isso é partir e não voltar»

Voa pássaro, voa! Voa como nunca voaste, voa como nunca sonhaste voar!
Sem olhar para trás, sem pensar no passado, simplesmente voa!
Para que hás de ficar? Para sentir a tua pequena alma cravada com mágoa e o teu pequeno coração cheio de veneno? Para sentir as tuas lágrimas doces a empurrar-te ainda mais contra o chão?
Não....! Não fiques, vai simplesmente.
Sente a leveza do ar que te transporta, sente o alívio que te rodeia depois da tenebrosa tempestade. Não penses mais no que passou, pensa no que ainda se vai passar.
Paira no tempo, devagar. Não tens para onde ir, nem sabes para onde queres ir, mas no fundo sentes que só precisavas de sair de lá para poderes ser livre, para poderes viver.
Porque é que teve de ser assim? Afinal o que fizeste para merecer essa vida enjaulado, encurralado por grades gigantes de aço gelado?
És inocente, és ingénuo, não conheces a maldade do mundo, ainda. Não conheces nada da realidade que te rodeia mas já sabes que pelo menos esta deve ser muito melhor à vida que estás habituado, não é assim?
Oh meu querido pássaro, quem me dera poder ajudar-te! Quem me dera poder acolher-te na minha humilde casa que é quente e fazer-te sentir seguro e feliz!
Não demores a arranjar um sítio onde pertenças, por favor. Não demores a aterrar em segurança num local onde possas ser tu próprio, onde não tenhas essas algemas frias a cortar-te os movimentos e a prender-te as asas. Deixa-te ser assim, sozinho por uns tempos. Deixa-te ser assim sem ninguém que te faça doer o músculo mais emocional do teu pequeno corpo. Deixa-te ser....simplesmente.
Foge, enquanto podes. Foge daqui para fora enquanto estas paredes ainda não ruíram com o ódio, com a revolta, com o rancor. Foge enquanto este chão ainda não foi inundado pelas fendas de desconfiança, tristeza e desilusão. Bate as asas e levanta voo, sem nada a temer. Sem sentir a gravidade que te impele para cima, e não para baixo. Que te incita a voar mais rápido para esqueceres aquilo que foi a tua vida, até agora. Se isso bastasse...
Depois de te afastares o suficiente, aterra, e nunca mais voltes para aquele sítio. Imploro-te. Corta as amarras que eu nunca soube cortar e voa, para bem longe!

3 comentários:

Anónimo disse...

Grande texto prima *.*
Também quero escrever como voces :/

BEijinho bom

Anónimo disse...

assinado primo joão da brandoa :D

Rittinha disse...

tão lindo *.*
Joana quando te sentires presa... VOA :D
love you @