09 junho, 2010

Ao Sabor do Vento

«If I could tear you from the ceilling, I'd freeze us both in time»

«How long do you go to be gone, you are anyway the wind blows in»



Por onde hei de começar? Pela parte onde a culpa é minha?
Talvez por aquela onde sou responsável por tudo. Talvez.
Mas abri a janela, vi o céu de um tom cinzento palpável e senti a chuva penetrar-me.
Ando impenetrável ultimamente e já estou farta. Farta deste vazio que ora me preenche com alegria, ora me deita ao chão como um tsunami de mágoa.
Nem consegui escrever frases que soubessem bem no papel; nem consegui ver as imagens e palavras que surgem antes do texto. Nem consegui chorar e se me ri, foi para não derramar lágrimas de chumbo que me enterrariam no solo.
E se fechasse os olhos, estaria a repetir-me? Estaria a adiar, a esconder-me, a evitar-te? Talvez... Estaria a passar-me por cega. Por aquela que não quer ver.
Não posso dizer-te a verdade, mas pelo menos não te minto sobre isso. Minto sobre outra coisa qualquer. Sobre o cheiro a terra e a chuva que paira no ar; sobre a sensação de ouvir o riso daquelas pessoas, que me parece música; sobre a maneira como os sonhos estão a diminuir em mim.
O cinismo reina. Agora já não é a raiva que me governa, já não é a revolta que me move. É a falta de mim, a incapacidade de me confrontar com essa verdade.
Eu não quero ser assim. Eu quero procurar por mim em cada canto e esquina para deixar de ser uma estranha que encontro todos os dias.
As palavras morrem, acções são feitas e decisões são tomadas sem o meu consentimento verdadeiro.
Sinto-me impotente, trancada neste monstro de apatia, de inveja, de sarcasmo e ironia. Onde fui parar?

Paro para pensar se é assim que sou feliz. Com água suja e imunda a cair do céu. É assim? Às vezes nem me compreendo. Pergunto-me se alguém compreenderá.
Tu estás em todo o lado... Em cada sopro do vento e eu, só desejo ir contigo
para
me



encontrar.

1 comentário:

Rittinha disse...

lindo , para variar um pouco :P
loveee youuu @
Lembra.te da nossa juuura =P