28 dezembro, 2009

Metros Quadrados

Palavras. Que disseste. Que devias ter dito.
Palavras que não significam nada.
Que mudam com a distância e que se perdem no tempo.
Elas não provam nada. Não trazem nada real.
Talvez só a comunicação. Mas é um meio falso, enganador. Dissimulado.
Quanto tempo dura a palavra amo-te?
E para sempre? Pode ser tão efémuro...
Ouço os teus passos. Ecoam no meu passado e no meu presente. Futuro não sei.
Sei apenas que nada é garantido. Nada é provável. Nada é certo.
Vejo o brilho do sol através deste vidro, janela transparente. É como a minha alma.
Deixa passar a luz e a felicidade.
Ouço os meus passos a ecoar no teu futuro.
Este apartamento está vazio e poeirento. Não há nada aqui.
Só o sol que inunda todas as divisões até já não haver penubra aqui. E em mim.
Se te atirar uma corda, sobes até cá a cima?
Vá, trepa lá. Faz esse esforço.
Mão, mão, pé, pé, mão, pé. Um atrás do outro, um atrás do outro, atrás do outro...
E tentas, tentas, tentas. Puxão atrás de puxão, avanças mas não consegues sair do sítio.
Não consegues alcançar este lugar. Não me consegues alcançar. O teu futuro.
E que importa o passado ou o presente?
Tudo o que me interessa está cingido nestas paredes. Nestes metros quadrados.
Alcança-nos! Engana o tempo e o espaço.
Sobe até aqui e sente o sol a bater-te na cara, comigo.
Eu vejo a tua luta, aqui de cima, mas assim que aqui chegares, tudo vai ser melhor.
Eu estou aqui. E o que passou, acabou. Ficou para trás.
O que se passa agora, vai passar. E tudo o que sobra sou eu, somos nós. O futuro.

21 dezembro, 2009

Falsa Sensação

A falsa sensação de equilíbrio. De segurança.
Os mecanismos da humanidade para que se sintam capazes de viver a vida.
Para que não se afoguem no medo e na dúvida.
A falsa sensação de liberdade. De felicidade.
Desde que penses que tens o controlo do que te acontece, tudo está bem.
Ah! A falsa ilusão de controlo.
Controlo esse que não depende de ti, nem de mim. Controlo que não está nas nossas mãos.
Acreditas que és tu que crias a tua própria sorte. És tu que fazes a tua sina.
Estás cego com o teu falso poder. Pensas que possuis o controlo, o teu controlo.
A falsa sensação de iluminação. De inteligência. De objectivos.
Ao mesmo tempo que todos se esforçam por ter mais, eu tento ter cada vez menos.
Esforço-me por perder o que tenho, para que um dia, não tenha nada a perder.
Esforço-me para possuir cada vez menos coisas, porque essas vão acabar por me possuir.
Enquanto que todos se prendem ao caminho que vos fizeram escolher, eu sigo um muito diferente do vosso.
Eu, largo o volante e deixo que o medo se perca. Deixo o meu ser à deriva e vejo até onde é que ele me leva.
A ilusão de amizade. De amor.
Vocês esforçam-se uma vida inteira, em busca de algo que no fundo, não irão nunca receber.
Esforçam-se para alcançar metas que estabeleceram, metas que não fazem sentido. Que nunca serão acabadas. Metas ilógicas.
E eu, tento a todo o momento fazer aquilo que ninguém previa. Faço o inimaginável. Algo que nunca farão.
Enfrento o desconhecido, a noite escura.
E sei que a vidaé feita de riscos que temos de cometer.
Podem dizer que já conhecem tudo isto, mas eu sei a verdade.
Falsa sensação de saber. Falsa sensação de pensar.

20 dezembro, 2009

Espera (parte III)

Até que enfim.
Chegaste por fim. Mas não fizeste tudo sozinho.
Eu encontrei-te a meio caminho.
Ajudei-te no que tinhas de fazer.
Mais uma vez, eu encarreguei-me da tua tarefa, mas não me importo.
Estou feliz. A mágoa e a dúvida acabaram.
A tristeza foi embora, finalmente.
Sei que fizeste um pequeno esforço, reconheço que sim.
Obrigada. Percebo que foi melhor do que nada.
Estou-te muito agradecida por teres vindo, por teres ouvido o meu pedido.
Obrigada. A espera acabou.

12 dezembro, 2009

Espera (parte II)

Olho para o vazio e tento recordar a última vez que nos falámos.
Parece que foi à mil anos, quando na verdade o ponteiro quase não se moveu.
Entra por essa porta, agora. Vá lá!
Pede desculpa, admite a tua culpa, nem que seja só desta vez.
Abraça-me só, se for preciso, olha só para mim e sorri.
Entra por essa porta, agora. Estou-te a pedir.
Estou a implorar que acabes com o meu sofrimento. Faz só esse esforço.
Não te custa ver-me assim? Onde está todo o teu amor, a tua compaixão? Onde estão?
Não vês que o meu coração está desfeito?
Entra por essa porta, agora. Por favor.
Faz qualquer coisa. Nem que seja olhar para mim.
Tu podes mudar tudo, é só quereres.
Eu estou aqui, e nunca irei embora.
Estou à tua espera, lembras-te?
Vá lá, até as minhas lágrimas já esgotaram porque o tempo vai passando.
E não volta atrás, infelizmente.
Entra por essa porta agora. Peço-te.
Entra e muda a minha vida.


To Be Continued...

11 dezembro, 2009

Espera (parte I)

Ainda te lembras? Estou aqui.
Estou e não irei embora até voltares para me levar.
Ainda te lembras?
Estou aqui ao frio, no meio do vendaval.
O vento atravessa-me por todos os lados e eu estou aqui sozinha, em cima desta rocha a olhar para o mar e a sentir os salpicos das ondas que me molham.
Olho e vejo o céu carregado de nuvens, carregado como o meu coração.
Ainda aqui estou. E por muito que me custe às vezes, não vou embora. Nunca.
Ainda te lembras? Eu estou aqui!
Entro dentro de casa. Sento-me a tremer de frio. Sento-me à espera.
À tua espera. Para me vires limpar as lágrimas que caem sem controlo.
Ainda te lembras? Eu, estou aqui...


To Be Continued...

07 dezembro, 2009

Dúvida

As imagens ficam. As sensações vêm. Palavras, não tanto.

Tal ironia do destino assombra-me.

Um dia tão vivo e radioso, dia que podia ser feliz, foi o dia que representou o teu fim.

Ele começou muito antes, mas foi aí que tudo foi enterrado. Tu foste enterrado.

E embora não recorde tudo, recordo qualquer coisa. Algo que podia ter sido maravilhoso.

Mas o destino não o permitiu, não nos deixou acabar o que já estava começado.

E vi a dor em todo o lado. Multidão a prestar-te homenagem. Angústia, desespero.

Nunca pensei vê-la assim. E pensei que ela não ia sobreviver a isso.


Passada toda a mágoa pelo meio, que foi muita, também fiquei sem ti.

E desta vez, não teve mesmo sentido.

Deixaste devastação e dor, essa constante dor, dor profunda marcada nos que mais amavas.

Isto foi o que causaste com a tua partida.

Deixaste-nos com a pergunta, essa horrível pergunta que embarca culpa, tristeza e sofrimento.

A pergunta que paira no ar e no tempo. Aquela a que nunca teremos resposta.

Esse horrível porquê. O porquê…

Durante quase meio-dia vivi feliz num mundo onde pensava que existias. E 24 horas depois,

Tive de viver na certeza de que me tinhas deixado. Fiquei perplexa, parada no tempo, presa

Entre o passado e o presente que parecia irreal.

Como viver num mundo sem ti? Como continuar a minha rotina, sem ti, em todos os lados onde

Eras precisa? Como encarar o lugar vazio da última fila? Vazio de toda a vida que havia, vazio

De ti.

E ela, destroçada, todos eles, a fazerem a mesma pergunta insistente. Porquê?

Acho que nunca vi tanta dor como vi nela. Parecia prestes a desfazer-se e tu não estavas lá

Para apanhar os pedaços! Porquê?


Vocês todos. Uma capa que não mostra quase nada; que mostra muito pouco. Uma capa que

Engana. Mas afinal já todos estiveram lá, nesse lugar a perguntar porquê.

Já todos sofreram muito sem esperarem, sem contarem com isso.

E eu, apenas pergunto, porquê?

24 novembro, 2009

Aparências

Nem tudo é o que parece.
Tu que és tão comum em plena luz do dia, transformas-te no monstro que ambos sabemos que és.
Dentro das quatro paredes que te protegem, entregas-te aos teus vícios mais profundos, segredos ocultos.
Entregas-te ao prazer delicioso da carne. Carne da tua própria carne, sangue do teu sangue.
Mas não é condenável se ninguém souber, não é?
Roubas, traficas. É pelo bem da sobrevivência, não é? Pelo menos da tua...
Tu fazes o que for preciso para por comida na mesa. Vá, silencia a tua presa.
Ela era uma esposa, filha, mãe e avó adorada. Próximo crime!
Engana, mente. Desvia, desfalca. Menos uns milhões, que diferença faz?
Já está tudo tão mal de qualquer maneira, ao menos tu tens dinheiro a encher-te os bolsos que foram feitos por crianças desnutridas que provavelmente já morrerram.
E o padre? Que deu missa hoje na igreja da paróquia. Que ouviu confissões, que rezou Avé Marias.
Que chamou pelo nome do senhor!
Agora também o faz, dentro do seu quarto, enquanto comete o seu pecado favorito: LUXÚRIA.
Quem paga? Esse pobre adolescente que tem demasiado medo de denunciar o santo padre.
Nem tudo é o que parece. E as aparências iludem.
Passem por qualquer rua, por qualquer cidade.
Em cada esquina, em cada casa, há sempre o mal ao qual se entregam.
Temos a ganância, hipócrisia, o adultério, pedófiia, tráfico, morte, roubo, mentira, luxúria, inveja, gula, corrupção, entre tantas, tantas outras!
Em cada casa, em cada esquina, deixam cair a máscara, quando estão em segurança.
Mostram ao mundo quem realmente são.
Vocês precisam de observar o caos, o pecado, o mal.
Precisam de ver as coisas, as pessoas, a civilização morrer.
Não finjam, sabem que é a verdade.
A tragédia é a vossa felicidade, a miséria o vosso deleite.
O mar onde se banham, eternamente.
Avisem os políticos, a igreja, os ladrões, os assassinos...
Nem tudo é, o que parece.