Palavras. Que disseste. Que devias ter dito.
Palavras que não significam nada.
Que mudam com a distância e que se perdem no tempo.
Elas não provam nada. Não trazem nada real.
Talvez só a comunicação. Mas é um meio falso, enganador. Dissimulado.
Quanto tempo dura a palavra amo-te?
E para sempre? Pode ser tão efémuro...
Ouço os teus passos. Ecoam no meu passado e no meu presente. Futuro não sei.
Sei apenas que nada é garantido. Nada é provável. Nada é certo.
Vejo o brilho do sol através deste vidro, janela transparente. É como a minha alma.
Deixa passar a luz e a felicidade.
Ouço os meus passos a ecoar no teu futuro.
Este apartamento está vazio e poeirento. Não há nada aqui.
Só o sol que inunda todas as divisões até já não haver penubra aqui. E em mim.
Se te atirar uma corda, sobes até cá a cima?
Vá, trepa lá. Faz esse esforço.
Mão, mão, pé, pé, mão, pé. Um atrás do outro, um atrás do outro, atrás do outro...
E tentas, tentas, tentas. Puxão atrás de puxão, avanças mas não consegues sair do sítio.
Não consegues alcançar este lugar. Não me consegues alcançar. O teu futuro.
E que importa o passado ou o presente?
Tudo o que me interessa está cingido nestas paredes. Nestes metros quadrados.
Alcança-nos! Engana o tempo e o espaço.
Sobe até aqui e sente o sol a bater-te na cara, comigo.
Eu vejo a tua luta, aqui de cima, mas assim que aqui chegares, tudo vai ser melhor.
Eu estou aqui. E o que passou, acabou. Ficou para trás.
O que se passa agora, vai passar. E tudo o que sobra sou eu, somos nós. O futuro.
Sem comentários:
Enviar um comentário