07 dezembro, 2009

Dúvida

As imagens ficam. As sensações vêm. Palavras, não tanto.

Tal ironia do destino assombra-me.

Um dia tão vivo e radioso, dia que podia ser feliz, foi o dia que representou o teu fim.

Ele começou muito antes, mas foi aí que tudo foi enterrado. Tu foste enterrado.

E embora não recorde tudo, recordo qualquer coisa. Algo que podia ter sido maravilhoso.

Mas o destino não o permitiu, não nos deixou acabar o que já estava começado.

E vi a dor em todo o lado. Multidão a prestar-te homenagem. Angústia, desespero.

Nunca pensei vê-la assim. E pensei que ela não ia sobreviver a isso.


Passada toda a mágoa pelo meio, que foi muita, também fiquei sem ti.

E desta vez, não teve mesmo sentido.

Deixaste devastação e dor, essa constante dor, dor profunda marcada nos que mais amavas.

Isto foi o que causaste com a tua partida.

Deixaste-nos com a pergunta, essa horrível pergunta que embarca culpa, tristeza e sofrimento.

A pergunta que paira no ar e no tempo. Aquela a que nunca teremos resposta.

Esse horrível porquê. O porquê…

Durante quase meio-dia vivi feliz num mundo onde pensava que existias. E 24 horas depois,

Tive de viver na certeza de que me tinhas deixado. Fiquei perplexa, parada no tempo, presa

Entre o passado e o presente que parecia irreal.

Como viver num mundo sem ti? Como continuar a minha rotina, sem ti, em todos os lados onde

Eras precisa? Como encarar o lugar vazio da última fila? Vazio de toda a vida que havia, vazio

De ti.

E ela, destroçada, todos eles, a fazerem a mesma pergunta insistente. Porquê?

Acho que nunca vi tanta dor como vi nela. Parecia prestes a desfazer-se e tu não estavas lá

Para apanhar os pedaços! Porquê?


Vocês todos. Uma capa que não mostra quase nada; que mostra muito pouco. Uma capa que

Engana. Mas afinal já todos estiveram lá, nesse lugar a perguntar porquê.

Já todos sofreram muito sem esperarem, sem contarem com isso.

E eu, apenas pergunto, porquê?

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Gostei da harmonia das três partes.
Mais tocado pela primeira, por razões familiares. Mas não deixado de ter tocado pelas outras.
Nem tudo é o que parece, como num museu de cera (para a terceira parte).
E essa pergunta, a é main question do ser humano.
Excelente texto.

Lateralus, és tu.
Beijo