17 junho, 2013

Picture of Us

«It was rare, I was there, I remember it, all too well..»


I remember it. I remember it as if months hadn't passed by, as if distance hadn't separated us.
For once, I was truly and utterly happy, adrift in pure joy of waking up, because that would bring me your face again. I did not have to hide out in day dreams - or night ones.
Treasuring every single moment like the rarest gem, I look back and realize those times are forever untouched, always to be thought of as heaven on my very earth.
If I close my eyes, I open them to see you looking at me, then; so peaceful, staring into the depths of my eyes, so openly, so purely, so freely and honestly that I could feel - no - I could see the love. I could sense the warmth of your love for me, through those heart-melting, heart-breakingly sweet honeyed blue eyes.
Right then, in those silent, still minutes, I knew. I knew we had each other, no matter what happened or what would come along. We were there, in one another and that was the only thing that counted. You were everything.
I got lost in you, diving into your core with every strength in me. It was the only thing I wanted. It still is...
My mind is a busy place, always filled with many ideas of what was, of what is and of what it will be. Sort of an unreal living, always torn between what I should want and what I actually do. But you are always my choice, it's always you. It has always been you.
And then I see this picture of us, so hopeful, so glad to have each second possible and available, desperatly trying to hold on to the past days, to what was left. Trying to hold on to each other, for we knew life would win the battle. But not the war.
I see this picture of us and I can't help to smile, to feel a sudden wave of memories wash over me like cleansing water. Flashbacks of those impossibly perfect moments fill me with chills and I know that what we have is special. That what we had was something uncommon, something incredibly rare. One of a kind.
And I know, in those moments, you were really happy. I was happy. We were happy, we existed. We are ever lasting...

01 junho, 2013

26 maio, 2013

Setting Forth

"So here's my hope, my tired soul...And here's my ticket, I want to go, home"


Com cada passo, a distância encurta. Com cada passada, mais confiança.
Caminho debaixo deste sol escaldante, já tão usual. Espero que o toque que deixa na minha pele perdure. Que deixe a sua marca em mim, para um dia recordar esta sensação confortante de sentir o corpo invadido de luz, do que é quente.
A brisa traz o som consigo, traz a leveza do que é novo, a seriedade do que já aqui há muito habita - ela brinca comigo. Traz o pó que paira no ar, este pó que é diferente de qualquer outro. Ele representa a vida testemunhada, a vida árdua de muita gente. A minha gente. Os sacrifícios cravados na alma, algo que nunca ninguém poderá devolver-lhes - uma lição demasiado bem aprendida, não pode ser esquecida; o que foi visto, não pode ser apagado.
Caminho no deserto, há quarenta dias e quarenta noites. Esta areia ardente debaixo dos meus pés fá-los estalar, as solas já sofridas. Nem sei onde comecei, nem sei quando. Limitei-me a andar, primeiro em frente, depois já sem saber por onde ia. Tudo o que vejo é precioso, tornou-se miragem, símbolo do que encontro por aqui, mesmo que já o tenha visto infinitamente. O tempo está preso, engarrafado num âmbar solar e sinto que nada se mexe, nada se transforma. Está tudo na mesma, como sempre acontece - nunca nada muda por aqui. Sou peregrina, na minha própria terra.
Torno-me pequena, porque consigo vislumbrar a viagem e em comparação eu não sou nada. Sou simplesmente estas pernas que se movem, uma atrás da outra. O coração move a vontade, a vontade move o corpo e eu tomo decisão nenhuma. Vou onde eles me levarem também. Pelo caminho, vou encontrando estes sítios onde deus não pára, onde a morte espreita porque a vida desistiu de aqui ficar. O solo é árido, mas já ninguém o pisa; a atmosfera é dolorosamente seca, porque os que ainda se atrevem a respirar são tão escassos...
Contemplo aquela hipótese tentadora, inocente, simples. Aquela contra a qual luto sempre, aquela que me assusta. A mais fácil. Será assim tão horrível? Será assim tão mau abraçar as raízes, aceitar o que sou? De onde sou? Entretenho-me com a possibilidade durante alguns momentos: no fundo do meu coração, há sempre um palpitar que não consegue negar a verdade. Que irá sempre sentir a chama, a pertença. Haverá sempre um local a que chamo casa.
Caminho pelo deserto, há quarenta dias e quarenta noites. Debaixo do sol escaldante, eu contra a brisa que arrasta o bom e o mau, o que eu aceito e o que eu poderia aprender a aceitar. Debaixo de mim, os meus pés descalços a lutar contra a areia ardente, relembrando-me da dor que todos temos de superar.
Hoje não falo em ir... Hoje, falo em ficar.

25 maio, 2013

Remain Nameless

After the war. After the fear. After death.
They all stand and rise. They fall and rise again.
These people are long gone, but they are still here.
They remain, timeless. They remain, nameless?
They were once very much alive.
Walking the streets of the world, everywhere.
Witnesses to everything, they suffered. And laughed, I hope.
Only to more chaos, more obliterating rage.
What they called home, shattered to pieces.
Beauty, vanished. Life, destroyed. Dreams, crushed.
But not forever. The golden days would return.
I see them and they are alive. They are alive to me.
It is like nothing ever changed. Time stopped.
They didn't - couldn't - know what the years would bring.
How precious the knowledge of daily affairs would become.
Face upon face, building after building, I see it all.
The majestic river, the tower, the arch. They still live.
And they will never be forgotten in oblivion again.



London, 1927

08 maio, 2013

04 maio, 2013

Mundos Mudos

É espantosa esta habilidade de não esquecer, de não conseguir impedir que os pensamentos surjam. Capacidade de não me perdoar por cada hesitação, por cada momento em branco. Por cada não-gesto.
Há sempre barulho à minha volta porque mais uma vez o vazio traz o insuportável - o silêncio não me deixa continuar em paz. Instintivamente, tento evitar esse remoinho onde vivo numa calma sombria, tão incomum. Onde estou parada e em constante movimento, entre o mundo imaginário e o ultrapassado...
É estranho como carrego sempre esta espécie de luz (bênção maldita) comigo, para todo o lado, em todos os momentos; ao dormir, ao acordar, ao respirar, durmo acordada nesta outra dimensão paralela de onde não quero ou posso sair (transe). Talvez parte dela me mantenha sã, talvez me faça desvanecer cada vez mais. Mas penso que me mantém à tona.
Bizarra é esta sensação enormemente avassaladora de saudade, de que algo falta, de que se fechar os olhos por um segundo, me vou deixar ir (basta isso). De que me os meus sentidos me falam, de que a minha mente sussurra. De que o meu coração grita.
Tudo o que é quotidiano, o bom, o mau, o importante, o que é inútil...sentimos sempre uma esmagadora e triste necessidade de partilhar. De querer dizer-lhes que algo mudou, que ainda aqui estamos, no mesmo sítio, ainda à espera.
Então fazemo-lo mentalmente, secretamente. Para nós. Contamos-lhes o que aconteceu, o que queríamos que tivesse acontecido; o que sonhámos, o que ousámos desejar. O que fizemos, o que conseguimos alcançar. E habituamo-nos a essa mágoa serena e incontrolada. Convencemo-nos de que esta é a nossa vida. Já não vivemos sem ela.
Talvez um dia lhes digamos...Talvez nunca o faremos...Quem sabe.

20 abril, 2013

After the rain

Não sei o que é isto de vida.
Percebi que passo metade do tempo a querer estar onde não estou. Sempre foi assim, desde que há memória. Passo a outra metade a desejar a presença de quem nunca está aqui. Estou fadada a querer o que não tenho...Talvez venha a ter.
É possível que já seja um mau hábito, um vício ligeiramente tóxico de querer fazer o que não faço, ser como não sou, parecer como não pareço. Agarro-me às palavras em pensamento, em ideias, como se fossem a própria vida (e o que será isso?), como se fossem tudo o que interessa. Mesmo que fiquem por dizer, por pôr escrito, gravadas de qualquer simples maneira, não tem importância - eu pensei-as, elas estiveram comigo e eu deixo-as ir.
Porquê? Por que será que ultimamente as deixo ir sempre? Não tento forçá-las, não procuro aprisioná-las contra a sua vontade; mesmo as mais corajosas, as mais ambiciosas que me procuram e vêm ter comigo, eu olho-as com um misto de alegria melancólica e tristeza. Abro-lhes a janela e vejo-as flutuar para longe com a brisa.
Pensei que esta fase tivesse chegado ao fim, que neste momento a beleza de as saber momentaneamente era suficiente para continuar. Que não precisava de passar para o papel as que me visitam ainda, réstias de esperança final e quase perdida. Mas aqui estou, à procura de algo, uma vez mais. Sem saber bem se o que já encontrei chega, se o que quero mesmo são os desejos traçados, o que está por imaginar num esboço inacabado.
E fico assim, no mesmo sítio onde estava quando embarquei na viagem que me disse absolutamente nada: não quero estar aqui, com isto na minha mente e com um peso no coração. Não quero ser assim desta maneira, quero o que não posso ter. Quero sempre algo que me deixaria porventura menos insatisfeita, por algum tempo.
Quero o que não chega e tarda em chegar...