15 agosto, 2011

Diary of a mad

«Dear diary, I'm here to stay...»,

Este calor levou-me à exaustão e esta solidão duradoura levou-me à loucura.
Nestas páginas secretas e escondidas do mundo eu desabo e volto a nascer. Eu morro, só para viver outra vez.
A esta hora tardia do que será em breve um novo dia, eu sonho acordada e percebo que a vida não é mais do que esta ilusão que nos ensinam. Eles fazem-nos acreditar.
Estou no escuro, na insanidade, totalmente sozinha. Totalmente adormecida.
Já escapei quando pude à prisão que me mantinha controlada. Que mantinha os meus pés assentes na terra e a minha cabeça perdida nas nuvens.
Estou mais lúcida que nunca, febril nesta certeza de que nestas simples páginas deste diário, alguém acreditará em mim. Alguém poderá corroborar a minha sanidade. Eu sei que a tenho. Tenho-a.
E as vozes? Elas dizem-me que não estou louca; as figuras à minha volta dizem que não estou doente. Talvez demasiado sóbria, atenta.
A realidade nunca me foi tão nítida, nunca esteve tão próxima... Mas preciso de ser ouvida, preciso de crença; preciso da fé de alguém.
Os anjos cantam lá bem no alto, no topo do mundo e eu continuo a sentir que ninguém me vê.
Eu grito a plenos pulmões e vocês só pensam que já não tenho cura possível, que estou para além da ajuda humana. Dizem-me que o que sobra é a compaixão divina...
Rio-me bem alto (nem sei porquê); a ligação à vida há muito que deixou de fazer sentido. Nunca a compreendi, porque durante todo o tempo em que aqui estive, senti que ninguém me percebia. Que ninguém via o mundo da mesma maneira distorcida. Que ironia é essa? Que sorte infernal me calhou?
Choro. Porque como uma lâmina que me arrasa o coração, eu percebo que ninguém está aqui para me fazer rir.
Estas grades (que me enjaulam) só servem para impedir o meu auto-flagelo iminente.
A loucura é real, o resto não existe fora de mim...

«Endless price I'll have to pay»

13 agosto, 2011

Mais perto do sol

A rua mal iluminada deixa os passos ecoarem, enquanto pisam ruidosamente as folhas que se encontram inesperadas no chão.
A lua cheia iluminaa o caminho dos sonhadores; dá luz aos ainda perdidos na noite, pouco iluminados. Aos que chamam pelo sono mas ele não vem.
A minha respiração fica marcada no vidro enquanto penso. Ajuda-me a divagar se me concentrar meramente na rua, lá fora. Se me concentrar nas pedras brancas como círios, depois nas escuras, fazendo um contraste que existe no mundo.
Todos nascemos no mesmo estado livre e puro, mas só alguns chegam ao ponto de alcançar algo mais. Encontrar algo que não seja ordinário, que não se defina por palavras algumas, por imagens. Que não se exprima de todo, a não ser pelo bater do coração.
A seguir foco-me apenas no sopro do vento e em todos os sussurros e suspiros que traz; consigo quase ouvi-los.
É como se visse uma grande tela, mas em pedaços, em pequenas doses que se vão juntando, formando no fim um cenário maior que tudo o resto. Um cenário que nos faz querer absorver tudo de uma vez.
A lua brinda-me com a sua passagem, encobrindo-se temporariamente por trás das nuvens que se esfumam livremente pelo céu escuro como breu.
Sorrio e penso que apesar da noite ser mais encantadora, aos meus olhos, o dia já não me impele para longe, assim tanto. Já não o receio.
Vejo as pessoas, lá em baixo como formigas, que caminham de maneira corajosa e determinada para um lado qualquer. Vejo-as e penso na sua história; penso na história que eu quero que tenham. Imagino.
Depois de tudo isto, já não penso, já não devia pensar. Tenho de aprender a deixar ir mais facilmente, sem dar tanta luta. Sem analisar em demasia tudo à minha volta.
Já pedi muitas vezes ao sol para me trazer a lua, mas hoje vou contrariar a minha natureza e vou acreditar no futuro imediato. Vou pensar que talvez, por uma vez que seja, o dia vai ser melhor que a noite.
Vou chamar pelo sol. Mereceu.

10 agosto, 2011

Caminho de volta

Os olhos já cegos dificultam a procura incessante por ti. A cegueira não me impede, só me incentiva.
O suor que escorre não é de agora; todas as células do meu corpo arderam até o calor não ter nada mais a consumir.
Numa palavra: sufoco. Acostumei-me às coisas belas, às coisas fáceis. Voltei a confiar na simplicidade da confiança, que é facilmente quebrada.
Sei que à minha frente tenho escolhas que precisam de ser feitas e ja não tenho receio de fazer a errada.
No fundo, acho que percebi que enquanto me achava viva, divina, estive apenas num sono profundo. Numa dormência com um fim trágico.
Sei agora que não é na felicidade aparente que jaz a imortalidade. É no cru, no horrível. É no que está morto e pestilento.
Acordei desse estado letárgico, voltei a ser humana. Voltei a prestar atenção ao que me diziam as vozes que eu não queria ouvir. As vozes que escolhi ignorar.
A minha cura não se avizinha, o antídoto está longe de ser alcançado, mas até lá, vivo. Até lá respiro outra vez, mesmo que em dificuldade.
Percebi finalmente que tudo o que já tinha corrido debaixo da ponte não eram águas passadas; descobri que apesar do tempo e da chuva que passou, há coisas que não passam. Há manchas que por muito que tente apagar, não acabam. Só se alastram...
Finalmente aceitei que eu própria me levei a esse estado de torpor, ao tentar fugir dele. Ao tentar enganar-me, ao não ver a diferença entre superar e esquecer temporariamente.
Caminhei de olhos bem abertos para esse poço sem fundo. Agora cega, sei o caminho de volta.

08 agosto, 2011

Momentum

«Show me the way to forgive you
Allow me to let it go
Allow me to be forgiven

Show me the way to let go»

Please, I need some direction. I need you to shed some light upon my troubled path.
Can you show me the way, just this once? I'm begging you, I'm already on my knees praying for something better. Anything at all...
I can't keep going like this, I simply cannot. I'm trying with all my strength to stay here in this side of the world, but the weight is too much to bear.
Show me the way, enlighten me to reach the peace I so desperately seek for, allow me to find a way to let this all go... All this poison that clings to my heart, all this sorrow that's stuck on my skin... I just wanna let it all go. I just want to feel cleansed and pure again; let me just feel alive and not vulnerable like I've been.
When I can no longer define what's right and what is wrong, I have no choice but to trust my ghosts. The angels and demons that hover above me, all the time.
My wounds must be wide open now; I must embrace all this illusion that comes to me in a hurtful way so I can move on and walk away, for good. So I can heal properly and let all this misery behind.
My tears must run down now, in order to set me free; pretty soon they'll be no longer toxic, deadly.
Some scars may linger, but my heart will beat again and my path will be brand new. It will be a better one.
Just guide me there, show me the way to be reborn. Allow me to break free.

["Momentum is a conserved quantity, meaning that if a closed system is not affected by external forces, its total momentum cannot change"]

06 agosto, 2011

Dream 3

«Sweet sun, send me the moon»

Encontrei-te no meio do fogo.
Encontrei-te no meio do caos quase pacífico, como uma dádiva. Como uma desejada salvação.
Sorrio ao ver-te e sinto uma sensação de conforto ao ver que pareces feliz por me ver.
Sento-me a teu lado e subitamente parece que todo esse tempo e distância não passaram por nós desde a última vez que nos vimos.
As confissões começam a pairar e posso até jurar que sinto o meu coração a abrandar quando me dizes que quando parti, levei um pedaço teu. Quando me explicas o que sentias por mim, antes de abandonar este sítio.
Mas tal como num sonho (real) nada é precipitado, nada precisa de resposta imediata, tudo é como eu quero que seja. Assim, limitamo-nos a ficar sentados, eu encostada a ti nesse muro de pedra, a ver a única estrela que brilha.
A única lua que me faz feliz.
A aurora boreal que criaste para mim, só para finalizar o momento. Perfeito.
Rio para ti, nem acredito que é possível. Ris de volta e nada parece tão brilhante até aí.
Acordo...

03 agosto, 2011

Dream 2

«I'm dreaming I'm alive...»

Finalmente algum sinal de mudança! Não de cenário nem de vida...Mas algo mudou, quando tudo o que eu pedia era exactamente isso.
Vi-te e reparei logo em ti, instantaneamente. Sorri-te porque não consegui evitá-lo e tu não conseguiste impedir um segundo olhar mais demorado.
Seguimos o mesmo trajecto e algo no meu coração me diz que este dia irá mudar tudo; ele bate mais depressa com a alegria da antecipação e com as possibilidades infinitas que poderão acontecer.
Por mero acaso do destino os nossos caminhos cruzaram-se e eu só peço a uma força superior que faça com que isso não volte a mudar. Em resposta, tu olhas para mim e dizes algo que me faz rir (nem acredito na minha sorte!); a partir daí é como se te conhecesse desde sempre.
Há algo que nem sequer consigo quantificar, uma química qualquer que me empurra na tua direcção e tu na minha. A inevitabilidade imprevisível do destino.
O tempo contigo passa a voar e eu perco totalmente a noção dele. Talvez se tenham passado séculos, mas a teu lado, parecem apenas breves momentos que acabam sem eu dar por isso.
O destino está traçado e não há nada que possamos fazer para o mudar...
Acordo.

01 agosto, 2011

Dream 1

«But that was just a dream...just a dream»

Abro os olhos e vejo-te.
Deitas-te a meu lado com a familiar sensação de que já o devias ter feito há milhares de minutos.
Sorris e eu também; sinto-me estranhamente calma e feliz, como se esse momento fosse fruto do destino.
Sinto um desejo quase doloroso de encostar a minha cabeça contra o teu peito em busca do tão necessário conforto, mas a antecipação impede-me. Ainda não acredito.
Rapidamente as palavras param de ecoar da tua doce boca e o sorriso desvanece-se. Sem mais delongas levantas-te como que a negar o que aconteceu, a anular o destino criado por nós.
Esse levantar foi a picada de culpa, foi o primeiro indício de cobardia que te invadiu e que eu já esperava.
Ao te afastares de mim, deixando-me sozinha, estás silenciosamente a afirmar que te arrependes de aceitar o que sentes. Típico.
Olhas para mim e os teus olhos pedem perdão; a tua boca não se move, como sempre. Eu olho para eles e tento convencer-me de que a desilusão não é já uma constante na minha vida, graças a ti...
Afasto o olhar, e acordo.