04 janeiro, 2013

The Girl with the Red Lips

«I was alone, falling free, trying my best not to forget»


O olhar está lá, o sorriso também pode estar.
O pensamento está longe, distante daqui.
Esse sítio onde habitas é escuro, sozinho.
Assustador até. Assustadoramente abandonado.
Não tenho a certeza como foste aí parar, mas
Acho que percebo. Tudo isso te arrastou ao fundo.
Gostava de te estender a mão, gostava de poder 
Dizer-te que te vou ajudar; que vai tudo ficar bem.
Mas não consigo...Essas águas onde te afogas são profundas
Demais, o local onde passas os teus dias é demasiado longínquo.
Entraste nesse transe e a espiral que te rodeia roda muito rápido:
Já não te é possível ver a felicidade, o que é bom, simples.
O que vale a pena, o que te manterá, brevemente, à tona.
Dás um passo em falso e as paredes imediatamente desabam,
Perdes o teu rumo num segundo, e de repente, o negro da tua alma aparece.
A revolta, a incerteza, a vulnerabilidade, a fraqueza, a vontade de desistir
Voltam a ti, voltam a roubar o que não devia ser tirado.
Até aqui, até agora eles conseguem! Mesmo quando tinhas uma quase esperança,
Eles têm o prazer de destruir o que lentamente tentaste juntar.
O que lentamente conseguiste ignorar, riscar da tua vida, paira aqui e ri-se da ingenuidade.
Ri-se da tua vã tentativa de escolher o teu caminho longe da poeira, do som, da tristeza.
Gostava de poder gritar, de te fazer ver o que ainda é bom, e feliz.
E simples. Queria fazer-te ver o que te pode trazer à tona, permanentemente.
Mas escolhes involuntariamente voltar sempre a esse sítio, a essa memória.
Ao que não tem saída, ao que te irá afogar de vez. Ao que te levará para longe.
Começas a cair, e continuas, sempre em queda livre, até que o impacto te silencie.
Vais tentar gritar, então, fazer todo o barulho que conseguires.
Vais fazer-te ouvir, vais fazê-los abrir os olhos, mas ninguém repara.
Esses que te rodeiam, que fingem ver-te, não estão de facto a fazê-lo.
Ninguém vai parar, ninguém vai perder tempo a tirar-te da água.
O olhar já não vai estar, sequer. O sorriso há muito terá desaparecido...


Vou tentar o meu melhor. Quando estiveres prestes a virar as costas,
Vou fazer-te ficar. Vou abrir-te esses olhos cheios de mágoa e vou dizer-te:
Vale a pena. Vales a pena. Fica.

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