07 janeiro, 2013

Dead Marshes

«There's a storm coming...»


Sinto a energia a escapar. Sinto a força a fugir pela ponta dos meus dedos.
Não tento enganar ninguém...Já não há nada aqui. O que restou?
 Réstias do que nunca chegou a existir. Sonharam demasiado alto...
A voz irónica fala-me ao ouvido, enchendo o meu espírito de veneno.
As palavras ácidas que fala são dolorosas, intoxicante-mente perturbadoras. 
Quero ouvir tudo, até ao fim. Para que doa, que queime, que comece do zero.
Mas ela pára e não me deixa; tortura-me com as imagens por pintar.
Este pântano está cheio de coisas que não vivem, já. As sombras andam aqui.
Os espíritos que já partiram, os corpos que ficaram onde não deviam...
Não me deixam sozinha. Não desaparecem, nunca. Insistem em assombrar-me.
Tento em vão soltar-me, continuar a andar, mas este chão traiçoeiro não me permite.
Faz-me ficar no sítio, rodeada de coisas que não quero ver - a realidade crua.
A crueldade, a simplicidade do mal, da peste do ser...Não foi com isto que sonhei.
A mágoa, o desespero, a liberdade de quem já não tem nada a perder...Não foi isto que quis.
Sonhámos com algo nobre, ambicioso, impiedoso (sim), mas não dessa forma;
Algo que tivesse um objetivo real, honesto, bom. Não era nossa intenção despertar o horror.
A tragédia horrível que aqui se viu e se vai ver sempre. O tempo passa, mas as marcas
Que o sangue brotado deixou, não passam. Os sulcos que as lágrimas choradas deixam,
Não desaparecem. A morte que por paira e respira, nunca se vai ausentar.
Como é que chegámos a isto? Como é que viemos aqui parar?
Pediram-nos para lutar, para não desistir, não encontrar a trégua do nosso coração. 
Mas essa trégua já não existe. Agora, já não se vislumbra o fim da monstruosidade.
Já não haverá esperança para nós e o mundo nunca deverá ser o mesmo.
A batalha foi perdida há muito, já ninguém se importa com os tambores por tocar...
O último suspiro, a última gota de suor, foram arruinados. Não há nada aqui a não ser a treva.
Sinto a energia a escapar. Sinto a força a fugir pela ponta dos meus dedos.
Podíamos ter sido grandes, e em vez disso, fomos inconscientes. Fomos irresponsáveis, impulsivos.
No meio da destruição, onde já nem se vê a luz do sol, ficamos aqui, derrotados, sabendo que fomos
Humanos.

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