A imensidão assombra-me, emociona-me. Esta magnitude dá-me alento, faz com que tudo à minha volta esteja vivo - e isso é bom.
Vagueio pelas ruas compridas e largas, deixando os meus pés governarem o caminho (deambular calmo de quem não tem pressa de ir embora). Posso até sentir a cidade a pulsar por debaixo deles, cheia de vontade de experienciar mais e melhor, a cidade para sempre enérgica, a que nunca pára. A cidade que nunca dorme, eternamente desperta.
O seu farol está há muito aceso, já guiou muitas almas perdidas ou sem esperança; ainda hoje guia. É como um fogo que não vacila, nunca extinto, que exerce uma qualquer atração que não se explica sobre quem sabe perceber essa beleza, essa fragilidade tão preciosa e segura, essa luz intemporal. Alguns conseguem respirar isso, há quem o sinta no ar - o fascínio, a expectativa, o mistério, o inesperado...É um dom.
E é então assim que se desmitifica a minha situação de adoração, de carinho genuíno por essa imagem contornada pelos prédios sem fim. É pela tentação de liberdade que ela acena ao longe, vista da ponte; é pela megalomania com que ela nos envolve, vista do cimo de um arranha-céus (lá bem no alto); é pela verdadeira mistura do que é inimaginável, um pedaço de cada mundo que eu procuro, num só (neste).
Noites infinitas de quietude, de movimento, de tudo e de nada. De saber exatamente o que se pretende, com a irresponsabilidade ingénua de o escolher. De ter a capacidade de escolher viver debaixo dessa luz tão brilhante que encandeia. Noites que são seguidas de dias ainda maiores, mais cheios, vívidos - e tudo se torna num sonho contínuo, brilhante. Enfeitiça.
A loucura jovem inebria os mais corajosos, os que se atrevem a viver nessa selva de possibilidades, nesse mar de asfalto que nunca cessa de correr (leva-nos na sua corrente, constantemente); qualquer coisa pode ser aqui alcançada, o céu, o sol, as estrelas...
Nunca foi fácil, nunca será. Nem todos correm o risco de se embrenhar nesta dádiva em forma de cidade, são poucos os que entram conscientemente neste vício da alma. Mas nos seus quatro cantos, a maravilha não acaba, a surpresa não finda de surgir de diversas maneiras. Segredo após segredo, ela revela-se na sua forma mais preciosa a quem se manteve fiel, como uma promessa intacta.
No seu pulmão verdejante, em sossego; nas margens do seu rio; no seu centro, rodeada de caos gritante, na sua carismática azáfama, energia contagiante e elétrica ou lá bem no alto, onde o mundo parece estar à minha mercê, é onde gostaria de estar, neste momento.
O sonho não acaba por aqui...Fica por cumprir.
«If I can make it there, I'll make it anywhere...It's up to you, New York, New York»

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