09 setembro, 2012

Resistência

Há uma frágil diferença entre a dor crua
E vívida e a dor aceite, conformada.
Essa última já não pesa, porque já só
Existe no ar. Na memória, na minha.

Neste misto de arrependimento, vejo-te.
Encontro todos os caminhos que se
Fecharam para mim, como um portão
Definitivo. Perdi a minha hipótese, decerto.

Porque é que o fim de tudo custa tanto?
Porque motivo é que perder alguém é
Sempre tão dolorosamente dilacerante?
O desespero tão tamanho, a tristeza tão avassaladora?

Sinto-me inacreditavelmente sozinha, aqui.
Pelos vistos, esse pedaço de mim ainda
Não apareceu, só para fugir outra vez.
Nunca chega, deixando-me a contemplar as horas mortas.

A um passo, a um toque, a um sopro
De distância; era tão possível trazer-te
De volta. Acreditar na felicidade, na simplicidade...
Mas sei que seria um erro demasiado belo,

Uma mentira suave que me faria sorrir.
A recordação serve para lembrar o que houve.
Inevitavelmente, diz-me sem rodeios o que já não há.
Existe uma diferença entre a dor ferida e a que já não queima:

Mas ambas trazem, saudade.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

E a resistência é cada vez mais pouca...perdição; ou mais forte, sofrimento. Gostei do texto.

(a reter: " Pelos vistos, esse pedaço de mim ainda
Não apareceu, só para fugir outra vez. " )

Mas ambas.

Keep going, spiral out.