11 setembro, 2012

Multidão

Não me faças abrir os olhos.
Não quero abri-los. Não me obrigues. Eu não quero ver, não quero ter a perceção da realidade, não quero ter de enfrentar os rostos e as vozes e o medo.
Posso apenas mantê-los fechados? Juro que não vou contar a ninguém, prometo que ninguém dará por mim aqui ao canto, sem ver, sem respirar, sem vida. Ninguém dará por mim.
Eles continuam, destemidos, sem a sombra do passado sobre a sua vida; esquecem o que existiu, o que ficou para trás, o que já não voltará. Não hesitam sequer para contemplar a perda de si.
Talvez se me esquecer, isto desapareça. Talvez acorde no dia em que adormeci para isto, há muito muito tempo. Talvez seja uma ilusão muito má.
Não me faças abrir os olhos, não posso apenas mantê-los fechados? Eu não quero ver...

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