03 setembro, 2012

Blaze

O fumo aumenta no ar. Algo  está morto.
O nevoeiro adensa-se, espesso.
O inalar do queimado tóxico prende-se
Na garganta. Fica travado, impede-me.

Vi o sol a arder. Pensei que o mundo
Ia acabar. Tinha de o fazer, por fim.
Em chamas, parecia de luto por si.
Espalhava a sua mágoa, contra nós.

O oxigénio já não chega, não basta
Para respirar em segurança. Em breve,
Morreremos; o pilar de luz esmorecerá
E a treva irá fixar-se indefinidamente.

Toda a vida? Finda, perdida no escuro.
O homem? Réstia de uma criatura inútil,
Desesperada, faminta, bestial. Inumana.
Viver na miséria, no caos destrutivo, queima.

Destrói o que em tempos pensámos nosso.
A realidade que outrora vivemos desapareceu.
O nevoeiro apagou tudo, abafou o que existiu:
O fumo aumenta. O fogo é a única coisa que resta.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Acho uma delícia quando alguém pega em num extremo, gelo e fogo por exemplo, tu pegaste no fogo e acho que ficou magnífico. Adorei o poema. À primeira vista, olhando sem atenção, não parecia nada do outro mundo, mas quando o li com calma e atenção fez sentido e queimou. A impotência, a destruição que advém disso e não só. Queria de todo o texto valorizar as últimas duas estrofes, perfeitas. E a frase final é divinal.


Keep Going - spiral out.