«Come break me down...bury me»
Veem-na com o cabelo ao vento, com
o coração cansado do peso da chuva, a alma que reflete o céu noturno ou a
beleza das sombras e não conseguem lê-la. Poucos conseguem.
Olham e ficam sem saber o que é ao
certo; não, não é nada simples ou concreto, é algo bem mais profundo e secreto.
Talvez seja a honestidade, a falta de corrupção, a surpresa constante que
fornece (o inesperado que daí advém), alguma coisa brilhante que demora a
passar. Mas talvez não...Talvez seja a fortaleza sempre prestes a quebrar que
mantém o mistério, o realismo cru, a espontaneidade por vezes comovedora.
Talvez seja isso, não sei.
Rodeiam-na e só alguns realmente
reparam, veem o que há por baixo dessa camada exterior que nunca permite que a
fragilidade das profundezas chegue ao de cima, veem o que não está lá. Veem os
estragos que o peso das lágrimas vai marcando - a vulnerabilidade não é fácil
de aceitar, porque nos faz perder todo o controlo que julgamos ter.
Assim, consegue manter a ilusão
inocente de que tem as respostas que precisa de ter, de que sabe quem é afinal
ou o que realmente quer de tudo isto. Nem sempre...Com essa tentativa, evita
que os olhares mais atentos ou cruéis compreendam que a triste verdade é que já
não consegue respirar.
Sempre que pára, dá por si parada
num espaço sem saída onde tem de dar meia volta para evitar esse fim; não
consegue respirar fundo, inspirar, sentir o ar a entrar e a sair. Não lhe é
mais possível pensar claramente, sem entraves que tapem a claridade, que abafem
o seu espírito. Até o conseguir, vai estar sempre presa nesta maré impetuosa
que não a deixa abandonar este local e que a mantém prisioneira da sua
corrente: ora à tona, lutando por um suspiro, ora arrastada onde não consegue
ver a luz do dia, nas profundezas.
Incapaz de findar o que foi
começado, mas que se desenrolou com o tempo, sobrevive devido aos pequenos
refúgios que encontra pelo caminho. Quando começou essa dita luta, não esperava
que fosse assim. Nunca assim tão difícil, porque eventualmente os demónios
deviam sumir da sua vida.
Vagueia para longe de todos vós,
dos olhares que magoam, que instigam, que silenciam, que pressionam demasiado.
Dos olhares que cortam a respiração, que sufocam até a conduzir a um buraco
negro que a engole por inteiro. Asfixia.
Apertam o círculo e respiram-na, até não haver mais nada.
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