23 julho, 2012

Addiction

Deixaste-o cair e eu apanhei-o.
Vi-o no chão e não pude recuar.
Fiquei com o teu coração nas mãos
E vi-o consumir-se como um cigarro.

Vi-o a desaparecer à medida que o
Tempo corria, à medida que ias.
Ias percorrendo esse trajeto.
Não tenho como voltar atrás.

Estas mãos, as minhas, seguram-te,
Mantêm-te vivo. Talvez uma parte de ti.
Talvez uma parte de mim também.
Não sei o que isto é, mas ainda o sinto bater.

Foste para longe, mas é possível.
Ele palpita sobre o meu próprio sangue.
De alguma maneira, eu trouxe-te à vida.
Trouxe-te a leveza da simplicidade.

A capacidade de acreditar, de vislumbrar
O mundo como ele poderia ser, de facto.
Dei-te o presente da alegria frágil de ser;
Trouxe-te a leveza de saber o que se quer.

O meu fardo está contigo. O teu prendeu-se a mim.
Já não está nas minhas mãos, porque sumiu.
Nada que eu queira mudar fará agora diferença.
Tornei-me parte de ti, não tenho como voltar atrás.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Leio este texto e interrogo-me. Só tu , (e mais alguém talvez), saberás o seu significado verdadeiro; no entanto parece que pode servir para várias situações. Mas gostei. A descrição de uma ligação importante está fantástica. Mesmo ficando sem saber, se foi algo conquistado ou se apenas aconteceu. Pois por outro lado parece que sinto uma espécie de pseudo-fardo na união - talvez não pedida. Mas eu não sei nada, e ignorando as interrogações está bestial.