01 junho, 2011

Requiem

Zangada com o mundo porque ele não te sorri de volta.
Irritada com a vida porque ela não te devolve a resposta que querias...
Todos nós somos miseráveis, de uma ou outra maneira; mas apenas alguns escolhem demonstrá-lo.
Pensas que tudo está errado, que nada disto te é familiar. Já não é, pelo menos. E finges que não és assolada com desespero e mágoa, por teres de viver neste sítio. Neste tempo.
Não é justo. A vida nunca o foi. Atrevo-me a dizer que nunca será.
Todos nós somos humanos. Todos nós temos inscrito dentro de nós a vontade de sonhar sem limites, a habilidade de pedir as estrelas e a lua. Elas nem sempre chegam...Nem sempre.
Aqui na quietude do teu mundo, sem ninguém à volta demonstras o que te corrói por dentro. Esta passividade, esta falta de tudo. Este vazio infinito que vai e vem, que assombra e se demora nestes dias que correm.
Porque há uma fase na vida destes ditos seres humanos em que, passado muitas longas horas de seca, estes se apercebem de que a vida em que se encontram é que os comanda a eles. Já não são eles que ditam as suas regras, já não são eles que escolhem onde estão, porque estão.
Se soubessem responder à questão do porquê ou para quem, não seriam humanos. Param tudo e voltam ao princípio, tentando alcançar a felicidade. Tentando sentir algo.
Já não quero isso. Já não quero sentir o que quer que seja. Já não quero procurar nada, para alcançar o vazio.
Quero apenas esconder-me deste emaranhado de pessoas que me rodeia; quero apenas esquecer-me de que sou tão humana quanto eles; quero apenas esquecer-me deles. Quero esconder-me até às profundezas, onde não haja nada. Onde não haja a sensação de esvaziamento que eles me podem provocar. Que conseguem iniciar em mim.
Já não quero escavar coisa alguma, só quero ser sozinha.
Pelo menos hoje, não quero persistir na mentira e na dúvida que assolam a minha raça. Hoje quero um milagre que me faça imóvel.
Hoje quero parar o meu ser e esquecer a razão. Temporário.

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