19 junho, 2011

Afogamento (parte 2)

Não esperavas isto. Nunca de mim.
Eu, de todas as pessoas da tua vida, devia permanecer assim para sempre.
Ficaste atordoado. Sem saber ao certo o que mudou. Mas que algo morreu e não é provável que regresse.
Levaste-me à exaustão. De tanto nadar para te salvar, morri eu afogada.
Esse capítulo acabou. Foi o fim de uma história perdida. De uma história triste.
Até eu acreditei um dia que a minha paciência era inesgotável. Até eu.
Quem diria...Há coisas que de facto mudam. Outras, infelizmente, irão manter-se iguais para sempre.
O tornado que te rodeiam já não me apanha na sua órbita de colisão; já não estou em perigo, mesmo por perto.
Porque há uma altura em que, eventualmente, já nem eu quero ficar. Já nem eu.
Para me afogar? Para ser envenenada lentamente? Para conseguir apenas mais cortes a troco de nada? Não.
Prefiro partir.
Não tentes lutar contra isto. Eu não te resinto. Eu não o faço por ti.
Pela primeira vez, em muito muito tempo, eu apago porque já não posso saber. Já nem quero saber.
Pela primeira vez, eu estou a ir por mim. Estou a salvar-me.
A paciência deixou-se correr; o tempo perdido foi apagado; a dor foi esquecida. Todo o caos e prejuízo significaram pouco para ti.
A mim, custaram-me um pedaço. Custaram-me uma vida, um quase afogamento.
Para mim, essa espiral de tortura teve um preço e finalmente um fim.
Eu sei que não esperavas isto. Nunca de mim. Nunca, numa eternidade, achaste isto possível.
Mas chega de voltares sempre aqui no fim de tudo, uma e outra vez. Eu já não vou ouvir.
Eu já não vou ver-te.
Nadei contra ti; salvei-me.
Eu escolhi viver, por mim.

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