10 janeiro, 2010

Barulho de Fundo

O burburinho cresce e vai crescendo.
Vai ficando cada vez mais forte. Insurdecedor.
Acalma-me os nervos, acalma-me o coração. Este ruído.
Faz-me sossegar. Faz-me não pensar.
Entro em transe, simplesmente. Esqueço tudo, largo tudo. Perco tudo. Mas ganho, também.
E sei que isso importa, tem de importar.
O barulho cresce, até se tornar em barulho de fundo, sempre a tocar na minha cabeça. Melodia incansável, imparável.
E cresce, sobe bem alto e vai crescendo.
Música relaxante que nunca pára de tocar cá dentro.
De repente, reparo. Algo está diferente.
Há menos ruído, não há nada. Está vazio, silencioso.
E agora? Fico sozinha. Abandonada desse conforto.
Para onde foi? Para onde vai?
Que vai ser de mim?
Como posso recuperá-lo?
E subitamente, o barulho de fundo volta.
Primeiro baixinho e lento.
Depois mais alto, até crescer de volta.
E torna-se tão familiar; acostumo-me tanto, que o perco de vista.
Torna-se som natural do meu meio.
De facto, não devia voltar a este ciclo de vício, que quando acaba, deixa-me desamparada, perdida, sozinha.
Mas sei que sem ele, não consigo progredir. Não consigo continuar. Fica tudo demasiado sossegado, abandonado.
O meu barulho de fundo é traiçoeiro, e abandona-me frequentemente.
Deixando-me sozinha.
Mesmo quando ele não está lá, eu sei que devia estar. E isso conforta-me.
E ainda agora tinha voltado, mas já partiu outra vez...
O burburinho foi desaparecendo, apenas deixando o silêncio e o seu eco.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Gostei bastante.
O ritmo está bastante coerente e perceptivel.
Cada um interpreta o poema à sua maneira e talvez o gostasse de ter interpretado da forma que tu o lês,
no entanto para mim, ao lê-lo, fico com ele familiarizado, e só me vem à cabeça uma sensação e uma palavra:
T
O
O
L
.

Continua Joana (Garcia) Henriques!