18 setembro, 2014

Horas Mortas

In the dark, small hours, I listen.
It is quiet and peaceful. And sad, somehow.
I feel every little beautiful thing fill me up and drain me out, leaving me alone.
So utterly alone…But it also makes me happy in a way.
It’s like the world is still, though I know it’s still moving.
I know right now there are millions of people living their lives.
But I am here, in the midst of the dark, surrounded by no one.
This stillness is poetic in itself. There is something magical about it, something awefully precious.
It feels like the world is even bigger…Not exactly scary, but particularly intimidating.
It feels like I’m not even real. I lay here and I listen to this saxophone…
But I’m not really there. I’m somewhere else, someone else.
In this moment, I see the lives I haven’t lived. The lives I could not have.
I feel like I ought to wake up soon – this can’t go on indefinitely.
It’s like a dream that keeps happening. It keeps happening to me. And it won’t go away.
Does it feel right? I don’t know anymore. But it feels…foreign. It feels surreal sometimes.
Other times, it’s like I came back. And it’s me again. I’m me, again.
Everything is familiar, everything shifted back to the way it was.
I recognize the surroundings. I called it home, once.
In these dark, small, so incredibly patient hours, I listen.

I listen, and I wonder. 

11 agosto, 2014

Candelabro

"I'm holding on for dear life" 


Olho para baixo. A minha visão torna-se turva, a altura vertiginosa. 
Balanço de um lado para o outro até deixar de sentir. 
Aqui em cima a desilusão parece esfumar-se lentamente - talvez porque estou longe de toda a gente.
Se descer, se tentar voltar à vida real, sei que vou arrepender-me. Tudo irá voltar numa espiral desastrosa.
A dor, a incerteza, o caos da dúvida, a ânsia de ser livre. Não quero encarar essa vida. 
Não consigo. Por isso fico aqui, de olhos fechados, tentando ignorar o que me resta. 
Os meus sonhos já não são o que eram. Agora são assombrados por uma réstia de passado que me atormenta. Estarão a tentar dizer-me algo? Estarão simplesmente a tentar confundir-me? Guiar-me pelo caminho errado, levando-me a cometer um erro, um passo em falso?
Aqui é tudo estranhamente silencioso. Parece que o tempo não existe, que tudo está parado, exceto eu. Eu continuo a mover-me, mesmo sem querer. Sem saber como. E há uma calmaria total que me embala, mas que me incomoda. Isto não pode durar para sempre. Irá acabar num momento doloroso, abrupto. Em queda quase-livre. Mas não é a descida que me assusta, a queda em si. É o momento em que aterro no chão. Aí é que tudo acaba. 
Sei que não posso ficar aqui para sempre, ignorando os meus demónios, negando que eles existem. Sei que não posso continuar a esconder-me por trás da luz que me cega e do vento que me mantém em paz. Mas não quero encarar a alternativa. Ela enche-me de angústia, de um sentimento de impotência. 
Não há nada que eu possa fazer para parar o tempo. Nem aqui em cima o consigo fazer. 
Ainda é cedo...Mas tento respirar fundo e abro os olhos. Luto contra o meu instinto, luto contra a minha vontade. Isto tem de ser feito. Não quero viver na mentira, não quero viver na ilusão. Não sei ser assim, cega. Por isso sei que chegou o momento. Empurro o receio e a tristeza para um sítio obscuro - não preciso de lidar com eles agora. Mais tarde, talvez.
Olho para baixo e consigo ver tudo. Até o que não quero ver.

30 março, 2014

Radioactive

Não sei que sentimento é este, que sensação me corrói por dentro.
Não sei que amor tóxico, que amor destrutivo é este que me motiva.
É algo que sinto a correr-me nas veias, a escorrer por mim...
Não me dá sossego de maneira nenhuma, por muito que tentasse. Mas não tento.
Nem sequer tento escapar a esta radiação que põe fim ao meu ser,
Nem vacilo se a vir, se ela chamar por mim. Corro, voo para ela.
Quando me atrevo a sonhar, quando ouso desejar por mais,
Ela desvanece...E talvez nem seja por entre os meus trémulos dedos.
Chego a pensar que será uma visão, que todo este cenário surreal não existe.
Neste pequeno mundo apocalíptico, onde só surge o que já não é, o que nunca foi,
A desolação, creio encontrar a minha paz. O sítio onde pertenço.
Mas de repente, ela chega com a sua luz que irradia, com a sua imperiosidade,
Com o seu misticismo, com o seu orgulho e o seu coração de pedra. E eu.
Eu volto de novo ao princípio, à inferioridade, a tudo o que desejo esquecer,
A onde eu desejo fugir.
É como aquela estranha dor sobre a qual não sabemos o que sentir - é má ou boa?
Queremos que passe ou que fique? É como aquela ferida no nosso lábio, na
Qual não conseguimos impedir a nossa língua de tocar.
 É algo que me impele a chegar mais perto, outra e outra vez.
É como aquela melodia que fica presa na nossa cabeça durante dias seguidos, a qual
Não conseguimos esquecer, aquela na qual pensamos assim que fechamos os olhos.
Acho que por esta altura, já devia ter percebido que não vou conseguir decifrá-la,
Nunca vou saber o que pensa, o que sente, o que sou para ela. Mas se tento ir,
Acabo sempre por ficar.
Nem sequer faz sentido, porque sou infeliz quando estou sem ela, mas com ela,
Sou simplesmente miserável. Mas a vida faz sentido. De alguma forma...
É uma espiral de loucura, mas se pudesse escolher, não hesitaria em decidir
Que a escolho a ela. Estou preso nela e não desejo mover-me.
Só desejo desenterrar o portão que esconde o que ela tanto deseja esconder:
O seu coração. Eu sei que ele bate, algures dentro dela. E quero-o para mim.

04 dezembro, 2013




«We're the middle children of history. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war...our Great Depression is our lives.»








14 novembro, 2013

All The Little Lights

«You are all just perfect little satellites, spinning 'round and 'round this broken earthly life»


I'm standing here, ever so lonely. But it's a good kind of loneliness - I have my thoughts. And this song that makes the world around me more real.
I stand nearly between two dimensions, the wind blowing me from one side to the other. Of the edge.
The night sky hovers above me, dark and pure; the air, icy, cutting me like a sharp glass - but I don't mind it. I actually smile, because the night brings my life to this intermittent, peaceful and steady place where I am right now. 
All I see is the little lights, yellow, green, red and orange - they are only blurry dots of light, so alive. They whisper to me, inaudibly, only I can hear them. Like a gentle caress on my cheek. No one else around me seems to notice.The city lights guide me home, they point where to go and I silently thank them. They are always here, when I don't even know I need them. 
It's all those little lights that give me an overwhelming sense of purpose, of happiness. In some moments, I can almost feel the earth setting into it's right place, when life seems so incredibly delicious, so amazingly perfect, despite it's flaws. And in breathing in and out, I exist. Just by breathing, by believing that my hope isn't lost, that there are still those precious, fleeding moments that chaos cannot destroy. 
I understand it's so much bigger than me, the whole picture. I'm just a tiny detail. It's about so much more than this moment we're in. Everything matters, in those moments. You don't get to relive them ever again - once it's lost, it's lost forever. 
All the little lights fill me with warmth, with a jolt of joy that I can't describe. One of the most real things I've felt. I wish it could last forever. One of these days, it will...

07 novembro, 2013

Bilhete de ida

«Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
Isso é partir e não voltar»

Ela gostaria de saber o que isso era. Gostava de conseguir encarar essa âncora esmagadora de ir. Mas não voltar. 
Ela caminhou pelas chamas, pela neve que queima - ela percorreu as léguas do seu próprio inferno e encontrou uma saída. Deixou para trás a dor (o início, porque ela nunca fica), pôs a sua vida num compartimento e foi. Foi simplesmente.
Nunca soubera como seria fazê-lo. Ter tanta certeza, tanta confiança nisso, que a cidade à sua volta parecia encolher. Ela sabia finalmente.
Não teve medo de encarar o desconhecido, o escuro temível (talvez sim, uma parte de si); não receou desistir do que tinha (o mais precioso). Algo estaria a começar, mas outro algo pereceu. Mas só em parte, porque nunca nada acaba totalmente.
Quando se vai, corre-se sempre o risco de perceber que toda a esperança de um futuro menos assombrado era uma mera miragem. Que esse local mágico era apenas uma fonte de luz que guiava a vontade e mitigava a tristeza.
Claro que ela temia isso. Por muita necessidade que tivesse de ir, o assustador caminho, rodeado dos espectros de saudade impedia-a de respirar. Tinha de ser - ela não sabia como ir, nem como ficar. Estava encurralada pela angústia desses dois mundos tão diferentes, tão derradeiros.
O momento chegou, porque ela sabia que ele tinha de chegar. E ela também sabia que alguns de nós irão sempre ficar para trás. Sabia que não podia ser ela, desta vez não. Nunca ela. Se ela ficasse, isso seria devastador, acabaria por fazê-la ruir - as paredes do seu ser foram erguidas nessa certeza de partir, um dia. Pelos vistos, esse dia não tardou em chegar, embora o tempo tenha demorado a passar.  
Desta vez, ela não irá ficar para trás, como de tantas outras vezes, em que teve de ficar em terra, a ver todos os outros seguirem em frente, de uma maneira ou de outra. Desta vez, não vou ficar. 
Hoje, falo em ir.

06 novembro, 2013

«There is a vitality, a life force, an energy. A quickening that is translated through you into action.
And because there is only one of you in all of time, this expression is unique and if you block it, it'll never exist through any other medium and it will be lost. The world will not have it. 
It is not your business to determine how good it is or how valuable or how it compares with other expressions. It is your business to keep it yours, clearly and directly, to keep the channel open. You do not even have to believe in yourself or your work; you have to keep yourself open and aware to the urges that motivate you. Keep the channel open. 
No artist is pleased, there is no satisfaction whatever at any time. There is only a queer divine dissatisfaction, a blessed unrest that keeps us marching and makes us more alive than the others.»


Martha Graham