26 dezembro, 2012

People are strange...



Essa fome de querer, apenas quando já não posso.
De ver o brilho ao longe, quando antes nunca o tinha visto sequer - e ter a certeza de que não serei capaz de viver sem isso; de ser a única coisa neste mundo que será capaz de diminuir o vazio que se criou.
Ter a certeza de que por não ter a oportunidade de o ter, é a única coisa que me fará feliz.
Egoísmo, narcisismo, pensamento destrutivo...Querê-lo de volta é tudo o que sei fazer, agora.
É o que me guia, é o que me ilumina, é o que me faz saber que estou viva. Este sentimento de que algo está incompleto, de que faltará sempre essa parte que me traz conforto e paz nunca cessará de me perseguir.
Persegue-me, atormenta-me, mostra-me os passos a dar para o seguir e diz-me: quero-o de volta.

16 dezembro, 2012

The Fire Rises


[As palavras começam de facto a repetir-se, mas só quero agradecer, como sempre, pela honra que é escrever a teu lado. Obrigada por me deixares partilhar esse dom que tens de criar obras primas. Espero que o nosso talento tenha valido a pena (Diogo Garcia)]

No fim alguns dirão que tudo
Não passou de uma espiral de fogo…
Mas nós sabemos que foi muito
Mais do que chamas a ganharem vida
Em direcção a um céu.
O coração bate, e o seu batimento é um ritmo
Constante em crescimento, o corpo eleva-se,
O chão treme; o ritual está a começar,
O cântico move-se ao sabor dos passos,
A sicronização é perfeita,
Sabemos o que queremos, para onde vamos,
Como o faremos. O medo é transformado em gelo.
Mas o gelo também queima. Adormece. Torna o meu ser dormente,
Até cair num sono profundo, sem dar por isso.
A escuridão recebeu-nos dentro de si e deu-nos espaço para o luto.
Aqui, o silêncio abafa os gritos que ecoam, apaga o que realmente acontece.
Já nada importa, porque uma parte de nós estará para sempre perdida.
Viver na ilusão mantém-nos vivos, mas arrasta-nos ao fundo quando sabemos a verdade;
Nesse fundo é onde estamos, talvez à deriva, talvez sabendo perfeitamente onde viemos parar. Talvez tendo a certeza de que é aqui que pertencemos. Aqui viemos, por um motivo.
Claridade aqui não existe e as trevas, esmorecem o fogo, até ele desaparecer.
Ajoelhados colocam em causa todos os sentimentos
Todos os actos feitos e por fazer…
Procura-se uma luz segura que brilhe na mão
Dos verdadeiros ou dos inocentes, apontando um caminho,
Para uma redenção, agora que o arrependimento
Crava os dentes afiados na garganta e as unhas
No resto do vosso corpo.
Mais cedo, do que mais tarde, o fogo
Nada mais pode consumir…
E agora? O que farão de diferente?
Esta é agora a nossa sina: tentar agarrar-nos
A algo que nunca dura, que se esfuma no ar.
Mesmo à nossa frente, quando estamos prester
A tê-la. Tentamos agarrar-nos à realidade, à verdade
Que nos mantém na sanidade. É tudo o que nos resta,
Mas nem isso existe mesmo.
Esforçamo-nos por conseguir vislumbrar a luz neste
Fim de tudo sombrio. Mas talvez seja melhor assim,
Talvez a esperança só viesse prolongar o que está
Destinado a morrer. Fadados a viver para sempre entre
A mentira e a verdade, o que aconteceu e o que foi sonhado,
Deixamos agora de acreditar…É tão cansativo sermos os únicos
Que ainda tentam acalmar a dúvida, para manter o sofrimento longe.
É tão esmagador saber que no fundo, nada mudará, nada é
Possível fazer para consertar o que está mal. Não terá um final feliz;
Isto está amaldiçoado desde o primeiro pensamento que o originou.
Deixamos agora de respirar…Entregamo-nos à leveza do desistir.
Algo no entanto desperta na escuridão que nos abrigou por tanto tempo –
O fumo entranha-se aqui e desperta-nos para o que começou.
O fogo regressou, não-derrotado de queimar. Não cessou de arder.
Ergueu-se. Tal como nós.

11 dezembro, 2012

Rising Up

«Songbird, rebirth, unearth creature,
Submerge from hurt, pain, broken pieces,
Emergency, heartbeat increases
Rise up, Lotus, rise, this is the beginning..»

01 dezembro, 2012

Âncora

Não sei onde me leva. Está tudo desfocado.
Subo os primeiros degraus, hesitante. Sei que não é prudente.
Mas algo me impele, faz-me querer avançar.
O risco é grande, a queda também. Mas eu vou.
Não é a emoção, não é a sensação que faz o sangue correr
Que me incentiva a ir mais longe. É outra coisa...
Algo onde estou embrenhada, de onde não consigo,
Nem quero sair. Sei que pode ser perigoso, mas
Não me importa. Não me pode importar.
O caminho à minha frente está escuro, mas avanço
Às cegas. Isso não me impede de mover. Sigo sempre em frente.
Nada me afeta, já não sinto os degraus debaixo dos meus pés;
A única coisa que me guia é a brisa que sinto, que vem de cima.
A escadaria prolonga-se e continua mais, não até ao céu.
Os passos incertos, o som que ecoa devagar, à distância.
Estou perto, consigo ouvi-lo, vê-lo com o toque. Fecho os olhos,
Porque um feixe de luz suave me acolhe. Cheguei por fim.
Se olhar para trás, não me lembro de onde comecei, como
Ou porquê. Talvez nem saiba quando...Mas sei que algo de mim
Ficou para trás, antes de ter iniciado a subida. O medo, o nervosismo,
A capacidade de temer o inesperado, o incontrolável. O que não
Está nem nunca esteve ao meu alcance de decidir.
Ignorei as vozes que me chamavam, que me diziam para ver
Por onde ia. As que me diziam para não vir por aqui. As que
Temiam que me perdesse para sempre, em algo etéreo.
Temiam que caísse no esquecimento, que adormecesse para a vida.
Desta vez não fiquei parada, à espera que a felicidade desaparecesse.
Não, agora já não tenho receio deste algo indefinível, esmagador, opressivo.
A âncora irreprimível já não me afoga, já não me empurra. Apenas me traz à superfície.
Finalmente cheguei.

27 novembro, 2012

Now we are free


Desta vez vai ser mais fácil.
Espero que agora custe menos.
Se eu for, talvez algo melhore.
Mas já não é isso que importa. Já não devo ser eu.
Porque de cada vez que tento, magoa mais fundo.
A desilusão esperada, a previsibilidade que queima
Atira-me para esse transe pacífico de quem já devia
Ter aceitado a realidade inevitável.
De cada vez que tento, o vidro crava o coração 
E eu desisto, só para voltar a tentar assim que possa,
Mal esse coração tenha esquecido a pontada que o enfraqueceu.
Não sei, desta vez é diferente. O fim? É possível...
Tento convencer-me disto, lembrar-me do que já sei;
Tento pensar que se for paciente, que se aprender a deixar ir,
Irei conseguir finalmente perceber que tudo tem um fim.
Sobretudo as melhores coisas, as que me iluminavam a alma.
Desta vez vai ser mais fácil, tem de ser mais fácil.
Espero que desta, não me leve ao fundo.
Demasiado fundo, por demasiado tempo...

21 novembro, 2012

11 novembro, 2012

Barely Breathing

Talvez numa outra vida pudesse.
Numa outra dimensão, talvez quisesse.
Mas não aqui, agora, assim.
Levem-me ao início, onde tudo era diferente,
Onde nada disto existia; quem me dera poder.
Quem me dera esquecer, respirar, ser de outra
Maneira. Isto sufoca, encurrala, enlouquece.
Mantêm-me acordada à noite, quando tudo
É escuro, silencioso, vazio. Quando há espaço,
Para perceber o que resta.
O que eu não quero que haja, o que talvez queira,
O que não sei se quero. Não sei querer isto.
É um impasse que não sai daqui.
Nunca deixa de ser. Simplesmente.
Talvez numa outra vida eu pudesse...
Quem me dera poder.