«I am Jack's broken heart...»
Sentada na ponta da espiral que
desce.
Ela desce à tristeza, à loucura. Ao
inferno.
Viaja levianamente até encontrar
onde dói. Onde sinto.
Viaja e percorre os caminhos do
não-dito.
Acho que implodi, ali sentada.
Parecia calma,
Quase absorta - não estava. Gritei
por dentro.
Rasguei, desfiz, peguei fogo,
sangrei. Máscara.
Morri, voltei à vida. Estava
partida, sem saída.
O ressentimento cria um leve veneno
que sabe
Espalhar-se com o passar do tempo. Realidade.
A revolta, a raiva, a compaixão, o
abandono,
A dúvida, a crueldade, a
náusea...Tudo não-passa.
Vão e voltam (voltam sempre),
sempre em espiral
Perfeita, que nunca desiste de me
levar para baixo.
De me enterrar na verdade
inconsciente, obscura.
Talvez essa me consuma de vez.
Claro, não vou parar.
Nunca vou deixar tudo isto ir,
nunca irei conseguir
Ver o fim, a paz, o paraíso. Ter o
meu descanso.
É-me impossível apagar o passado,
mas também
Sou incapaz de calar o presente
obstinado.
Esse presente que causa mágoa, luto
por algo vivo.
Que me confunde, que me vem mostrar
a minha
Humanidade. Que me irrita, pois
continua a
Surpreender-me quando não quero (constantemente).
Não sei como recomeçar. Não me é
possível apagar
O feito - nem eu o queria,
verdadeiramente. Só gostava
De poder saber como, ver a luz...É
demasiado tarde
Para algo nascer aqui. O sol já
secou há muito:
O chão está quebrado, todos
estamos, sempre estaremos.
E é o vendaval tão incrivelmente
intenso de nada a
Fazer que me impede. Que me
desespera, dia após dia.
Lágrima após lágrima, pedaço a
pedaço.
É o castigo infernal de querer, mas
ter noção de
Que não posso; de desejar, de ter
esperança,
Mas ver de uma maneira doentia que
nunca será.
Nunca haverá isso aqui.
Sentada na ponta da espiral, que
balança.
Não sei o que sentir, quase nunca
soube -
Em tempos soube agir, mas já não. Acabou.
Liberto memórias, tento manter
outras comigo.
Mas todas elas já estão rasgadas.