07 junho, 2012

Ponteiros

É tudo tão efémero...
A vida, a felicidade, o amor.
Tudo chega e passa, vulneráveis ao vento.
Tornando tudo precário ou incerto.

Posso contemplar a segurança que finjo
Ter, posso recordar as memórias que
Tento guardar - é em vão. Tudo isso
Escapa demasiado rápido. Desaparecem.

Se tento agarrar o que importa, eles somem
Mais depressa. Só vejo o seu rasto, o que
Ficou da alegria, da tristeza, da paixão.
O pó que ficou de outra vida.

O que importa o passado, o futuro?
O presente ainda agora chegou e já vai
Embora. Vai a correr por mim, levando o
Que eu amo - quem eu amo, o que conheço.

(realidade)
O suspiro acorda-me, o bocejo desperta-me.
O grito que paira no ar relembra-me a imensidão
Do mundo, as possibilidades existentes criadas.
E é tudo tão efémero... Já acabou.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Este é daqueles textos demasiado tristes para serem bons, mas apesar de isso consegue ser ainda melhor.
Vale pela descrição, não devia valer pelo sentimento. Se a vida é curta tudo o resto é muito mais. Não sei que o posso dizer mais. Amei:"O presente ainda agora chegou e já vai Embora." E esta venerei:"O suspiro acorda-me, o bocejo desperta-me." Delicioso.

"Keep going, spiral out.." Pelo que vale a pena lutar e sentir(realmente).