Ser ou não ser, eis a questão?
Mas ser o quê, exactamente?
Não sei bem, acho que não decidi. Ainda.
Sei que respiro. Sei que o meu coração ainda bate.
Mas isso faz com que eu esteja viva?
Só posso concluir que não, porque a única coisa que me
Prende à "vida" é nada.
Vivo para nada, porque sim.
Cada segundo demora alguns séculos e cada hora é passada
A desejar que passe mais depressa.
Ser ou não ser, eis a questão?
Eu posso ser o que escolher, o problema é que não sei que escolha tomar.
Será que posso mesmo mudar assim, repentinamente?
Podia fazer alguns esforços, melhorar nos aspectos que preciso
E assim dedicava-me a construir uma pessoa melhor para mim.
Podia fazer sacrifícios para ajudar os que me rodeiam,
Para lhes ser útil e para facilitar a sua vida, que não é nada fácil.
Podia trazer algo de bom ao mundo.
Algo novo, útil.
Ou algo sem lógica.
Caramba, podia até ser algo mau, devastador!
Mas ao menos era alguma coisa.
Qualquer coisa.
Em vez disso, prefiro ficar a olhar para esta parede branca,
O dia inteiro, a pensar sabe se lá o quê.
O dia todo, neste transe. Entorpecimento.
Ser ou não ser, eis a questão?
Então o quê?
Diz-me! Porque eu não sei o que ser mais.
Isto é tudo o que posso ter reservado para mim, não é?
Os nossos actos são controlados por uma força superior
A nós, e por isso não podemos ser espontâneos.
Somos previsíveis como gotas de água a deslizar pela
Montanha abaixo, não é assim?
Já se sabe onde vão acabar, e não interessa o seu trajecto.
Foi isto que nos foi sempre dito, toda a nossa vida, e em
Consequência, agora é isto que eu sou.
Um meio termo, um ser e não ser.
Qualquer coisa, que não é coisa nenhuma.
Olho para as paredes e no entanto não encontro resposta
Para o meu dilema: ser ou não ser? Eis a questão...
10 março, 2010
08 março, 2010
Vicarious
Abrigo-me do peso gigante que a chuva coloca em cima dos meus ombros.
Deixo-a lá fora e subo as escadas, completamente encharcada.
Rodo a chave na fechadura, e após alguns segundos entro em casa, para a encontrar vazia e escura.
Vejo a chuva a cair, agora pelo vidro do quarto.
O dia está miserável e cinzento, o que não podia condizer mais com o meu espírito.
Estou com a vontade de destruição a corroer-me as veias e tu atreves-te a fingir, à minha frente.
Atreves-te a fingir para mim! Tudo, por tua causa!
O vento fustiga os vidros e eu só peço que chova, como nunca choveu!
Que um dilúvio te afogue e leve para longe de mim!
Rezo para que um sismo te destrua e abale, como tu abalaste a minha vida!
Deixando-me ser um monstro, com uma armadura gasta no tempo
Mas solidificada na sua resistência. Não espero que a desgraça te consuma
Apenas que se torne parte de ti, pela profundezas do teu ser,
Até te ajoelhares arrependido, em juras sinceras de verdadeiro perdão.
Que sintas em ti toda a humilhação, a força dos sete ventos,
Toda a tragédia na sua total manifestação...
E sentirei-me vivo, por mim próprio compreendido, observando de uma distância segura
Toda a tua degradação...
Abri os poros do meu corpo ao ódio, num abraço eterno,
Filho de almas destruidoras, que raramente criam,
Que raramente amam sem medo, que veneram destruição
Com o todo o seu louvor...
Porque não admitimos?
Porque fingimos...actuamos, iludimos, somos outros,
Sempre outros, nunca nos deixamos ser...e quando deixamos por vezes o pior
Acontece.
É aí que se resume todo um erro histórico:
Quando um Homem mau tenta fazer algo de bom.
Tudo piora ou nada se altera.
Porque não admitimos?
Porque é que não conseguimos admitir que é disto que precisamos para sobreviver?
Ver a miséria à nossa volta, só para vermos que estamos melhor que eles.
Porquê? Porque não admitimos que gostamos da destruição? Da ruína...
Do sabor do ódio na nossa boca. Porque apesar de nunca o queremos sentir, acabamos por voltar a ele, uma, e outra, e outra vez.
Eu sei que é assim.
Enquanto canto ao vento as minhas palavras de revolta e raiva, a chuva parece compreender.
E começa a cair mais forte, com mais velocidade. Com mais vontade, capaz de realizar o meu desejo.
E agora? Sei que possivelmente se tu acabasses, o meu mundo não iria ficar melhor. Mas iria ajudar a minha alma completamente em ruínas a sarar.
Será que não percebes? Preferes fingir que nada aconteceu?
Eu não consigo fazer isso. Lamento. Mas sei que prefiro odiar cada coisa tua, a fingir um sorriso, só para aliviar a tua consciência, não a minha. Não dizer um “olá” falso só para tu pensares que está tudo bem.
Que podes adormecer em paz, enquanto eu debato a noite toda com a tua presença a estragar todos os meus sonhos!
Sim, eu admito! Eu gosto de ver as coisas destruídas! Especialmente quando essas coisas são tuas. Quando elas são, tu.
Sim eu admito!
Aquele dia chegou. Aquele dia que um dia temi, mas que hoje agradeço. Celebro.
Aquele em que só a simples menção do teu nome me causa repulsa.
Esse dia chegou, finalmente. E estou aliviada com a sua chegada.
Como se fosse o inicio do fim, um acontecimento sem lugar na história,
Mas com o significado mais importante de sempre.
Somos seres incríveis, monstros terríveis
Que actuam num palco de ilusão disfarçados de vários papéis.
Por último, quando um suspiro final fica preso nos lábios
Percebes que nunca te deixaste ser, que foste
Sempre um mendigo que aguarda mais depressa a morte
Que a ajuda de outrem...
Que não saltaste na hora de saltar, e que negaste o amor
E a felicidade, viraste as costas e como um cobarde choraste
Por teres medo de amar e ser feliz.
Somos imperfeitos...mas isso não é razão para prolongar o erro.
Errar é o humano mas não deve ser nossa vontade errar para
Prolongar a imperfeição.
Sou escrito, sou melancolia, numa força pequena, quase rouca,
Voz que se mantém viva até morrer,
Sou questão louca, sou atrevimento
Num mundo que se mascara de preto quando na verdade é cinzento.
E somos poucos e somos loucos, mas com vontade forte de nunca parar,
E estamos junto por um mundo melhor
Preparados para fazer romper pessoas que como tu
Vieram para ficar...
[Colaboração com o grande Diogo Garcia: http://versologista.blogspot.com/]
Deixo-a lá fora e subo as escadas, completamente encharcada.
Rodo a chave na fechadura, e após alguns segundos entro em casa, para a encontrar vazia e escura.
Vejo a chuva a cair, agora pelo vidro do quarto.
O dia está miserável e cinzento, o que não podia condizer mais com o meu espírito.
Estou com a vontade de destruição a corroer-me as veias e tu atreves-te a fingir, à minha frente.
Atreves-te a fingir para mim! Tudo, por tua causa!
O vento fustiga os vidros e eu só peço que chova, como nunca choveu!
Que um dilúvio te afogue e leve para longe de mim!
Rezo para que um sismo te destrua e abale, como tu abalaste a minha vida!
Deixando-me ser um monstro, com uma armadura gasta no tempo
Mas solidificada na sua resistência. Não espero que a desgraça te consuma
Apenas que se torne parte de ti, pela profundezas do teu ser,
Até te ajoelhares arrependido, em juras sinceras de verdadeiro perdão.
Que sintas em ti toda a humilhação, a força dos sete ventos,
Toda a tragédia na sua total manifestação...
E sentirei-me vivo, por mim próprio compreendido, observando de uma distância segura
Toda a tua degradação...
Abri os poros do meu corpo ao ódio, num abraço eterno,
Filho de almas destruidoras, que raramente criam,
Que raramente amam sem medo, que veneram destruição
Com o todo o seu louvor...
Porque não admitimos?
Porque fingimos...actuamos, iludimos, somos outros,
Sempre outros, nunca nos deixamos ser...e quando deixamos por vezes o pior
Acontece.
É aí que se resume todo um erro histórico:
Quando um Homem mau tenta fazer algo de bom.
Tudo piora ou nada se altera.
Porque não admitimos?
Porque é que não conseguimos admitir que é disto que precisamos para sobreviver?
Ver a miséria à nossa volta, só para vermos que estamos melhor que eles.
Porquê? Porque não admitimos que gostamos da destruição? Da ruína...
Do sabor do ódio na nossa boca. Porque apesar de nunca o queremos sentir, acabamos por voltar a ele, uma, e outra, e outra vez.
Eu sei que é assim.
Enquanto canto ao vento as minhas palavras de revolta e raiva, a chuva parece compreender.
E começa a cair mais forte, com mais velocidade. Com mais vontade, capaz de realizar o meu desejo.
E agora? Sei que possivelmente se tu acabasses, o meu mundo não iria ficar melhor. Mas iria ajudar a minha alma completamente em ruínas a sarar.
Será que não percebes? Preferes fingir que nada aconteceu?
Eu não consigo fazer isso. Lamento. Mas sei que prefiro odiar cada coisa tua, a fingir um sorriso, só para aliviar a tua consciência, não a minha. Não dizer um “olá” falso só para tu pensares que está tudo bem.
Que podes adormecer em paz, enquanto eu debato a noite toda com a tua presença a estragar todos os meus sonhos!
Sim, eu admito! Eu gosto de ver as coisas destruídas! Especialmente quando essas coisas são tuas. Quando elas são, tu.
Sim eu admito!
Aquele dia chegou. Aquele dia que um dia temi, mas que hoje agradeço. Celebro.
Aquele em que só a simples menção do teu nome me causa repulsa.
Esse dia chegou, finalmente. E estou aliviada com a sua chegada.
Como se fosse o inicio do fim, um acontecimento sem lugar na história,
Mas com o significado mais importante de sempre.
Somos seres incríveis, monstros terríveis
Que actuam num palco de ilusão disfarçados de vários papéis.
Por último, quando um suspiro final fica preso nos lábios
Percebes que nunca te deixaste ser, que foste
Sempre um mendigo que aguarda mais depressa a morte
Que a ajuda de outrem...
Que não saltaste na hora de saltar, e que negaste o amor
E a felicidade, viraste as costas e como um cobarde choraste
Por teres medo de amar e ser feliz.
Somos imperfeitos...mas isso não é razão para prolongar o erro.
Errar é o humano mas não deve ser nossa vontade errar para
Prolongar a imperfeição.
Sou escrito, sou melancolia, numa força pequena, quase rouca,
Voz que se mantém viva até morrer,
Sou questão louca, sou atrevimento
Num mundo que se mascara de preto quando na verdade é cinzento.
E somos poucos e somos loucos, mas com vontade forte de nunca parar,
E estamos junto por um mundo melhor
Preparados para fazer romper pessoas que como tu
Vieram para ficar...
[Colaboração com o grande Diogo Garcia: http://versologista.blogspot.com/]
01 março, 2010
Palavras Trá-las o Vento
Grito aos sete ventos.
Grito o que mais ninguém ouve.
Grito o que sinto. Solto-o cá para fora.
Sou olhada, mas não vista.
Sou ouvida, mas não escutada.
Mexo-me, mas não sou notada.
Aí está a chave.
Não perguntes, lê nas entrelinhas!
Está lá tudo o que precisas.
Está lá o que o uma voz me sussurra ao ouvido,
Todos os dias.
Uma voz que vem de dentro.
Voz que tento combater, que tento esmorecer, mas não consigo.
Porque se alimenta das minhas fraquezas, das minhas incertezas.
Ninguém me consegue ler, e no entanto, eu escrevo-me
Várias vezes, tantas vezes...
Percebe, por favor, percebe-me!
Eu não sou assim tão indefinida.
Eu não sou assim tão complexa.
Só peço que leias o que lá está, o que eu não te posso dizer.
Tens de descobrir por ti próprio.
Já aprendi finalmente a comunicar.
Ou melhor, reaprendi esse instrumento que me tem ajudado
A ajudar. E a ser ajudada.
Não sei porque é que o esqueci ou pus de parte,
Mas agora que o tenho de volta, tenho de o praticar.
Ajudas-me? Preciso mesmo que me descodifiques.
Já te dei todas as pistas possíveis, agora és tu que tens de perceber o resultado.
Mas nem há possibilidades infinitas...É básico.
Se somares dois com dois, onde quer que estejas, será sempre quatro.
Eu sou como essa soma.
Quanto mais dás, mais recebes. E eu não sou complicada, como vês.
Estou só à espera que alguém venha, e por milagre, me compreenda.
Me leia e diga que está tudo bem. Que é normal sentir-me assim.
Eu grito aos sete ventos.
Grito porque eles ouvem o que eu digo.
Grito porque eles me respondem com o que lhes disse,
E isso faz-me sentir menos sozinha, menos deslocada do contexto.
É verdade que sempre gostei de cruzar os limites e de ir mais além.
Passar as barreiras impostas. Mas tirando isso, sou fácil de entender.
Consegues ler-me, finalmente?
Basta perguntares ao vento, e ele dirá o que precisas de saber.
Grito o que mais ninguém ouve.
Grito o que sinto. Solto-o cá para fora.
Sou olhada, mas não vista.
Sou ouvida, mas não escutada.
Mexo-me, mas não sou notada.
Aí está a chave.
Não perguntes, lê nas entrelinhas!
Está lá tudo o que precisas.
Está lá o que o uma voz me sussurra ao ouvido,
Todos os dias.
Uma voz que vem de dentro.
Voz que tento combater, que tento esmorecer, mas não consigo.
Porque se alimenta das minhas fraquezas, das minhas incertezas.
Ninguém me consegue ler, e no entanto, eu escrevo-me
Várias vezes, tantas vezes...
Percebe, por favor, percebe-me!
Eu não sou assim tão indefinida.
Eu não sou assim tão complexa.
Só peço que leias o que lá está, o que eu não te posso dizer.
Tens de descobrir por ti próprio.
Já aprendi finalmente a comunicar.
Ou melhor, reaprendi esse instrumento que me tem ajudado
A ajudar. E a ser ajudada.
Não sei porque é que o esqueci ou pus de parte,
Mas agora que o tenho de volta, tenho de o praticar.
Ajudas-me? Preciso mesmo que me descodifiques.
Já te dei todas as pistas possíveis, agora és tu que tens de perceber o resultado.
Mas nem há possibilidades infinitas...É básico.
Se somares dois com dois, onde quer que estejas, será sempre quatro.
Eu sou como essa soma.
Quanto mais dás, mais recebes. E eu não sou complicada, como vês.
Estou só à espera que alguém venha, e por milagre, me compreenda.
Me leia e diga que está tudo bem. Que é normal sentir-me assim.
Eu grito aos sete ventos.
Grito porque eles ouvem o que eu digo.
Grito porque eles me respondem com o que lhes disse,
E isso faz-me sentir menos sozinha, menos deslocada do contexto.
É verdade que sempre gostei de cruzar os limites e de ir mais além.
Passar as barreiras impostas. Mas tirando isso, sou fácil de entender.
Consegues ler-me, finalmente?
Basta perguntares ao vento, e ele dirá o que precisas de saber.
28 fevereiro, 2010
Paragem
Às 4:40 da manhã o meu relógio parou.
Isso implica que o tempo também o tenha feito?
Deduzo que não, porque olho à volta e tudo parece normal.
Acho que se o tempo tivesse parado, nada estaria igual.
Nem mesmo eu.
Levanto-me e olho pela janela. Não se vê ninguém,
Mas que horas serão? O sol ainda nem nasceu...
Procuro pelo relógio, mas relembro que ele parou: 4:40.
E agora? Estou tão acostumada a este pequeno objecto que
Marca todos os segundos do meu dia!
Estou demasiado habituada a consultá-lo várias vezes,
Na esperança de ver o dia aumentar algumas horas.
Descubro que são 5:30, o que explica a falta de pessoas na rua.
No resto da casa a minha família repousa descansada, sem sequer
Imaginar que eu estou acordada a pensar se o tempo parou.
Bebo água na cozinha, na esperança de dissolver este nó que se
Formou na minha garganta, mas sem resultado.
Olho o céu, pela janela agora da cozinha, e encontro-o com uma tonalidade completamene banal. Nada de estranho, outra vez.
Volto ao meu quarto e tento adormecer, mas na verdade,
Por muito que tente, não consigo.
É que o silêncio é demasiado esmagador.
Experimentem tentar ouvir o silêncio, e vejam como ele é barulhento.
Sento-me e olho à volta. Está tudo normal, mas porque me sinto assim?
Está tudo normal!
Ligo o rádio e ouço as notícias: acidentes, trânsito e previsões de bom tempo, ou seja, tudo como costume.
Consulto o relógio para ver quanto tempo passou, mas lembro-me que está parado.
Se não estivesse, tinha de ser o tempo, porque ainda eram 4:40.
O tempo passava, e nada acontecia.
Começo a rir baixinho e penso "deixa-te disso".
Mas começo a pensar que até um relógio parado está certo duas vezes ao dia.
Como adivinhar essas duas alturas se ele está parado?
E se perguntarmos ao tempo, quanto tempo ele tem, o que nos responderá?
Fico nesta espiral de pensamentos sobre o tempo, que me afligem. Confundem-me.
É que parece que ele me escorre por entre os dedos, e que todos os segundos me fogem, obrigando-me a correr atrás dele o tempo todo.
O meu relógio parou às 4:40 da manhã.
Isso implica que também eu o tenha feito?
Isso implica que o tempo também o tenha feito?
Deduzo que não, porque olho à volta e tudo parece normal.
Acho que se o tempo tivesse parado, nada estaria igual.
Nem mesmo eu.
Levanto-me e olho pela janela. Não se vê ninguém,
Mas que horas serão? O sol ainda nem nasceu...
Procuro pelo relógio, mas relembro que ele parou: 4:40.
E agora? Estou tão acostumada a este pequeno objecto que
Marca todos os segundos do meu dia!
Estou demasiado habituada a consultá-lo várias vezes,
Na esperança de ver o dia aumentar algumas horas.
Descubro que são 5:30, o que explica a falta de pessoas na rua.
No resto da casa a minha família repousa descansada, sem sequer
Imaginar que eu estou acordada a pensar se o tempo parou.
Bebo água na cozinha, na esperança de dissolver este nó que se
Formou na minha garganta, mas sem resultado.
Olho o céu, pela janela agora da cozinha, e encontro-o com uma tonalidade completamene banal. Nada de estranho, outra vez.
Volto ao meu quarto e tento adormecer, mas na verdade,
Por muito que tente, não consigo.
É que o silêncio é demasiado esmagador.
Experimentem tentar ouvir o silêncio, e vejam como ele é barulhento.
Sento-me e olho à volta. Está tudo normal, mas porque me sinto assim?
Está tudo normal!
Ligo o rádio e ouço as notícias: acidentes, trânsito e previsões de bom tempo, ou seja, tudo como costume.
Consulto o relógio para ver quanto tempo passou, mas lembro-me que está parado.
Se não estivesse, tinha de ser o tempo, porque ainda eram 4:40.
O tempo passava, e nada acontecia.
Começo a rir baixinho e penso "deixa-te disso".
Mas começo a pensar que até um relógio parado está certo duas vezes ao dia.
Como adivinhar essas duas alturas se ele está parado?
E se perguntarmos ao tempo, quanto tempo ele tem, o que nos responderá?
Fico nesta espiral de pensamentos sobre o tempo, que me afligem. Confundem-me.
É que parece que ele me escorre por entre os dedos, e que todos os segundos me fogem, obrigando-me a correr atrás dele o tempo todo.
O meu relógio parou às 4:40 da manhã.
Isso implica que também eu o tenha feito?
25 fevereiro, 2010
Alegoria da Caixa
Escuridão é tudo o que vejo.
Tento mexer-me, mas estou presa. Algemada.
Tento gritar, mas estou silenciada. Amordaçada.
Onde estou? Como vim aqui parar?
Só me lembro de ver esta escuridão à minha volta.
É a minha última lembrança.
Quem me trouxe? E porque o fez?
Estas e outras tantas perguntas percorrem a minha
Cabeça à velocidade da luz.
O que é que me está a acontecer?
Estou assustada, encurralada.
Não sei o que fazer ou o que pensar.
Aos poucos, se mexer as mãos, sinto o pano que as ata,
A desfazer-se. É aí que reside a chave para a minha
Salvação. Mas o pano não dá de si e começo a perder
A ponta de esperança que tinha ganho.
Sou uma paciente forçada, com pouca paciência.
Levanto-me na penumbra e procuro por algo que me ajude.
Encontro uma maçaneta e ouço vozes do outro lado.
Corto o pano com a sua ajuda e retiro a mordaça.
Respiro fundo e empurro a porta com força, para tentar
Demonstrar que não tenho medo (embora tenha),
E que tenho coragem (isso já não tanto).
Afasto a luz do sol, com a mão, da frente dos olhos. Claridade.
Estou numa rua, repleta de pessoas embrenhadas nas suas vidas.
A falar ao telemóvel e a enviar mensagens de importância.
Olho à minha volta enquanto caminho. Mas afinal o que se passou?
Como fui ali parar, àquele cubículo sem luz?
Será que me perdi algures? Foi isso!
Perdi-me de mim, deixei de me ver, deixei-me perder. E agora?
Como me encontro?
De repente, aparecem pessoas muito altas, de todos os lados.
Não parecem ver-me, ou melhor parecem fingi-lo.
E dirigem-se todos a mim. Empurram-me de um lado para o outro
Como uma pequena partícula de ar, comandando o meu destino.
Fizeram-me caminhar alguns metros no meio deles, sem ver mais nada
À frente, o que me levou a um beco sem aparente saída.
Mas havia uma porta (há sempre um caminho a seguir) na qual eu entrei.
De volta à escuridão, com um vislumbre de claridade.
Eis que me descobri amordaçada dentro de mim mesma, sem saber onde me encontrava realmente.
Sei agora que nunca mais me quero voltar a perder.
Tento mexer-me, mas estou presa. Algemada.
Tento gritar, mas estou silenciada. Amordaçada.
Onde estou? Como vim aqui parar?
Só me lembro de ver esta escuridão à minha volta.
É a minha última lembrança.
Quem me trouxe? E porque o fez?
Estas e outras tantas perguntas percorrem a minha
Cabeça à velocidade da luz.
O que é que me está a acontecer?
Estou assustada, encurralada.
Não sei o que fazer ou o que pensar.
Aos poucos, se mexer as mãos, sinto o pano que as ata,
A desfazer-se. É aí que reside a chave para a minha
Salvação. Mas o pano não dá de si e começo a perder
A ponta de esperança que tinha ganho.
Sou uma paciente forçada, com pouca paciência.
Levanto-me na penumbra e procuro por algo que me ajude.
Encontro uma maçaneta e ouço vozes do outro lado.
Corto o pano com a sua ajuda e retiro a mordaça.
Respiro fundo e empurro a porta com força, para tentar
Demonstrar que não tenho medo (embora tenha),
E que tenho coragem (isso já não tanto).
Afasto a luz do sol, com a mão, da frente dos olhos. Claridade.
Estou numa rua, repleta de pessoas embrenhadas nas suas vidas.
A falar ao telemóvel e a enviar mensagens de importância.
Olho à minha volta enquanto caminho. Mas afinal o que se passou?
Como fui ali parar, àquele cubículo sem luz?
Será que me perdi algures? Foi isso!
Perdi-me de mim, deixei de me ver, deixei-me perder. E agora?
Como me encontro?
De repente, aparecem pessoas muito altas, de todos os lados.
Não parecem ver-me, ou melhor parecem fingi-lo.
E dirigem-se todos a mim. Empurram-me de um lado para o outro
Como uma pequena partícula de ar, comandando o meu destino.
Fizeram-me caminhar alguns metros no meio deles, sem ver mais nada
À frente, o que me levou a um beco sem aparente saída.
Mas havia uma porta (há sempre um caminho a seguir) na qual eu entrei.
De volta à escuridão, com um vislumbre de claridade.
Eis que me descobri amordaçada dentro de mim mesma, sem saber onde me encontrava realmente.
Sei agora que nunca mais me quero voltar a perder.
20 fevereiro, 2010
A Praia
Leve brisa que me afaga a cara e que
Mexe nos meus cabelos.
Sorrio. Se todas as noites fossem com esta...
Oiço uma nota de piano, ao longe e o som feliz de
Trechos de conversas animadas e risos.
Passo as mãos pelos ombros, não por ter frio,
Mas para aconchegar a alma que teima em fugir
De sítio, irrequieta.
Faz sempre isto, quando está contente e calma.
Vou caminhando, sentindo a areia ligeiramente húmida
E uma ocasional orla de espuma que me molha a bainha do vestido.
Olho para a tela negra cheia de pontos brilhantes que me acenam
Lá de cima, e para a luz que me guia, a Lua.
Tão branca e cheia que me faz sentir protegida.
Sorrio. Se todas as noites fossem assim...
Avanço no areal e vou-me aproximando cada vez mais de rochas negras
Que namoriscam com o mar de cada vez que ele as visita.
Estão cheias de algas vistosas que não têm pressa de as abandonar.
Assim que as alcanço, dou meia volta e o meu destino é agora outro.
O guia de muitos barcos não naufragados, o guia de muitos perdidos.
Inalo o cheiro a maresia, forte, e nesse preciso instante, só durante escassos
Segundos, senti-me parte da praia.
Gotas finas e suaves; leves e pequenas começam a cair lentamente em cima de mim.
Começam a afagar-me ternamente enquanto eu levanto os braços
Para poder sentir ainda mais a chuva.
Cheguei ao farol que me banhou com a sua luz intensa.
Passei a mão pela sua superfície rugosa e de seguida
A brisa conduziu-me de volta ao pontão que me levou de volta a casa.
Antes de entrar, olhei para o cenário que decorria atrás de mim.
Havia pessoas a passearam à beira-mar, umas a irem, outras a virem,
Mas todas riam e estavam felizes, como eu.
Sorri. Se todas as noites fossem como esta, esta não teria sido tão diferente.
Mexe nos meus cabelos.
Sorrio. Se todas as noites fossem com esta...
Oiço uma nota de piano, ao longe e o som feliz de
Trechos de conversas animadas e risos.
Passo as mãos pelos ombros, não por ter frio,
Mas para aconchegar a alma que teima em fugir
De sítio, irrequieta.
Faz sempre isto, quando está contente e calma.
Vou caminhando, sentindo a areia ligeiramente húmida
E uma ocasional orla de espuma que me molha a bainha do vestido.
Olho para a tela negra cheia de pontos brilhantes que me acenam
Lá de cima, e para a luz que me guia, a Lua.
Tão branca e cheia que me faz sentir protegida.
Sorrio. Se todas as noites fossem assim...
Avanço no areal e vou-me aproximando cada vez mais de rochas negras
Que namoriscam com o mar de cada vez que ele as visita.
Estão cheias de algas vistosas que não têm pressa de as abandonar.
Assim que as alcanço, dou meia volta e o meu destino é agora outro.
O guia de muitos barcos não naufragados, o guia de muitos perdidos.
Inalo o cheiro a maresia, forte, e nesse preciso instante, só durante escassos
Segundos, senti-me parte da praia.
Gotas finas e suaves; leves e pequenas começam a cair lentamente em cima de mim.
Começam a afagar-me ternamente enquanto eu levanto os braços
Para poder sentir ainda mais a chuva.
Cheguei ao farol que me banhou com a sua luz intensa.
Passei a mão pela sua superfície rugosa e de seguida
A brisa conduziu-me de volta ao pontão que me levou de volta a casa.
Antes de entrar, olhei para o cenário que decorria atrás de mim.
Havia pessoas a passearam à beira-mar, umas a irem, outras a virem,
Mas todas riam e estavam felizes, como eu.
Sorri. Se todas as noites fossem como esta, esta não teria sido tão diferente.
06 fevereiro, 2010
Walk Away
Não vale a pena. É o que me ocorre.
Serei odiável por isso? Por pensar asim...
Acho que não. Mas é o que sinto de verdade.
É este sentimento de individualismo que talvez me separe de vocês.
Mas, não é isso.
É algo mais. É aquela velha sensação que mistura pertença e vontade de pertencer, que eu não sinto.
Porque olho à minha volta, e apesar de me serem familiares, não são a minha família.
Não são as pessoas que quero ter à minha volta, e não consigo evitar recordar que outrora, eu tive essa família.
Pergunto-me o que lhe terá acontecido...
Agora olho à volta e o que me ocorre é, não quero saber. Não vale o esforço.
E nem me quero enterrar muito, porque sei que talvez pudesse tornar-me numa de vós.
Mas à medida que os meus tornezos se vão afundando, o meu impulso é sair dali o mais rápido possível.
Porque será? Porque não me quero ligar a vocês?
Sei que com vocês estou muitas vezes sufocada, e sem vocês, posso respirar livremente.
Com vocês caminho para a forca, sem vocês, caminho para a liberdade.
E é assim. É estranho, como tenho a capacidade de lutar tanto por uns, e tão pouco por outros, que até podem valer mais a pena do que os que desperdiçam o meu tempo.
Mas não quero saber.
Somos diferentes. E também iguais.
Só que vocês tomam essas atitudes e dizem essas coisas. São assim, e são felizes.
Enganam-se a vocês próprios. Contradizem-se e com isso só me fazem rir.
Eu não sou assim. Eu não ajo dessa maneira.
Eu não digo essas coisas. E sobretudo, eu não sou hipocrita.
Não tiro falsos juízos, não condeno, não crio pré-conceitos.
Na verdade, eu podia ser como vocês.
Eu também tenho falhas! Eu também tenho defeitos!
Simplesmente não consigo conceber o vosso pequeno mundo, a vossa mentalidade.
As vossas regras e maneiras de ser.
E é assim. É estranho, mas realmente, é isso que nos separa.
Finalmente percebi.
E embora possa estar a agir mal, eu estou a virar costas e a ir embora, na direcção oposta à vossa.
Serei odiável por isso? Por pensar asim...
Acho que não. Mas é o que sinto de verdade.
É este sentimento de individualismo que talvez me separe de vocês.
Mas, não é isso.
É algo mais. É aquela velha sensação que mistura pertença e vontade de pertencer, que eu não sinto.
Porque olho à minha volta, e apesar de me serem familiares, não são a minha família.
Não são as pessoas que quero ter à minha volta, e não consigo evitar recordar que outrora, eu tive essa família.
Pergunto-me o que lhe terá acontecido...
Agora olho à volta e o que me ocorre é, não quero saber. Não vale o esforço.
E nem me quero enterrar muito, porque sei que talvez pudesse tornar-me numa de vós.
Mas à medida que os meus tornezos se vão afundando, o meu impulso é sair dali o mais rápido possível.
Porque será? Porque não me quero ligar a vocês?
Sei que com vocês estou muitas vezes sufocada, e sem vocês, posso respirar livremente.
Com vocês caminho para a forca, sem vocês, caminho para a liberdade.
E é assim. É estranho, como tenho a capacidade de lutar tanto por uns, e tão pouco por outros, que até podem valer mais a pena do que os que desperdiçam o meu tempo.
Mas não quero saber.
Somos diferentes. E também iguais.
Só que vocês tomam essas atitudes e dizem essas coisas. São assim, e são felizes.
Enganam-se a vocês próprios. Contradizem-se e com isso só me fazem rir.
Eu não sou assim. Eu não ajo dessa maneira.
Eu não digo essas coisas. E sobretudo, eu não sou hipocrita.
Não tiro falsos juízos, não condeno, não crio pré-conceitos.
Na verdade, eu podia ser como vocês.
Eu também tenho falhas! Eu também tenho defeitos!
Simplesmente não consigo conceber o vosso pequeno mundo, a vossa mentalidade.
As vossas regras e maneiras de ser.
E é assim. É estranho, mas realmente, é isso que nos separa.
Finalmente percebi.
E embora possa estar a agir mal, eu estou a virar costas e a ir embora, na direcção oposta à vossa.
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