Leve brisa que me afaga a cara e que
Mexe nos meus cabelos.
Sorrio. Se todas as noites fossem com esta...
Oiço uma nota de piano, ao longe e o som feliz de
Trechos de conversas animadas e risos.
Passo as mãos pelos ombros, não por ter frio,
Mas para aconchegar a alma que teima em fugir
De sítio, irrequieta.
Faz sempre isto, quando está contente e calma.
Vou caminhando, sentindo a areia ligeiramente húmida
E uma ocasional orla de espuma que me molha a bainha do vestido.
Olho para a tela negra cheia de pontos brilhantes que me acenam
Lá de cima, e para a luz que me guia, a Lua.
Tão branca e cheia que me faz sentir protegida.
Sorrio. Se todas as noites fossem assim...
Avanço no areal e vou-me aproximando cada vez mais de rochas negras
Que namoriscam com o mar de cada vez que ele as visita.
Estão cheias de algas vistosas que não têm pressa de as abandonar.
Assim que as alcanço, dou meia volta e o meu destino é agora outro.
O guia de muitos barcos não naufragados, o guia de muitos perdidos.
Inalo o cheiro a maresia, forte, e nesse preciso instante, só durante escassos
Segundos, senti-me parte da praia.
Gotas finas e suaves; leves e pequenas começam a cair lentamente em cima de mim.
Começam a afagar-me ternamente enquanto eu levanto os braços
Para poder sentir ainda mais a chuva.
Cheguei ao farol que me banhou com a sua luz intensa.
Passei a mão pela sua superfície rugosa e de seguida
A brisa conduziu-me de volta ao pontão que me levou de volta a casa.
Antes de entrar, olhei para o cenário que decorria atrás de mim.
Havia pessoas a passearam à beira-mar, umas a irem, outras a virem,
Mas todas riam e estavam felizes, como eu.
Sorri. Se todas as noites fossem como esta, esta não teria sido tão diferente.
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