Escuridão é tudo o que vejo.
Tento mexer-me, mas estou presa. Algemada.
Tento gritar, mas estou silenciada. Amordaçada.
Onde estou? Como vim aqui parar?
Só me lembro de ver esta escuridão à minha volta.
É a minha última lembrança.
Quem me trouxe? E porque o fez?
Estas e outras tantas perguntas percorrem a minha
Cabeça à velocidade da luz.
O que é que me está a acontecer?
Estou assustada, encurralada.
Não sei o que fazer ou o que pensar.
Aos poucos, se mexer as mãos, sinto o pano que as ata,
A desfazer-se. É aí que reside a chave para a minha
Salvação. Mas o pano não dá de si e começo a perder
A ponta de esperança que tinha ganho.
Sou uma paciente forçada, com pouca paciência.
Levanto-me na penumbra e procuro por algo que me ajude.
Encontro uma maçaneta e ouço vozes do outro lado.
Corto o pano com a sua ajuda e retiro a mordaça.
Respiro fundo e empurro a porta com força, para tentar
Demonstrar que não tenho medo (embora tenha),
E que tenho coragem (isso já não tanto).
Afasto a luz do sol, com a mão, da frente dos olhos. Claridade.
Estou numa rua, repleta de pessoas embrenhadas nas suas vidas.
A falar ao telemóvel e a enviar mensagens de importância.
Olho à minha volta enquanto caminho. Mas afinal o que se passou?
Como fui ali parar, àquele cubículo sem luz?
Será que me perdi algures? Foi isso!
Perdi-me de mim, deixei de me ver, deixei-me perder. E agora?
Como me encontro?
De repente, aparecem pessoas muito altas, de todos os lados.
Não parecem ver-me, ou melhor parecem fingi-lo.
E dirigem-se todos a mim. Empurram-me de um lado para o outro
Como uma pequena partícula de ar, comandando o meu destino.
Fizeram-me caminhar alguns metros no meio deles, sem ver mais nada
À frente, o que me levou a um beco sem aparente saída.
Mas havia uma porta (há sempre um caminho a seguir) na qual eu entrei.
De volta à escuridão, com um vislumbre de claridade.
Eis que me descobri amordaçada dentro de mim mesma, sem saber onde me encontrava realmente.
Sei agora que nunca mais me quero voltar a perder.
3 comentários:
Às vezes as melhores palavras são difíceis de compreender, pelo menos à primeira vista. Por sorte tenho a honra de viver ao teu lado e dessa forma ajudares-me a compreender melhor. Este é um texto muito belo, à sua peculiar maneira, interessante, que nos revolta por no fim de contas termos dúvidas sobre nós. Onde pertencemos, o que devemos fazer.
A sublinhar:
"Sou uma paciente forçada, com pouca paciência."
"Demonstrar que não tenho medo (embora tenha),
E que tenho coragem (isso já não tanto)."
"Empurram-me de um lado para o outro
Como uma pequena partícula de ar, comandando o meu destino."
Muito parabéns, keep going :) *
Adoro-te
Curtiii bue primaaa :D
escreves bue bem (:
BEijoca boa **
P.S. Ass: João :D
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