Um torpor dócil, familiar e seguro.
Um torpor repleto de leveza,
Mas que é pesado ao mesmo tempo.
Vem seguido de um vislumbre do mundo
Que se avizinha. Tempo que ainda é
miragem.
Risos distantes, palavras ecoadas pelo
vento.
O calor palpável que rodeia a azáfama
destas
Ruas estreitas e tumultuosas.
A leve brisa que me traz momentos
invisíveis
A todos, menos a mim. Eu consigo vê-los
agora
Mesmo à minha frente.
É como uma velha cantiga que me embala.
Deixa-me ser quem sou, sentir o que
desejo.
Leva-me a divagar por sítios onde nunca
estive,
Onde talvez nunca estarei.
Mas nestas noites de céu azul,
Em que as sensações brincam à flor da
pele,
Eu sinto-me quase infinita. O mundo
inteiro vive através de mim.
E eu estou em paz.
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