08 outubro, 2014

Last Song I'm Wasting on You

«And if I tell myself that nothing's wrong, this doesn't have to be a sad song»

Estou parada, imóvel.
Estou no centro de tudo, rodeada por todos.
Todos me vêem, mas alguns não reparam em mim.
Sinto-me exposta, vulnerável. Sinto o seu escrutínio,
Envolta apenas por uma fina camada de vidro.
Tão frágil, que o mais ligeiro toque da minha impressão
Digital o faria quebrar. Acho que já estalou...
Desistir é difícil. Muito mais impossívl do que continuar a tentar.
Torna-se doloroso tentar apagar o que está incrustado no meu ser.
O meu espírito tenta manter-se inabalável, noite após noite.
Tento manter-me à tona, bloquear o que houve. E o que restou...
Mas estranhamente, uma parte de mim vai contra a minha tentativa
De auto-preservação. Uma que não quer que eu esqueça,
Que siga em frente. Não me deixar ir em paz.
Sinto o fogo muito perto, o fumo a sufocar-me. As labaredas
Em volta do meu pescoço, não me deixando respirar.
Isto não foi escolha minha, foi-me imposto. Envolveu-me sem dar conta.
O buraco negro foi crescendo e afogando o barulho lentamente.
Só sobrou o silêncio, o vazio. O negro engoliu toda a luz, toda a possibilidade.
Toda a esperança...Até essa foi embora.
Ignoro os terrores noturnos, a ideia que não consigo sacudir de mim.
Saio à rua e respiro fundo - não há fumo, não há fogo. Não há negro nenhum.
Se aprendi a lição desta vez, não sei. Se terei paz, só o futuro dirá.
Mas penso que desta vez vou reescrever este final que tão bem conheço.
Não o quero assim, nunca mais. Vou dar-lhe o rumo que merece, que precisa.
Vou dizer a mim mesma que não vou ter saudades suas, que não estava destinado.
Vou continuar o meu caminho, um pé depois do outro.
Vou reparar o vidro à minha volta, vou deixar de ser, de estar,
                   Em exposição.

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