06 outubro, 2014

(Síndrome de) Coração Partido

Um coração despedaçado também bate.
Ele está assim por muitos motivos.
Alguns não merecem ser mencionados...
O meu coração está em vários locais ao mesmo tempo -
Onde reside o fascínio por explicar,
Onde reside a liberdade.
Onde reside o amor...
Então se assim é, como posso ser una?
Como posso ser inteira, uma só?
Acho que sou várias; quero estar em
Toda a parte em simultâneo. Quero percorrer
As mais longínquas falésias, as mais distantes
Ribanceiras. Quero ver montes e vales,
Quero estar rodeada de neve e nos prados solarengos.
Quero ver tudo e todos. Quero absorver o mundo inteiro,
Num só delicioso e inesperado trago.
Quero conhecer, quero explorar, quero viver.
 Acima de tudo, viver.
Mas isto escapa-me, é demasiado para se querer.
Nunca o poderei alcançar.
E fico assim, o meu ser esfumando-se lentamente,
Tornando-me em areia, em pó. Despedaçando-me
Para deixar de existir.
Imaterial, incorpórea, etérea. Desfaço-me em vestígios
Do corpo que tive. Da cinza à cinza...
Desfaço-me para para voltar a ser inteira.
Para ser líquida, água pura.
Espalho-me por todos os recantos, alastro os meus longos
Membros e escorro sem parar.
Chego ao fim do mundo e volto a desmanchar-me, num
Ciclo que é constante, inevitável.
Torno-me assim poeira, para voltar a ser inteira. Para voltar a ser, eu.

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