Fazes-me tão triste...tão incrivelmente triste.
No teu verdadeiro ser despido de preconceito,
Banhado de inocência, ainda não estás corrompida. É estranho pensar que uma parte de ti está fora de perigo.
Só sonhas. Não ousas alcançar o céu e a lua.
És simplesmente. Só colhes os frutos que são teus. Há silêncio e uma estranha melodia no vento. São as vozes que nunca foram ouvidas a sussurrar.
Ver-te assim, tão viva, tão pura corta-me o coração. Faz parar a respiração, faz-me imaginar todos os que nunca foram vistos, todos os que ainda aí estão. O isolamento é assombrador, a solidão esmagadora.
És a simplicidade, as raízes da nossa infância antiga. Foste tu que nos viste crescer, que nos deixaste ir quando chegou a hora. E aí ficaste, na penumbra, no esquecimento. O tempo não parece passar por aí.
Talvez nunca tenhas visto o oceano. Talvez nunca tenhas visto o mundo lá fora, longe do teu refúgio. Se calhar, nunca viste a terra vista do espaço...Talvez nunca venhas a ter tudo isto que aqui é tão normal.
Mas continuas erguida, imponente. Impões o respeito destes que nunca irão conseguir absorver-te por inteira. Fazes-me sentir esta melancolia e saudade que não sabia existirem. Fazes-me reviver essa vida que não penso ter vivido.
Fazes-me tão triste, tão triste...Não te consigo perceber, não te consigo ter de verdade e não consigo manter-me longe. Fazes-me triste porque és a coisa mais bonita que já vi, mas fazes parte de algo tão feio que me faz esquecer-te.
Fazes-me tão triste...Não te percas, por favor.
1 comentário:
Tenho a certeza que venerei o texto, sei que pela forma como está escrito, e de certa forma por aquilo que diz. Não entendo totalmente, mas não sei se faz realmente diferença. Muitos parabéns!
(Diogo GTH)
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