Atravesso a barreira do som, de toda a realidade.
Vim parar a outro lugar e nem dei por isso.
Se cerrar os olhos por escassos segundos, se me deixar ir,
Corro o sério risco de ficar para sempre por encontrar.
Serei totalmente embrulhada neste caos familiar, tão doce, tão verdadeiro...
Serei engolida, ter-me-ei engolfado por demasiado tempo, para demasiado longe.
Para as profundezas de algo que desconheço, mas que se assemelha a casa.
Ouço o seu ritmo calmo, peculiar, contido, firme, tão seguro de si, como se não pudesse falhar;
O ritmo que me corre nas veias, silenciosamente, sem eu saber o porquê.
Talvez seja isso que me leva a agir, a ser precipitada quando devia parar. Quando sei que é errado.
Talvez seja isso que me faz abrir os olhos cansados de ver tragédia pintada de qualquer outra coisa,
Disfarçada de nada, para ver que não estou realmente lá. Reparo agora que nunca vi isto.
Retira-me toda a força, a capacidade de resistir. A habilidade de não me perder no pulsar.
Um calafrio que não me é estranho invade-me e poderia tomar conta de mim, se fosse possível.
Um barulho alto e inesperado, de outro mundo, sobressalta-me e mostra-me a verdade:
Ainda não é tempo, ainda não chegou a hora. Esta substância alheia que emerge das profundezas, que Acorda agora de um sono mais que profundo, mais que longo, que se prepara para o seu auge, ainda não Pode ter o que quer. Mas em breve...
Ao atravessar a barreira do som, de toda a realidade, de toda a consciência, eu fui lá.
Fui a esse mundo, esse outro paralelo que me chama, atraindo-me com uma canção misteriosa,
Que se apodera de mim, que encanta de forma inusual. Sedutora. Que possui tudo em mim.
Fui a esse mundo e voltei, inteira. Por quebrar, o feitiço. Em breve...
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