17 fevereiro, 2013

Away we (don't) go

«I have been searching all of my days..»

Às vezes temos algo a provar. Nem sempre aos outros.
A nós próprios? Sim...É sempre assim.
Mesmo que quisesse ir, largar esta vida, este conjunto de cenas,
Não podia. Não seria justo, ou possível. Eu não iria querer.

Espero, aguardo. Aceitei esse fardo reluntantemente.
Todos os meus dias são passados dentro destas não-paredes.
Vou e venho à minha vontade, mas nunca muito longe.
O coração aperta-se com o receio de perder tudo. Todos.

É estranho ter receio de ter medo - não faz qualquer sentido.
Na verdade, custa ao respirar, ocasionalmente.
Hesitação em desejar, em decidir se devo dar esse passo ou não.
Esse mesmo passo que mudará esta rotina completamente.

Algo novo, brilhante, deslumbrante aparece de súbito.
Vejo-o claramente, de longe, mas não me atrevo a aproximar.
Percebo que me intriga, que me fascina. Que quero saber mais.
Quero saber qual a razão, quais os segredos por contar.

Quais os pormenores escondidos do mundo.
A coragem vacila, deixa-me sozinha: não consigo fazê-lo.
O mesmo receio inútil e ridículo e vazio apodera-se de mim.
Arrependo-me mesmo antes de agir e a possibilidade morre.

Se eu fosse, se eu tivesse a audácia? Sonho com isso...
Não teria de ver este mesmo cenário repetitivo; não teria
De viver isto, dia após dia, após tantos outros iguais.
Não teria de viver nesta felicidade insuflada, francamente falsa.

Sentir que isto não basta, que não é verdadeiramente o que quero,
Sem ter a capacidade de sair daqui, de correr até à fronteira da terra.
Impotente nas minhas próprias escolhas, nos meus próprios sentimentos.
E mesmo que quisesse ir, largar este desassossego, não podia. Eu não iria voltar...

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