«A little light is filtering from the water flowers.
Their leaves do not wish us to hurry:
They are round and flat and full of dark advice.»
Sinto falta daquela antiga sensação que preenchia cada célula do meu corpo com a novidade.
De olhar e ver as árvores no alto, independentes. Balançam ao vento, passeiam com ele.
Ele chega e persuade tudo e todos. Todos o desejam seguir.
De olhar e reparar nas flores, perto das minhas mãos - quase lhes tocam e anseiam por isso. Elas sentem os meus olhos, o toque fugidio e demorado que não chega a acontecer. Aqui não há pressa, ou caos, ou destruição. Só talvez da alma...Mas a solidão também atua como proteção, como um reflexo que não deixa entrar o mal do resto do mundo.
O cheiro fresco, puro, ingénuo da erva, que me chega à cintura, encanta-me. Chama por mim, canta pequenas e breves canções que apelam ao que já foi aqui vivido. Diz-me que aqui posso ter toda a paz que procuro; que aqui, a vida é como eu a pinto. Neste local, paira no ar um qualquer feitiço, algo por descobrir, por desvendar, como o segredo que se esconde no botão tímido de uma rosa.
Posso respirar livremente - há espaço para ser e imaginar. Os universos são imensos, as ideias infinitas. Algo incrível deve habitar por estes cantos da terra.
Leveza de querer, simplicidade de conseguir prever o que não está mesmo à minha frente, de bastar. De não precisar de voltas complicadas da mente de muitos, para ver o que está escrito nas entrelinhas sinuosas que formam caminhos e estradas que percorrem estes vales, aquelas serras. No fim de tudo o que existe no presente, onde não há mais nada. Onde não vive ninguém e por isso, onde o mal ainda não chegou a romper.
Lá, refugia-se a esperança arrastada por medo, a felicidade incontida, aquilo pelo qual ainda vale a pena viver.
O rio passa por mim a correr, mas não vai a lado algum. Limita-se a não desistir, porque não tem outra escolha? Ou porque escolhe fazê-lo? Traz a vida consigo, traz a ousadia, o desassombro de viver. Livra-nos da treva que paira sempre ao alcance, livra-nos do mar salgado onde tentámos em vão acabar com isto. Com esta vulnerabilidade, esta perturbação sem fim que vinha sussurrada pelas folhas das árvores, quando abanam os seus ramos exibicionistas. Esse mar não o quis, não nos quis. Cuspiu-nos de volta, cruelmente.
E assim, aqui voltei. Onde as estrelas têm uma casa e onde o oxigénio é dolorosamente saboroso. Onde a morte espreita, já cansada de esperar pelos que se opõem a deixar a luta.
Tive saudades de viver este ambiente, este refúgio verde. Tenho tristeza de não haver tanto, já não.
Mas as árvores ainda estão cá, o rio ainda corre. E eu, regresso. Relembro.
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