30 agosto, 2012

Wide Awake

«Tyler, my eyes are open.»

Lá vem a mesma velha história de sempre, já anteriormente vista. Pedaço do que já se viveu antes, infinitamente.
Não será novidade nenhuma se disser que finalmente aprendi após tanto tempo nessa cegueira; como tantos outros, sou só mais uma a demorar uma eternidade a chegar lá.
Já percorri estes mesmos trilhos de felicidade, mágoa, raiva, desconfiança. Traição, outrora. À primeira, à segunda, pensei que fosse apenas natural. Calculei que fosse o preço a pagar por isto - todas as coisas boas têm o seu lado negro, mas cheguei à conclusão de que valia a pena o esforço.
Talvez à terceira tenha começado a vislumbrar a verdade do que já sabia, embora ainda fingisse não ver. Tentava, desesperadamente, fechar os olhos, ignorar o que tinha de ser verdade. Terá tudo isto sido um sonho ou ilusão? 
Sinto-me tentada a responder que sim, sem hesitar, por muito que arda. Por muito que doa. Alguma vez me olhaste nos olhos e disseste a verdade? Porque acho que de cada vez que os meus olhos fitaram os teus, tu te limitaste a contar essa familiar doce história que nos aquece o coração. Palavras que pairam no ar, por não terem peso nenhum. Por significarem menos que pó.
Gostava de poder acreditar, mas é tarde demais agora. Por muito que o teu sorriso vá apaziguando a dúvida, por muito que o teu discurso tenha todas as palavras certas a dizer (e acredita, nós queremos sempre tanto acreditar nelas!), ela instalou-se e nunca mais conseguirei não-ver a tua verdadeira essência. Os meus olhos estão abertos para a realidade, não me é possível fechá-los.
Foste como uma droga, algo que me fez adormecer para o que normalmente não demoraria muito tempo a ver, mas a mentira era algo tão puro, tão agradável, tão meu...Deixei-me levar.
Resta agora saber se apesar da aversão, eu ainda consigo engolir o desagrado incrível que sinto com a tua presença, para poder olhar para ti, enquanto me tentas enganar, uma vez mais.

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