Pediram-me para desenhar a tristeza.
Pediram-me para parar de fingir, pediram
Que esquecesse tudo, para conseguir chegar
Ao fundo, ao que realmente interessa.
Ao que está cá dentro a magoar-me.
Já a olhei nos olhos várias vezes, já a
Senti a encher-me como uma onda
Demasiado forte para ser travada.
Já me esfaqueou vezes sem conta, mas
Continuo sem saber como ela é.
Estranhamente, hoje vou obrigar-me.
Vou calar-me de vez para ouvir a minha
Dor. Ando a evitar o silêncio porque ele
Diz-me o que não quero ouvir. Nem saber.
Não vou cantar o mais alto possível...
Já ando a caminhar pelas paredes, já não
Reconheço neste sítio aquele conforto; como
Se nada me pudesse fazer mal aqui, como se
Nada me magoasse. É demasiado tarde, já nem
As paredes me servem. A mágoa está cá.
Os fantasmas chegam para me assombrar, mas
Na verdade, acho que nunca daqui saíram.
Estiveram sempre comigo, matando o muito pouco
Que ainda resta, milagrosamente. Olho à volta e
Nada sobrou. Nada antigo ainda reside por aqui.
Escutei o que está cá dentro e mesmo assim
Não arredei pé; fiquei, com arrependimento
E revolta, mas fiquei. Estou à procura daquele
Estado onde os sentimentos são crus e reais;
A vulnerabilidade da música, das lágrimas...
Do que sinto... Não posso fugir, estou estilhaçada
1 comentário:
Só para dizer que passei por aqui. Porque comentar isto é impossível... Sinto-o tão bem cá dentro, no meu coração * Tão, tão bem **
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