30 janeiro, 2011

Vazio

Hoje percebi uma coisa.
O desespero que esta seca me trás está a consumir-me.
Em breve, as poucas palavras que restarem vão ser apenas miragem. Pó da viagem que as antigas letras fizeram, para longe daqui.
As lágrimas necessárias não vêm e eu fico aqui no deserto, de joelhos no chão a chamar por elas. A implorar.
Não sei se existe um deus por aí que me possa ajudar. Que possa enviar os seus anjos para me salvarem deste período parado no tempo onde só resto eu. Onde só resto eu com o fardo de empurrar esta pedra de frustração pelo monte mais alto de sempre.
O fardo de saber que as palavras continuam cá dentro. Continuam dentro de mim, onde sempre estiveram. O problema agora é tirá-las para fora.
Resto eu aqui. Sozinha. A tentar recuperar o que nunca voltará a ser como antes.
Só me resta continuar a empurrar esta pedra, que a cada dia que passa se torna mais insuportável, até que alguém ouça as minhas preces.

Inspiração, por favor, onde quer que estejas,
volta.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gosto muito de ti e do que escreves !
vais ver que a inspiração volta :D
ly @
Rita