11 janeiro, 2011

Little Voice

«That little voice is sometimes the only voice that’s speaking the truth»

Em pouco tempo, senti coisas que não esperava sentir.
Há muitas luas atrás senti o meu coração a parar de bater, literalmente.
Durante um segundo, a terra parou mesmo de se mexer e o tempo parou.
As lágrimas teimavam em chegar mas eu batalhei-as e não as deixei vencer.
Decidi que nunca mais iria deixar a minha imaginação governar o meu coração, nunca mais a iria deixar ganhar asas que mais tarde só iriam ser cortadas.
Apesar de me avisar, a minha consciência perdeu-se pelo caminho e lá estava eu!
Já sem receios do passo em falso, já esquecida da espiral descendente por onde passei. Pronta para voltar a acreditar.
E por acreditar, sem pensar duas vezes, sem ver para além dos limites, voltei a fazer o que não queria.
Enganei-me, iludi-me. Senti-me desapontada, mas desta vez as lágrimas não vieram. Não podiam vir.
Chegamos ao hoje. A causa do desespero infindável.
O sem saber, a dúvida constante, a revolta da indecisão.
A impotência, de no fundo, não saber bem o que quero afinal.
E ondas de raiva dilatam-se dentro e mim, ondas que já não consigo aguentar.
Tento então chorar. Rezo para que, desta vez, consiga extrair a necrose da minha alma, aliviando assim o já cansado coração.
Rezo e tento em vão, mas elas não ousam sair, com receio de não cessarem nunca mais.
Isto apenas faz crescer a minha fúria quase divina. As lágrimas por brotar, de tristeza ou de sentimentos indefinidos evaporam-se e agora apenas peço que caiam carregadas de raiva. Que caiam para me libertar!
Foi em vão; vou esquecer-me do mundo para que o mundo possa também esquecer-me.
Lição aprendida: ouvir apenas a minha consciência, porque por vezes, ela é a única capaz de nos proteger.

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