10 dezembro, 2010

Insomnia

«I'm so tired and I can't sleep»

Fecho os olhos e tento concentrar-me apenas no nada, no abstracto, mas neste momento, isso é a tarefa mais árdua que tenho de enfrentar.
Não é justo...Numa luta contra o sono, contra o próprio cansaço, é óbvio que não vou ganhar, por muito que tente.
A verdade é que abro os olhos outra vez, talvez para me certificar que tudo permanece na mesma ou talvez apenas para sentir que não sou a única pessoa no mundo, efectivamente.
É que ao mesmo tempo que me viro de um lado para o outro num labirinto de lençóis, sob a protecção de um felino de olhos verdes, milhões de pessoas estão acordados, noutra situação diferente, noutra luta diferente.
E é por isso que não durmo. Porque apesar da concentração no preto, os pensamentos chegam de rajada e instalam-se. Os sons chegam e não arredam pé e em breve, todas as cores terão ocupado o lugar que o preto outrora obteve.
Abro os olhos de novo. Se até o meu cérebro está contra mim, que posso eu fazer?
Olho para as paredes à minha volta e reparo que mesmo sendo menos assustador que na infância, estar sozinha acordada à noite ainda trás arrepios. As sombras dos galhos ganham vida e, subitamente, acenam-me, como que a embalar-me para o mundo dos sonhos que sonho alcançar.
Olho pela janela e vejo a luz da lua, tão pura, tão cheia de vida que simplesmente deixo de lutar contra algo que não está nas minhas mãos.
Simplesmente deixo de ter receio, deixo de pensar nas poucas horas concedidas ao sono e deixo-me ir, aproveitando cada segundo de paz, deixando-me alagar em imagens, pensamentos e cores, até perder de vista.
De repente, sinto que chegou a hora, e antes de fechar os olhos, sorrio porque finalmente sei que não estou sozinha.

«You're making me feel, monsters are real,
You're making me feel I'm not alone»

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