20 outubro, 2013

Yesterday

«I want you to notice, when I'm not around..»

O que fazer quando sinto esta saudade a voltar repentinamente? Quando a sinto a despedaçar-me o coração de forma lenta e demorada...
É tão avassalador como se estivesse a ver essa vida a morrer, mesmo à minha frente. Tento olhá-la de frente, mas é inevitável que a deixo ir. Penso que não está ao meu alcance travar a vida que quer seguir em frente e desaparecer. E é esta incapacidade de fazer alguma coisa, de parar o que já começou que me faz sentir assim, sem escolha. Isto de não ter escolha é impossível aguentar, tão incredivelmente impotente.
Questiono se esta minha vida de agora faz algum sentido, ou se apenas tento convencer-me disso. Sei que o que está marcado em nós nunca irá passar, o que foi queimado em nós por tanto tempo, por tanta dor e felicidade já está entranhado na nossa pele. Não vai evaporar, mas enfraquece.
É neste sentir-me sem direção, perdida, sem saber para onde ir ou o que fazer. Como ser, sem ti. Às vezes finjo que voltei ao passado. Vivo no antigamente, por breves segundos, quando tudo era fácil, mas parecia terrivelmente difícil. Quando o sonho governava o tempo e a mente. Quando estávamos no topo do mundo, a ser o que queríamos ser, quando eu sabia que estavas por perto, se tudo colapsasse.
Agora, resta a saudade e a memória doloroa, que passeiam juntas na sombra da minha solidão.

1 comentário:

Anónimo disse...

Este é o tal texto que gostei mesmo, mesmo, mesmo. Não sei se é por estar tão bem escrito, sem é porque me faz sentido. Às tantas, que é o mais provável, é por ambas as razões. Gostei bastante!