04 outubro, 2012

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O meu erro? Talvez amar-te demais...
O único passo em falso? Querer tudo. Logo.
Tentar agarrar-me desesperadamente à tua mão,
Quando a vi desaparecer. Aos poucos.
Lutar com tanta força para te marcar, para te
Fazer ver que vale a pena. Temo o fim breve.
Como será vislumbrar isto, a tua face, e saber
Que nunca mais haverá? Que terá morrido.
Não me falem em inevitabilidade, não ousem
Referir o curso natural da vida. Isso não me acalma,
Não amortece a dor, e a mágoa, e a tristeza constantes.
Nem sempre vêm ao de cima, mas fazem barulho,
Cá dentro.
Isto não acabou. É-me impossível ver-te ao longe,
Empurrada pela maré, e ficar aqui. A acenar o adeus
Que parte o meu coração...
Que adeus é esse? O que é este pedaço de mim
Que querem arrancar contra a minha vontade?
O medo alimentado pela insegurança da realidade
Ganha asas e escapa. Incontrolável.
Recuso-me a dizer que isto é impossivelmente doloroso,
Que corrói, que mata.
Não vou gritar ao vento que ninguém me alertou,
Que ninguém teve a ousadia de me dizer que
Nada disto é fácil...Nem se irá tornar. Não para mim.
Mais uma vez. E outra, e novamente, se for preciso.
Nunca acreditarei que isto é um erro. Nunca acreditarei
Que devia ter ouvido a razão e não o sentimento. Nunca.
Vale a pena tentar, por isto, vale a pena segurar-me até
Ao meu último sopro àquilo que me faz feliz, que me permite viver.
Não me falem de inevitabilidade.
Isto não é ciência, trata-se da melhor loucura que tenho.
Vou guardá-la...

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

'Isto é para mim', diz o Homem ao ler este texto. Talvez nem sempre, talvez passe insconciente. O texto está esmagador, e não passa só uma vez por cima, passa várias para recalcar com firmeza.
"Lutar com tanta força para te marcar, para te
Fazer ver que vale a pena." , a destacar.
"O que é este pedaço de mim
Que querem arrancar contra a minha vontade?" Entre outros. O texto está magnífico, peca pelo realismo, peca pelo sentimento sofrido.

Keep going. (Excelent)